Personagem fascinante. Ouço-o sempre com muito interesse. Parece ser de uma inocência desconcertante. Parece haver ali uma sinceridade que, na posição dele, se torna bizarra. Mas é daquelas sinceridades que, de tão francas, deixam no ar alguma perplexidade. Parece um puro. Num meio tão competitivo, tão exponencialmente criativo, em que tanto dinheiro rola de forma quase diluviana, Dario Amodei parece saído de um outro mundo.
É o génio da companhia, o que impulsiona o desbravar, o derrubar de muros. Mas, ao mesmo tempo, o que, tendo definido as linhas vermelhas, firmememente se recusa a pisá-las. E é de uma inteligência que perturba.
Uma inteligência assim, aliada à sua sinceridade e ao que parece uma cândida inocência tornam-no merecedor de atenção. Ouço-o sempre com interesse. Penso que os políticos do mundo o deveriam ouvir com cuidado e talvez adaptar algumas políticas para preparar o que aí vem e para prevenir o que não se quer que aí venha.
Daniela, a irmã, é a pragmática, a gestora, a que dá cobertura às ideias do irmão, mas com as rédeas da equipa e da empresa bem agarradas. Ele voa, ela garante a saúde das raízes. Ambos parecem fortemente empenhados em manter a sua visão utópica de um mundo melhor, avançando de forma responsável.
Mas certamente não serão perfeitos e, portanto, sobre tudo o que se pense e diga nestas matérias há que ter os dois pés no chão e a capacidade para, a todo o momento, dar um passo atrás. E, ao mesmo tempo, a capacidade de subir uns degraus, até à galeria, e olhar a realidade a partir de uma grande angular.
A Inteligência Artificial é imparável e, neste momento, duvido que seja regulável. A regulação, perante um conjunto de rios descomandados depois de tempestades e chuvas torrenciais, é impossível. Teria sido antes de virem as chuvas: reforçar margens e diques, fazer desvios, são trabalhos que se conseguem fazer antes dos rios engrossarem e ganharem uma velocidade que pode ser destrutiva.
É certo que talvez haja a possibilidade das tais linhas vermelhas. Só que depois há a venalidade ou a ambição dos que querem estar no pódio ou a ductibilidade dos que dobram a espinha sem qualquer consciência para agradar aos ditadores, aos imperadores, aos psicopatas -- e aí não há como garantir coisa nenhuma.
O meu lado optimista leva-me a querer que, não obstante as vítimas que inevitavelmente vão ficar pelo caminho, ultrapassadas e pisadas pelos avanços da IA e pela sua utilização desbragada, no cômputo global, num horizonte temporal alargado, os humanos serão capazes de incorporar ferramentas que aumentam fenomenalmente a inteligência e a produtividade de uma forma que seja benéfica.
Mas o meu lado mais realista preocupa-se não apenas com as vítimas como com os riscos que são enormes, quiçá existenciais. Se os decisores fossem gente com cabeça, talvez pudéssemos estar descansados, mas estamos a ver o que a Administração Trump está a fazer, tratando como perigosos adversários empresas como a Anthropic que querem manter um uso prudencial dos seus modelos de Inteligência Artificial.
Sou utilizafora amadora e muito limitada do Claude mas, como já aqui o referi, pasmo -- e deveria talvez escrever a palavra pasmo em maiúsculas ou a bold -- com as suas extraordinárias capacidades. É-me fácil imaginar o que se podem fazer com agentes Claude 'treinados' para agir de per se num qualquer domínio (na Saúde em diversas vertentes, na Segurança, na Ciência, na Gestão, na Economia e nas Finanças, na Engenharia, na Arquitectura, nas Artes e no Espectáculo, na realidade Fabril, no Ensino, na Justiça, etc).
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| Os empregos em risco face à IA |
Consigo perceber como, num futuro próximo, estaremos num outro mundo. E é claro para mim que quem não for capaz de se adaptar ficará para trás, soçobrará.
Aconselho vivamente o vídeo que aqui partilho. Está legendado. Diria que deveria ser visto do princípio ao fim (nem que seja para se perceber porque é que, no título, faço referência a um cavalo feliz). Mas todo o vídeo e interessante, diria que demasiado interessante para que se passe ao lado.
Por dentro da Anthropic, a gigante de IA de 965 mil milhões de dólares
Emily Chang reúne-se com os cofundadores da Anthropic, Dario e Daniela Amodei, para uma rara e aprofundada conversa sobre a história da startup, as suas batalhas com o Pentágono e como a empresa afirma que pretende priorizar a segurança na corrida de alto risco pela IA.
Aqui na versão reduzida

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