Vou ao supermercado e, quando vejo a conta, fico sempre espantada, a admitir que alguma coisa passou várias vezes ou com o preço muito errado. E, quando verifico, confirmo: aqueles preços estão todos errados, altos demais. De uma semana para a outra verifico que alguns produtos deram um salto. Não compro artigos de luxo ou desnecessários e, no entanto, a conta é exorbitante. Só penso nas pessoas com famílias grandes a seu cargo, nas pessoas com fracos rendimentos. A vida vai tornar-se mais difícil. Quando atestamos o depósito, o valor assusta. Poderíamos usar menos o carro, claro. É a recomendação inteligente da UE e de toda a gente que antevê o que ainda aí vem. Mas nem sempre os transportes vão onde queremos ou, se vão, podemos levar uma hora ou mais em mudanças de autocarro pois daqui não há transportes directos para os lugares que frequentamos habitualmente e, de carro, são quinze minutos. De qualquer forma, seria inteligente que o nosso governo começasse a fazer campanhas vigorosas para incentivar o uso de transportes públicos. Poderá haver uma altura em que, em algumas famílias, o comodismo terá que ser posto de lado em favor do equilíbrio financeiro.
O tema da inflação e do ajustamento das taxas de juro vai ser um garrote para muita gente e, tanto mais, quanto mais esta crise durar e, ainda mais, para quem tem compromissos bancários em curso. Ainda ontem, no texto que escreveu, o meu marido referiu que grande parte dos empréstimos bancários contraídos nos últimos tempos implicam uma taxa de esforço da ordem dos 40 a 50%. Aumentando a taxa de juro, ainda mais difícil será o dinheiro chegar para a prestação e para o resto. Já para não falar em que a maioria dos empréstimos entalam os contraentes até aos 70 anos. Um disparate. É com endividamentos assim que, de vez em quando, ao subirem as taxas de juro, rebenta a bolha imobiliária e muita gente fica apeada, sem casa.
Vamos ver como vai o governo ajudar as famílias. Para já, muito aquém do que Pedro Sanchéz fez.
Trump meteu-se numa ratoeira sem saber ao que ia. Um idiota à solta, cheio de poder e rodeado de idiotas lambe-cus é um perigo maior do que se pode imaginar.
Ao fim de um mês, dizem que está farto da guerra, que já não tem saco para aquilo. Era para ser uma excursão de poucos dias, chegava lá, atirava uns tiros, sacava o Ayatola, e já estava. Segunda obliteração. Agora, pelo contrário, percebe que aquilo está tudo ensarilhado, os generais a quererem explicar-lhe coisas... e ele sem pachorra. Não tem paciência para se manter muito tempo agarrado ao mesmo assunto, muito menos de gaitadas que dão para o tordo, fica furioso, enraivecido com os vídeos que os iranianos todos os dias soltam a gozar com ele, chamam-lhe looser, falam nas suas fraldas, riem das suas mentiras ridículas. Ora ele não quer ouvir isso, quer é falar do salão de baile ou pôr-se, velhacamente, a caminho de Cuba ou mostrar o projecto megalómano da agora inventada torre-biblioteca Trump em Miami.
Entretanto, para ver se pega, e junto dos broncos da MAGA pega com certeza, agora diz que já mudou o regime, que já matou uma rodada deles, depois outra rodada, que já não há lá ninguém que mande e que já obliterou a armada, a artilharia, a aviação, tudo obliterado. Todo um regime que, segundo ele, já foi à vida. E que também não precisa do Estreito de Ormuz para nada, quem precise de petróleo que lá vá buscá-lo, que ele se está bem a caguar para isso (note-se: caguar, com u, que sou moça fina). Portanto, por ele está feito. Só que não.
Só que vai ter uma surpresa: os iranianos vão deixar barato o estrago que ele fez. O que ele destruiu levará anos a ser reconstruído. E, depois, o fluxo de mercadorias, incluindo o petróleo, foi interrompido de forma crítica. Vai levar tempo a repor a normalidade da situação. E depois há as mortes que o Irão já anunciou que vai querer vingar. Mártires para serem vingados é o que agora não falta.
E depois, ao mesmo tempo que dá mostras de se querer pirar de qualquer maneira, Trump, só para baralhar um pouco mais, ameaça que vai praticar toda a espécie de crimes de guerra, destruindo instalações indispensáveis à vida.
Ou seja, não há dia em ele não prova à saciedade que é um idiota que alguém deveria enfiar numa camisa de forças e levá-lo, à força, para uma qualquer casa de doidos.
