Coloco-me objectivos impossíveis. Tinha-me atribuído uma pausa, tinha pensado que ia aproveitar o hiato para organizar coisas. Mas odeio compilações, arquivos, listas. Sou mais dada a criar do que a arrumar.
Portanto, andava a autoconvencer-me que estava a fazer uma coisa muito útil mas a minha natureza estava danadinha para me tirar o tapete. Temo isto. Sei que ela fica de tocaia, à espera que alguém lhe dê o pretexto. Posso até ser eu, incauta.
E foi o que aconteceu.
Lembrei-me de ir ver: deixa cá ver se há por aí alguma coisa...
Já antes tinha visto e, toda eu racionalidade, tinha desvalorizado. Coisa para pardais. Not for me.
Mas está bem, está. O milho ficou a germinar dentro de mim.
Até que no outro dia, às minhas escondidas, fui conferir. Fui só por ir (faço de conta que me estou a deixar enganar). E, ao lá chegar e ver, voltei a pensar: não faz sentido e, além disso, já não há tempo.
Mas, quando a coisa assume contornos de missão impossível, o meu lado amalucado entra em acção. Felizmente nunca me deu para ser moça-forcada. Pego-os de frente, pelos cornos mas só de forem metaforizados. Sou maluca mas não sou parva...
E então atirei-me ao bicho. Mas uma coisa é querer, outra, bem diferente, é ser capaz de.
Andei uns dias a capinar sentada. Dei no duro mas não acontecia nada. Mas é aquela coisa: não desistir, estar a postos para quando a coisa se der.
E deu.
Só que, se já era apertado, agora ainda mais. Ou seja, neste momento não sei se vou conseguir. Não sou uma máquina em que se possa carregar um botão e as palavras desatem a aparecer. Precisava de mais tempo para que a maturação pudesse acontecer nos seus tempos naturais. Mas, por algum motivo que alguém -- que não eu -- talvez consiga esclarecer, parece que gosto de funcionar sob pressão, estando até às vésperas sem saber se vou ser capaz. Mas confiante de que, querendo muito ser capaz, haverei de sê-lo.
Se calhar não percebem de que é que estou a falar. Mas não posso dizer. Ou melhor, não quero. Não sou supersticiosa mas não gosto de falar nas coisas antes de as coisas serem.
Portanto, deixemo-nos de flaflus e deslizemos para lugares brancos em que o talento é inquestionável.
O recomeço do fim do livro....
ResponderEliminarA.Vieira
Ou o começo de um novo...?
ResponderEliminarDe qualquer modo fica-se á espera !
ResponderEliminarA.Vieira
Assim consiga arranjar um editor que queira apostar numa ilustre desconhecida, uma outsider em relação ao mercado literário...
ResponderEliminarQuem espera sempre alcança. Contínuemos esperando. Ate amanhã
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