sábado, março 07, 2026

Leibovitz. Annie Leibovitz

 

Sempre gostei imenso de fotografar e, nos meus anos áureos, com as minhas boas machines, era sempre a aviar. Não conseguia parar. Milhares, resmas, paletes de fotografias. 

Disseram-me uma vez, ao verem as minhas fotografias, que eu tinha um 'eye for detail', e eu gostei de ouvir isso. Descobrir o pormenor que faz a diferença, é isso que sempre procurei. Fotografar, para mim, não é só ver uma coisa bonita, apontar a lente e lá vai disto. Isso é o banal, não acrescenta, não vale a pena. Para mim, fotografar é captar o apontamento, o momento, a luz fugaz, a expressão ou o movimento, a sobreposição de imagens, o reflexo, o irrepetível.

E gostava sobretudo de fotografar pessoas quando elas não estavam a fazer pose ou, de preferência, quando nem reparavam que eu estava a fazer das minhas. Posições descontraídas, instantes de partilha, um olhar perdido, um grupo a conversar. Isso, sim.

Quando vejo aqueles grupos de pessoas em que todas riem, algumas abrem desmesuradamente a boca ou mostram a língua, e ninguém parece estar como é na realidade, penso que é o tipo de fotografia que a mim jamais me interessaria. Mas agora parece que é só disso que se consome. Quando passeio na praia, toda a gente se fotografa e toda a gente faz o mesmo tipo de poses. Presumo que todas essas se exibam da mesma maneira nas redes sociais. Como o algoritmo já percebeu que me interessa sobretudo política, sobretudo política internacional, ou arte em geral, ou dança, ou fotografia ou arquitectura, ou temas japoneses, decoração japonesa, por vezes culinária, outras vezes decoração, frequentemente jardinagem, adoro tudo o que tenha a ver com jardinagem, é disso que me dá a manjar. Não me aparecem majorettes, podcasters da treta, influencers de meia tigela, coisas assim. Por isso, quando vejo aquelas vedetas na praia a levantarem a perna, a alçarem o braço, a porem a cabeça para trás ou a fazerem biquinho de beijoca ou a abrirem a goela, penso que é para se mostrarem no Insta ou no Tik Tok... mas não tenho provas do que digo.

Nos antípodas de tudo isso estão os grandes fotógrafos. Uma das grandes fotógrafas de pessoas, especializada em gente conhecida, é Annie Leibovitz. Desde há muito sou sua admiradora. Tenho livros dela que guardo como peças de estimação. Ver a vida através de uma lente. Conheço essa sensação, embora, agora que uso telemóvel e não máquina a sério, isso seja uma recordação remota. O telemóvel não permite a intimidade de espreitar pela lente e dar-lhe zoom, aproximarmo-nos à socapa, chegar até muito perto, quase à intrusão na alma de quem estamos a querer desvendar.





Annie Leibovitz tem conseguido grandes retratos, daqueles que ficam para a posteridade. Ela consegue teatralizar o ambiente para que a alma da pessoa surja em todo o seu esplendor, ou em toda a sua candura, ou bravura, encarnando a persona que parece viver dentro dela. Annie Leibovitz é a anti-banalidade por excelência.

Este vídeo fala um pouco disso. 

Annie Leibovitz partilha momentos dos bastidores das suas sessões fotográficas com algumas das mulheres mais influentes do mundo

Ao longo da sua carreira, Annie Leibovitz fotografou mulheres influentes, incluindo a juíza do Supremo Tribunal Ketanji Brown Jackson, a Rainha Isabel e a ex-presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi. Ela falou com Anthony Mason sobre os momentos por detrás das fotos e os seus planos para o futuro. 


Desejo-vos um sábado feliz

1 comentário:

Pôr do Sol disse...

Querida Um Jeito Manso,
Tambem adoro fotografar. Fotografo tudo, desde as tulipas que nasceram esta semana ao arco iris de ontem.
Uma das frases publicitarias que ficarão para sempre é a da Kodak que diz: para mais tarde recordar. E recordar um momento, dizem, é viver.
Hoje, com o telémovel mais comodo de transportar que uma máquina fotografica,
obtêm--se bons instantaneos, mas muitas vezes perdem-se.
Como gosto muito de fotografias e com a facilidade que temos de o fazer em casa, imprimo grande parte das que tiro, o que não acontece com muitas pessoas hoje. Inclusivé os filhos que com as suas vidas atarefadas nem se lembram e acabam por ter só as que as escolas fazem e de um ou outro evento.
Este gosto permitiu-me que nos dezoito anos da minha neta lhe oferecesse um album com toda a sua vida, desde o casamento dos pais até ao seu primeiro emprego, incluindo o documento que a autorizava a votar. Ficou impressionada e muito feliz.
Tenho alguns recantos da casa decorados com fotografias o que leva os miudos a dizerem que é mesmo casa de avós.
Um abraço.
Desejo-lhe um bom fim de semana e continuação de boas fotos.