Esta nova trapalhada do governo com a classificação dos exames é apenas mais um episódio da falta de capacidade técnica e política e da incompetência gritante que este governo tem demonstrado em todos os assuntos em que se mete de uma forma mais profunda. É assim na Saúde (depois da reorganização das maternidades feita pelo governo, hoje a notícia é que o hospital de Almada está a recusar receber grávidas). É assim na Habitação com o aumento de preços a subir sem parar. É ou foi assim na Administração Interna com os enormes problemas no combate aos fogos. É assim no apoio às populações afetadas pelas tragédias que têm assolado o País. Agora chegou a vez da Educação onde a jóia da coroa, the one and only Fernando Alexandre, meteu mais uma vez a pata, desta vez, numa poça sem fundo. O ímpeto """reformista""" (e ponham as aspas que quiserem) não olha a nada. Testar as aplicações antes de começarem a funcionar, nem pensar! Não vale a pena! É preciso é fé no programador e força no teclado. Se a coisa der para o torto culpa-se tudo e todos menos o responsável e realça-se o ímpeto reformista do governo que de facto não tem qualquer capacidade para fazer as mudanças que o País precisa. Com sorte ainda conseguem descobrir que a programação foi feita pela malta do Industão e arranja-se mais um argumento para o Leitão Amaro falar na imigração descontrolada, encontra-se um bode expiatório e desvia-se a atenção da populaça. Lata e descaramento para propagarem uma mentira destas não falta a este pessoal (por acaso, no lugar onde estou, uma coisa é certa: sem imigrantes, não comia e o hotel não funcionava. É por estas e por outras que não compreendo os argumentos estúpidos contra a vinda dos imigrantes).
Nada me surpreende na incompetência do governo, mas há outras coisas que me suscitam alguma surpresa. Uma delas é: onde tem estado a FENPROF? Então essa rapaziada, sempre pronta para ir para a rua manifestar-se e ocupar a comunicação social com anúncios de greves e chorrilhos de notícias, agora tem estado praticamente muda e queda? Só agora começou a dar um leve arzinho da sua graça. O que se passa? Anteciparam as férias? Renegaram a herança do Nogueira?
Quando analisava a questão ,surgiu-me uma ideia peregrina, provavelmente, inverossímil. Será que a FENPROF foi comprada pelo Alexandre com todo o dinheiro que atirou para cima da mesa para calar os professores (por acaso este aumento de custos não resultou em nenhuma melhoria efetiva no ensino público). Mas devo estar enganado. A FENPROF supostamente desfilava para melhorar a qualidade do ensino e defender os alunos menos favorecidos, não desfilava apenas porque queriam ganhar mais dinheiro e um tratamento de favor em termos de carreiras. No entanto, o que se constata é que, desde que conseguiram o que queriam em termos salariais e de carreiras, borrifaram para a qualidade do ensino e para a defesa dos alunos menos favorecidos. Parece-me que é esta a realidade. A FENPROF só se preocupa com reinvindicações salariais e, como tem um ministro que faz o que a central sindical quer, não o afronta. Mal vai a principal central sindical dos professores quando, numa situação como a atual, apenas fala de fininho. Assim se confirma qual eram as reais reinvindicações dos profs.
Parece que o Montenegro no seu objetivo de cavalgar a onda foi ver o jogo de Portugal e obrigou o Falcón da Força Aérea a fazer mais umas quantas horas de voo. Teve azar. Não conseguiu tirar dividendos da viagem. E já chega de populismo bacoco nos elogios sem sentido à Seleção nacional que fez um mundial para esquecer. Resta-me uma dúvida: quem aprova este tipo de viagens? Como se justifica que o PM passe a vida a ver a Seleção mesmo quando manifestamente nada o justifica? Se fossem outros governos e outros PM, a rapaziada da AD não se calava, agora até elogia esta falta de ética (... e lá me lembrei outra vez da Spinumviva).
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Nota minha: como dá para perceber, o meu marido não leu o que eu escrevi ontem. Por isso, se o texto vos parecer um pouco redundante, confirmo: é mesmo. Mas a liberdade por estas bandas é total e, portanto, se ele se lembrou de escrever isto (enquanto eu cochilava de tarde), não ia fazer a desfeita de lhe dizer que não publicava porque ontem já tinha abordado estes temas. De qualquer forma, não falei na Fenprof. E ele tem uma forma talvez mais acutilante do que a minha. Seja como for, é o que é. Está dada a explicação.
Desejo-vos uma feliz quinta-feira