Antes desta estúpida ofensiva do idiota Trump, o Estreito de Ormuz estava aberto, os mercados estavam estáveis. Depois de milhares de mortes e de uma destruição tresloucada, tudo se estragou. Foi o que o idiota conseguiu.
E depois há Israel. Netanyahu sabe que andou a cutucar a fera com vara curta. O que fez, vai sair-lhe caro. Israel vai querer fazer ao Irão o que está a fazer em Gaza e ao Líbano, varrer tudo, não deixar pedra sobre pedra. Quem é que o vai parar?
Pode ser que um punhado de pessoas inteligentes e bem intencionadas, decentes, não corruptas, não egocêntricas, se junte e engendrem uma solução de compromisso para tentar recompor minimamente o que foi tão estragado. Não estou a ver bem quem, como, quando. Mas era bom.
Seja como for, numa salganhada destas, com um caldo entornado desta boa maneira, vai levar muito tempo. E há muitos danos colaterais. Por exemplo, a Rússia a ganhar pipas de massa com o aumento do preço do petróleo fica com folga orçamental para continuar a massacrar a Ucrânia. Ou Israel, no meio desta confusão toda, aproveita para se radicalizar ainda mais, voltando à pena de morte, desta vez selectiva. Uma cambada desencabrestada.
Pasmamos com tudo isto pois, pelo menos eu, na minha inocência, sempre julguei que as democracias tinham mecanismos de defesa. Não têm. Em pouco tempo, Trump demonstrou que pode fazer o que quer sem que ninguém o consiga impedir.
Tal como Putin o fez. Tal como Netanyahu. Fazem o que querem. O mundo assiste, impotente. A democracia é frágil. Não é um bem adquirido. Tem que ser regada, alimentada, cuidada, protegida, defendida.
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Mais uma vez, Joanna Coles conversa com quem conhece por dentro a sociedade e os meandros do poder americano, David Rothkopf. É muito interessante e elucidador ouvi-los. Com a graça de que, como inteligentes que são, têm um sentido de humor delicioso.
Recomendo, vivamente, que vejam o vídeo.
Eu sei porque Trump continua a cometer erros: Rothkopf | Podcast do The Daily Beast
David Rothkopf e Joanna Coles analisam uma semana de crescente tensão global e caos político, desde protestos em massa nos Estados Unidos à perspectiva muito real das tropas norte-americanas em solo iraniano, enquanto os especialistas alertam que a situação pode agravar-se rapidamente. Rothkopf oferece uma avaliação mordaz do estilo de liderança de Trump — guiado pela perceção em detrimento da estratégia — enquanto Coles destaca os riscos de rodear o poder de inexperiência e ego. Juntos, ligam os pontos entre a história, a realidade militar e as decisões perigosas que se desenrolam em tempo real, expondo porque é que as ameaças isoladas raramente funcionam e como este momento pode remodelar o papel dos Estados Unidos no palco mundial. É uma conversa perspicaz, com um humor ácido e profundamente sóbria, que culmina numa conclusão arrepiante sobre o que pode acontecer a seguir.
Como o vídeo é um pouco longo, caso queiram ouvir alguns pontos em específico, deixo o link (nos minutos) para esse ponto, directamente no youtube.
00:00 - Abertura Brutal: “Gabinete de Idiotas”
03:03 - Protestos Massivos e um Alerta para a Democracia
06:08 - Porque é que a Democracia é “Um Verbo”
08:02 - Trump, a Verdade Social e as Ameaças do Irão
11:05 - O Perigoso Plano do Urânio Explicado
14:45 - Porque é que os Especialistas Temem uma Guerra com o Irão
18:04 - Corrupção, Acordos e Questões sobre Kushner
21:05 - Religião, Guerra e a Controvérsia de Hegseth
24:17 - Porque é que Trump Promove a Incompetência
27:03 - Trump é Realmente Estratégico?
30:30 - O caos no FBI e o ataque hacker a Kash Patel
33:06 - "Vermes Cerebrais" e críticas ao Gabinete
35:12 - Riscos Globais e o Estreito de Ormuz
36:41 - Americanos reais a sentir o impacto
39:04 - Sinais de alerta económico aumentam
41:15 - China, IA e os EUA a ficarem para trás
42:34 - A expansão extravagante da Casa Branca de Trump
45:10 - Bilionários, poder e influência
47:19 - A vida depois de Trump: o que se segue
49:09 - Agradecimento aos ouvintes e comunidade
50:43 - Porque é que este podcast ressoa
51:24 - Considerações finais e o que vem aí
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Desejo-vos um dia bom