Critiquei há dias o Henrique Machado pela defesa bacoca que fez do Luís Neves. Para meu espanto, ouvi ontem o Fernando Medina, na mesma linha, a defender, de forma ainda mais incoerente, o Luís Neves. Então o Medina, talvez o político mais "apertadinho" cá do burgo, vem dizer que o Luís talvez tenha cometido um errito ou dois mas fez o que a maralha geralmente faz e que aquilo de haver uma única empresa a trabalhar para a PJ era por questões de segurança.
Vamos lá ver se nos entendemos e não atiramos poeirada para os olhos da maralha.
Se o Luís Neves pode construir em zona protegida, pode pagar (se é que pagou, não apresentou provas) ao empreiteiro de forma informal, se pode não entregar declarações de rendimentos (só porque sim), se pode desrespeitar as ordens do MP, se pode alegar desconhecimento da lei para praticar irregularidades (quiçá ilegalidades), se pode transformar tanques em piscinas num fim de semana (que argumento ridículo, ainda por cima esqueceu-se de que também lá tem deck e da piscina de apoio), se não licenciou as obras (a propósito, o tanque também deveria ter sido licenciado), então qualquer um de entre a maralha pode fazer o mesmo, e não vale a pena vir cá chatear a malta com essa coisa chata do cumprimento da lei.
E será que o Medina pensa (claro que não pensa) que só há uma empresa a fazer obras para a NATO, a PSP, a GNR, a Marinha, o Exército e a Força Área?
O que acontece é que existem concursos públicos e, se as questões de segurança forem relevantes, só podem ser consultadas empresas credenciadas.
Já agora, com que fundamentos é considerada a empresa do amigo do ministro suficientemente segura para trabalhar na PJ?
Que os argumentos do Medina não têm fundamento e são poeirada é fácil de perceber. Mas o porquê desta defesa tão despudorada do ministro é que é para mim uma incógnita.
A tese de que o Ventura tem um ódio de estimação pelo Luís Neves devido às afirmações sobre a não relação da segurança com a imigração e à perseguição da extrema direita serão, provavelmente, verdade. Mas se o Luís Neves tivesse seguido as boas práticas não estava metido em trapalhadas, irregularidades e, talvez, ilegalidades.
Só mais uma questão. Já alguém viu a proposta dos 150 mil euros para destruir os produtos químicos? E tendo sido "um extraordinário acto de gestão" mandar os barris para lá do sol posto para poupar o erário público, o Luís Neves estava a pensar posteriormente mandar os produtos para a sarjeta para não ter que gastar dinheiro? Os jornalistas podiam fazer algumas perguntas mais incisivas.
Nota: também o Miguel Sousa Tavares fez hoje uma defesa acalorada do Neves. Borrifando para as irregularidades assumidas pelo ministro (parece que o simplex ético do Montenegro está a fazer escola), não tocando em alguns "pormenores" e desvalorizando o comportamento do Neves, tentou limpar o Luís.
A ética democrática que vá para as urtigas -- ou será que o Miguel também tem uma empresa tipo Spinumviva para meter as despesas e pagar menos impostos?
Mas há uma coisa que deve fazer antes de emitir doutas opiniões: é informar-se. O chorrilho de disparates ao desvalorizar os riscos inerentes ao armazenamento (de produtos químicos, não nos esqueçamos - e dos perigosos) só é comparável à sobranceria com que emite opiniões. Qualquer engenheiro químico ou responsável de uma fábrica ou de um armazém de produtos químicos o poderá elucidar para ele perceber as burrices de que enfermaram as suas opiniões.
Miguel, uma perguntinha: se houvesse um incêndio no armazém do construtor, os bombeiros teriam condições para o combater (note-se que o próprio amigo do ministro informou não haver qualquer documentação relativa aos produtos químicos) ou seria uma catástrofe? A Proteção Civil saberia como agir?
Sei que o Miguel ganha a vida a botar faladura mas ao menos informe-se sobre o que não sabe.
PS: Quem esteve bem no Eixo do Mal foi a Clara Ferreira Alves -- informou-se antes de opinar, foi factual, foi incisiva e falou correctamente. Por isso, desta vez, chapeau.
Deus caritas est!
ResponderEliminarDies irae; diria.
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Quantus tremus est futur
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Ne me perdas illa die