sexta-feira, maio 29, 2026

Claude meu, Claude meu, diz-me: há alguém com melhor coração do que eu?

 

A minha maneira de ser leva-me a querer perceber as coisas, a investigar o quanto posso. Mas, se as áreas não são as minhas, tenho dificuldade em descobrir quais as bases de informação que devo consultar ou que elementos devem ser cruzados e analisados em conjunto.

A Inteligência Artificial veio ajudar nisto, embora, no actual estado da arte, o prudente ainda seja validar, cruzar com outras plataformas, tentar saber quais as fontes e ir lá. 

Vem isto a propósito de uma coisa que se passou comigo está prestes a fazer cinco anos, um evento que, na altura, os médicos não conseguiram explicar bem. Pelo menos, nunca me senti bem elucidada. Davam-me hipóteses e diziam que o mais provável é que fosse isto ou aquilo ou, até, um mero acaso.

Desde essa altura para cá, sou monitorizada e as conclusões nunca são óbvias. E eu vejo que os médicos não as explicam, pelo menos com o grau de profundidade que me satisfaça. Usam o truque de parecer que o tema é técnico demais para entrarem em pormenores ou dão a entender que na medicina nem sempre a ciência é exacta. 

Sendo eu uma pessoa das ciências, lido mal com isso.

Esta quinta-feira fui fazer mais um exame e, felizmente, estava tudo bem, e a semana passada outro e, felizmente, também estava tudo bem. Ou seja, aparentemente a situação que estava a ser monitorizada desapareceu (ou, se não desapareceu, está muito intermitente, a ponto de não ter sido detectada nestes exames). Mistério.

Gosto de mistérios na ficção mas, quando o tema é o funcionamento do meu corpo, já não lhes acho muita graça.

Agora dei-me ao trabalho de ir buscar todos os exames desde o fatídico dia em que, tendo levado de manhã a vacina da Janssen para a Covid, por mero acaso nessa tarde fui fazer o ECG que integrava a inspecção de trabalho e no qual detectaram um comportamento tão atípico que me despacharam, numa ambulância do INEM, para o hospital, com a indicação de que estava a ter um ataque agudo de miocárdio. Passei lá a noite e a manhã seguinte, uma experiência do pior que há, num espaço sobrelotado, as macas encostadas umas às outras, uns a gemerem, outros a gritarem, outros a vomitarem, muitos a tossir, a escarrar, outros a ameaçarem que partiam aquilo tudo, outros a chorar, ouros doidos a falar sem parar. Tudo sem máscara, numa altura em que a Covid ainda era um pesadelo. Felizmente, a meio do dia tive alta, saindo com a indicação de que no dia seguinte deveria apresentar-me em cardiologia.

Seguiram-se exames e mais exames, a revelação de que havia uma patologia, e que doravante deveria ser medicada e monitorizada. E assim tem sido.

Contudo, os exames nunca me pareceram muito concludentes ou, pelo menos, muito consistentes com o discurso oficial sobre o meu estado clínico, e, mais recentemente, o médico de família que passei a consultar e que não acompanhou todas as peripécias dessa altura, nunca ficou convencido com a medicação prescrita pelo cardiologista.

Hoje, com os exames todos (o que me deu uma trabalheira... encontrá-los todos, descarregá-los todos, dar-lhes nomes facilmente identificáveis, foi obra), desde esse fatídico ECG, à nota do hospital, os exames todos desde então para cá, enfiei tudo para dentro do Claude. E, em menos de um minuto, tinha um descritivo cronológico e interpretado das ocorrências. E o resultado pareceu-me lógico, perceptível, coerente. E, segundo ele (ele, Claude), a chave de tudo estava numa frase do relatório de um exame feito nesses dias, frase essa a que nenhum médico ligou.

E a leitura sequencial dos exames, a análise que faz, é deveras completa e interessante. Refere estudos que têm sido feitos, evidências científicas. Já cruzei informação com o Gemini e com o ChatGPT e fiz outras pesquisas ad hoc, e o que vejo parece-me plausível. Claro que o passo seguinte será tentar validar com os médicos, quer o de família quer o cardiologista. 

Contudo, sei bem que se me vou pôr a dar palpites sobre a análise temporal, sequencial, e interpretada que foi feita, irão aos arames. Tenho que estudar bem a abordagem. Mas, para a prova dos nove, seria interessante fazer mais dois exames e eu não os posso prescrever a mim mesma. 

Os médicos ainda não aprenderam a conviver com a realidade da Inteligência Artificial. 

Imagem gerada pelo ChatGPT

Acredito que para eles não seja fácil, mas o caminho vai, inexoravelmente, passar por aí. Eles próprios deveriam munir-se destas ferramentas. Um médico, numa consulta, ver ECGs, Holters, Dopplers, Eco às carótidas, Cintigrafias, RX ao tórax e sei lá mais o quê de vários anos é tarefa impossível para a duração de uma consulta. Mas, para cada doente, ter os exames todos lá armazenados, e, antes da pessoa entrar na consulta, pedir à IA um resumo, uma lista de pontos críticos e uma sugestão de aspectos a aferir, não apenas reduziria tempos como margem de erro e, de certeza, melhoraria a saúde de toda a gente.

E agora vou dormir. Com tudo isto, já são três da manhã. 

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Desejo-vos uma feliz sexta-feira!

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