Estava com parte da família a ver o futebol, mas estava tudo morno. O meu marido, durante parte da segunda parte, foi dar uma volta. Os rapazes estiveram, a maior parte do tempo, em silêncio. Eu ia falando com a minha filha enquanto íamos olhando o ecrã mas parece que não se passava nada. Uma coisa quase sepulcral. Como não consegui prestar atenção, só posso dizer o que me parecia de cada vez que me focava no jogo: era como se houvesse uma suspensão, quase uma slow motion, quase como se toda a gente antecipasse que o caminho estava traçado. No início ainda imaginei que pudesse haver um bom desfecho. Mas, logo que me apercebi da marcha fúnebre, deixei de alvitrar.
Mal o jogo acabou, os rapazes levantaram-se em silêncio e retiraram-se. O meu marido insultou uns quantos e disse que por ele até é melhor: assim já pode ver o resto do mundial sem se enervar.
Tive pena mas tive muito mais pena ainda quando Cabo Verde foi eliminado. Os rapazes cabo-verdianos, esses sim, entregaram-se com uma alegria, uma genica, uma capacidade de luta e umas ganas de irem atrás de um sonho que foi tão contagiante que me agarraram e me puseram a vibrar com eles.
Quanto às notícias, o que tenho a dizer é que a cegada da avaliação dos exames é uma coisa sinistra. Como é possível que se lance um novo sistema, uma nova metodologia, sem tudo ser testado sob todos os pontos de vista: do ponto de vista técnico, funcional, de formação de quem vai usar (os professores) e de carga (todos ao mesmo tempo). Uma coisa tão transversal e com tamanho impacto só poderia ser lançada depois de resistir à lei da bala, não falhando um único ensaio. Aquilo a que se assiste é de um tal amadorismo, de uma tal inexperiência, de uma tal impreparação que até dói.
Tenho um neto à espera dos resultados para saber o que vai ser a sua vida. Ele e todos os outros nas mesmas condições, depois de tanto estudarem e de de saberem que estão num momento charneira das suas vidas, encontram-se neste limbo:
- no caso do meu: por um lado a selecção portuguesa -- segue ou não segue? (e, já se viu: não seguiu)
- e, por outro, a espera pelas notas: chegam ou não chegam para entrar onde se quer? Os exames vão ser avaliados ou não? E, se não conseguirem levar adiante a avaliação, em tempo útil, o que acontecerá?
A artista que vive na floresta
Há muito tempo que queríamos conhecer Maria, uma artista sueca que vive numa pequena casa de madeira perdida nas florestas da Suécia com o seu companheiro, Johannes.Juntos, recriaram um mundo mágico, fora da realidade e da lógica, onde vivem e trabalham. Maria recolhe a madeira que a floresta lhe oferece para a transformar em obras de arte, e vive desta atividade há mais de 30 anos.No entanto, o que pode parecer uma vida de conto de fadas esconde, na verdade, a fragilidade de uma floresta que precisa de ser defendida. Maria e Johannes optaram, à sua maneira, por lutar para a proteger.
Fran Lebowitz não tem smartphone, portátil ou filtro
A nova-iorquina Fran Lebowitz construiu uma carreira satirizando a vida moderna. Numa conversa acutilante e divertida com Benjamin Law, reflete sobre um mundo em turbulência, abordando temas que vão desde Trump às esposas tradicionais.Desde os seus livros best-sellers a participações em talk shows noturnos e ao filme Pretend It’s a City, de Martin Scorsese, tornou-se uma das vozes mais singulares dos Estados Unidos.Agora, em 2026, enquanto a democracia estremece e o caos político aumenta, Benjamin Law conversa com Lebowitz para lhe perguntar: como é que ela interpreta o que estamos a testemunhar em tempo real?
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