quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Será que ninguém tem seguro?
-- Quem o pergunta é o meu marido --


Provavelmente este post não vai ser muito popular, mas penso que devemos ser sempre racionais, sobretudo em situações de catástrofe. 

O governo, após a catástrofe, fez aquilo que já tinha feito em situações anteriores identicamente catastróficas: prometeu distribuir dinheiro a todos. 

O governo já tinha demonstrado antes e voltou a demonstrar agora que não tem capacidade para atuar nem preventiva nem atempadamente nestas situações. Os ministros ficam umas baratas tontas sem saber o que fazer; e, finalmente, convocam um conselho de ministros e anunciam que vão dar dinheiro a quem pedir. 

Estou completamente de acordo que seja entregue dinheiro, a fundo perdido, às pessoas que perderam os suas casas ou outros equipamentos e que não têm recursos para recuperarem a dignidade que merecem. Vimos muitos exemplos na televisão. Mas o governo dar indiscriminadamente dinheiro a quem pedir, dizendo que o vai utilizar a recuperar a casa, parece-me pouco avisado, senão, disparatado. 

Embora saiba que a maioria das vezes os anúncios do governo não corresponde à prática, não me parece razoável que um português, talvez, médico, advogado ou dono de uma empresa, receba o mesmo valor que um reformado com uma pensão de reforma miserável. Quem tem capacidade aquisitiva tem disponibilidade financeira para contratar um seguro multirriscos para a habitação, seguro esse que suportará, em princípio, os danos. A anunciada contribuição deve ser dada a quem, de facto, precisa -- e o rendimento colectável não pode ser o fator discriminatório. Todos sabemos que existem portugueses com rendimentos elevadíssimos que declaram ninharias para não pagar impostos. Estes, por exemplo, não devem ser ajudados sob pena do governo estar a promover a injustiça social. 

Eu sei que este governo não tem capacidade para pensar, mas é absolutamente necessário promover a necessidade das pessoas contratarem seguros para estarem protegidas em caso de catástrofe. 

No caso das pessoas que não têm manifestamente capacidade para contratar um  seguro, talvez pudesse haver uma espécie de "seguro social", suportado pelo Estado, que seria acionado em situações semelhantes e que seria utilizado para resolver as situações das pessoas sem recursos. 

E o caso das empresas é semelhante. Uma coisa é o Estado suportar custos com trabalhadores ou disponibilizar financiamento em condições vantajosas  quando as empresas estão impedidas de produzir devido à catástrofe. Totalmente diferente é o Estado (ie, todos nós) suportar custos de recuperação de equipamentos e imóveis de empresas que não têm seguros ou têm seguros desadequados. Esta última situação não é admissível. Veremos no que estas ações impensadas e avulsas do governo vão dar.

Dois outros assuntos interligados. 

  • Os ministros e o PM cada vez que falam dizem asneiras. Hoje a ministra do ambiente veio dizer "que havia toda uma logística associada aos geradores" que impedia que eles chegassem atempadamente onde são necessários. Que surpresa, ficámos a saber que os geradores não se movimentam sozinhos. Quem diria! Não seria nada surpreendente se num ataque de igual "lucidez" a ministra dissesse,  como disse o ministro da economia quando foi o apagão, que estavam a estudar a hipótese de pôr os motoristas do governo e respetivos carros a fazer o transporte dos geradores. Podemos esperar tudo destes tipos. 
  • Outro que também já não surpreende é o Marcelo com as suas tiradas. Dizer pela enésima vez que é "preciso apurar o que correu mal" como já disse todas as vezes, e foram muitas, que este governo "meteu a pata na poça" é o repetir de uma piada sem graça. Alguém sabe o que resultou do "apuramento" das asneiras anteriores e que medidas foram tomadas? Felizmente estamos a pouco tempo de nos vermos livres do pior PR dos últimos cinquenta anos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sim, seguros, mas não chega.
É extraordinário que, aparentemente, o OGE não contemple uma verba para este tipo de contingências.
E é extraordinário que pensem logo no milho de Bruxelas. Lembro-me de décadas atrás, creio que era um governo AD, ter havido uma desgraça qualquer. O governo de então prometeu dar uns milhões. Mal sonhou com o milho de Bruxelas o mesmo governo já via centenas de milhões, senão um bilião em prejuízos.
Acresce que não consta que os seguros paguem tudo. O que fica para o próprio pode ser duro de pagar.