sábado, fevereiro 28, 2026

Ucrânia

 

Criei o blog há um bom par de anos, sem plano nem propósito -- sobretudo, queria descobrir como se fazia. Mas, assim que o percebi, o lado estético e lúdico entusiasmou-me bastante e logo resolvi que o seu look haveria de ser mutante. Quase todos os meses lhe mudava a imagem de abertura e as cores. Privilegiava pinturas do meu agrado mas também fotografias alheias que considerava também arte, frequentemente com um certo toque provocatório. E divertia-me imenso a escolher cores, em volta ou por detrás, no tom da imagem ou, pelo contrário, altamente contrastantes. 

Mas, quando a Rússia criminosamente invadiu a Ucrânia e começou a matar e a destruir, imediatamente abdiquei desse meu prazer e resolvi arranjar uma imagem que simbolizasse a esperança e o futuro, assentes nas cores ucranianas. A coragem e a capacidade de resistência daquela gente, o heroísmo de todos, a começar por Zelensky, alguém por quem nutro enorme admiração, sempre me comoveu muito e, desde sempre, na humildade da minha irrelevância, coloquei-me do seu lado. E decidi que assim ficaria até que a Ucrânia pudesse voltar a viver em paz, em liberdade, em felicidade. 

Achei, e cada vez mais o acho, que estar ao lado de quem defende a sua terra, as suas fronteiras, a sua identidade, o seu querer, o seu futuro, era o mínimo. Sem adversativas, sempre me coloquei do lado da Ucrânia e do seu direito a defender-se e a fazer valer a sua vontade, e sempre me mostrei inequivocamente contra quem demonstra não respeitar o direito internacional, não respeita as fronteiras dos outros países, não respeita a vontade dos povos desses países, não mostra compaixão nem mostra arrependimento nem empatia nem coisa boa alguma.

Confesso que nunca pensei que tivesse que manter a criança com as cores da bandeira pintadas no rosto nem o fundo amarelo e azul por muito tempo. Uma guerra desta natureza, absurda como todas as guerras e tanto mais quanto assenta em vontades imperialistas que eu julgava mortas e enterradas, uma guerra tão aberrante, tão assassina, tão estúpida, julgava eu que não poderia durar muito. Imaginei que alguma solução os civilizados deste mundo haveriam de arranjar e que, se não isso, então, internamente, os próprios russos haveriam de impor a retirada das tropas russas do território ucraniano e imporiam a neutralização do regime putinista para que a própria Rússia pudesse aspirar a um futuro tranquilo, livre e democrático. 

Enganei-me. Já lá vão 4 anos. Putin continua a usar os seus como carne para canhão, e ouve-se falar em cerca de 600.000 mortos, impondo também pesadas perdas para a Ucrânia, fala-se em cerca de 300.000. Uma brutalidade. Vidas interrompidas para as quais não pode haver perdão. Um dia Putin será julgado como o grande criminoso que é.

Não sei qual será ou quando será o desfecho desta guerra mas sei que um dia acabará e acabará bem para a Ucrânia. Espero que seja em breve.

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NB: Fiz as imagens que ilustram este texto com recurso a Inteligência Artificial

4 comentários:

Anónimo disse...

Já que nutre admiração pelo ZÉLÉRIAS palhaço-nazi vendilhão da pátria, não sei porque também não sente admiração pelo trump netaniau FsDP e afins, e quem por trás deles contribuiu para as desgraças alheias.
Assim se ve como a lavagem de cabeças funciona, até para quem aparenta discernimento e inteligencia acima de média.
Quanto ao seu ódiado de estimação, o tal Putin onde o demo alegadamente se alojou, achava que ele era muito sensato, mas agora acho que ele tem mais é falta de COJONES.
E se gosta de viajar, em breve poderá ir ás caraibas ver como se destruiu uma ideia de ser diferente, o que constitui uma ameaça, quando a ideia vai contra os interesses de meia duzia.
Depois de mais esta demonstração dos ogres do costume em nome do direito de dizer aos outros que constituem uma ameaça e devem viver como eles acham que devem, esta sua manifestação de interesse. até parece exemplo da estratégia da distração,
Passe bem, e vá aqui desfilando as suas ideias, é sinal que está viva, já lucida ou isenta é outra conversa.

Daniel Marques disse...

É um testemunho belíssimo sobre como o espaço digital, tantas vezes visto como fútil, se torna um reduto de resistência e de humanidade. Abdicar do prazer mutante das cores e das formas por uma causa maior é, em si, um ato de elegância moral. O blogue deixou de ser apenas um exercício de estilo para passar a ser um manifesto de solidariedade silenciosa, mas constante. Que a estética da paz possa, finalmente e em breve, devolver-lhe a liberdade de voltar a mudar as cores.

Um Jeito Manso disse...

Publiquei este comentário apenas para que fique patente a maldade, a falta de educação, a falta de noção dos 'inteligentes' que apoiam Putin

Um Jeito Manso disse...

Muito obrigada, Daniel. A simpatia das suas palavras toca-me.