domingo, maio 31, 2026

Será que só eu é que ignorava o significado de GRWM?

 

De manhã deu-me uma ideia. 

(E reparem no verbo. Eu disse: 'deu-me'. As ideias são coisas que, volta e meia, me dão.) 

Já contei que isto de uma pessoa agora comer muitas vezes em casa é coisas que tende a desgastar a imaginação. É relativamente frequente eu não fazer a mínima ideia do que fazer e, quando pergunto ao meu marido o que quer para o almoço ou jantar, ele dar a resposta mais enervante possível: 'O que quiseres'. É que, justamente, não quero nada, não faço a mínima, já esgotei as receitas do meu reportório. Tudo déjà vu, déjà-mangé. 

Pois bem. Ontem o meu marido tinha sugerido uma coisa, mas foi uma daquelas sugestões com ponto de interrogação na ponta: pizza?

A falta de assertividade dele quase me contagiou, mas, enfim, face à falta de alternativas, disse que sim. Aquelas feitas em forno de lenha com alcachofras e presunto, por exemplo, sabem sempre bem. Portanto, que seja.

Mas acontece que acordei com uma ideia: ir aos pastéis de massa tenra. O meu marido reagiu: 'Não se pode dizer que fique em caminho'. Uma falta de entusiasmo que quase me desmoralizou. De facto, não se pode dizer que fique do outro lado da rua, mas não era mais entusiasmante que pizza. Mas a verdade é que a ideia fez o seu caminho dentro dele e acabou por dizer que sim. 

Montanhas de gente. Aquela casa é uma máquina de fazer dinheiro. Literalmente -- é que na Frutalmeidas não aceitam cartões. Tudo el contado

Quando lá chego, apesar da barafunda quando se vai à hora de almoço, a verdade é que perco a cabeça. Pensei: vai mas é em dose dupla, almoço e jantar. Trouxe os ditos pastélios, 3, trouxe 2 ovos verdes, um pastel de espinafres, 2 croquetes e um rissólio de camarão. E, embora não fosse a intenção, olhando para o lado, não pôde deixar de ser: uma fatia de tarte de maçã e uma de requeijão. Tudo uma delícia.

Para contrariar as frituras, fiz um arroz de legumes e acompanhámos também com salada de alface e rúcula. E, por cima do bolo, ou seja, a seguir, uns morangos.

Soube-nos pela vida.

De tarde, estive a regar e se há coisa que eu gosto de fazer é de regar. Não sou perdulária em nada; pelo contrário, sou poupada, ponderada. Mas no que se refere a água, se for para lavar ou para regar, facilito. O cheiro da terra molhada, oxigena-me a alma. E ando descalça, molho os pés, sabe-me tão bem. Pelo meio, sempre que passo por debaixo de uma nespereira, alço a mão e lá vai mais uma. Doces, doces que só visto. 

O meu marido, quando me vê a despachar nêsperas, não consegue deixar de manifestar a sua censura: 'Não te parece que estás a exagerar?'. Geralmente não respondo pois entendo que a pergunta é retórica.

A verdade, é que à conta disso, jantei quase nada, as nêsperas tinham-me alimentado bastamente. 

Entretanto, estive a ler as notícias e não vi nada de muito interesse, excepto uma altamente promissora, animadora, espero bem que comprovadamente extraordinária: umas injecções fantásticas estão a dar cabo de alguns cancros. E eu não atiraria foguetes se isto não fosse notícia de destaque no Guardian. Falam em respostas sem precedente em doentes em que a quimio e a radioterapias já não estavam a resultar. Isto é uma muito boa notícia. Aos poucos, um pouco por todo o lado, o cerco ao cancro vai apertando e os resultados começam a ser animadores. Felizmente. 

E, para aliviar do resto das notícias (Irão vai, Irão vem, Ormuz sim, Ormuz sopas, Gaza e Líbano feitos  num oito -- um desatino pegado), desandei para o Insta, a caixa de todas a surpresas. 

Para além das coisas mais ajustadas à minha vibe, volta e meia o Insta testa a minha coerência infiltrando algo de disparatado. Desta vez, apareceu-me uma mulher a sair do banho, a pôr cremes na cara, no corpo e no cabelo, a maquilhar-se, a fazer caracóis, depois a desmanchá-los, depois a perfumá-los e por aí fora, todo um filme em que ela ia reportando os seus actos, depois fingindo que desconstruía o que dizia, rindo e querendo fazer parecer que não se levava muito a sério. Mas claro que se leva, senão não se filmava a fazer aquilo, não é? Provavelmente acha que pode servir de exemplo, quiçá de inspiração. Na volta, é uma influencer. Não sei. Não fixei o nome dela pelo que agora não consigo ir mais longe nesse capítulo. Contudo, uma coisa chamou a minha atenção. No canto do vídeo, umas letras em maiúsculas. Fiquei a pensar que não era a primeira vez que via aquelas letras. Lenta como sou, só hoje me tocou a campainha. Fui então pesquisar. GRWM. 

Como não guardei a cena, agora, para ilustrar este post,
 pedi ao ChatGPT para remediar  a minha falta

E lá está. Nem mais. Existe e tem significado. Get Ready With Me. Claro. E, uma vez mais, não sem uma certa perplexidade, constatei que há toda uma nova cultura que eu desconheço. Pelos vistos todas estas mulheres que se filmam a pentear-se ou a vestir-se ou a maquilhar-se dominam esta cultura. Nestas alturas, sinto-me ignorante. Mas, enfim, hoje já aprendi esta: GRWM. 

E, ainda no capítulo do submundo, outra coisa que me divertiu foi o Trump não estar a arranjar artistas para participar na festarola que está a organizar e em que mistura o 250º aniversário da independência com o seu aniversário. Os que tinham dado o sim estão a bater em retirada. E ele, tresloucado de raiva, não tem feito outra coisa senão fazer posts em catadupa. Sempre quero ver. Alguns pimbas há-de conseguir arranjar, nem que seja à força, ou nem que peça à Sic alguns contactos dos que costumam comparecer no Domingão. Palpita-me que vai ser todo um número de comédia. Na privacidade da sua casa, quando pode despir aquele seu ar institucional, o que o Xi Jinping deve esfregar as mãos, enquanto se rebola a rir....

Trump, Putin, Kim Jong Un, Netanyahu... É o que dá o mundo estar nas mãos de malucos, ainda por cima do tipo de malucos que são perigosos.

E, por hoje, é isto. 

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Desejo-vos um belo dia de domingo

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