sábado, maio 30, 2026

14 anos...? A sério...?

 

Havia aquela pergunta clássica nas entrevistas de antanho em que se perguntava ao entrevistado o que gostaria que, em si próprio, fosse diferente. Dantes eu achava que, se me perguntassem isso a mim, se calhar dizia que estava bem como estava, não mudava nada. E isto não porque me achasse o suprassumo da espécie mas porque me aceitava, incluindo as minhas imperfeições. E não estava para perder tempo a pensar se seria melhor medir mais dez centímetros de altura, ter um nariz mais afilado, ter um peito copa XL, ter uma cinturinha de vespa, umas ancas a la Kardashian, etc. -- até porque, se quisesse mesmo isso (e caraças, claro que não quero!), abria os cordões à bolsa e tratava do assunto.

Mas hoje já responderia que gostava de cantar bem. Entre outras coisas. Mas cantar bem seria um daqueles privilégios de que os que o detêm talvez nem se apercebam. É um dom. Gosto tanto de música e, no entanto, há uma total dessintonia entre o que a minha cabeça quer fazer e a forma como se materializa. Aliás, é questão que nem se põe pois, de forma geral, nem sequer me ocorre cantar, já sei que sairia do tom. Provavelmente, por isso também nunca tive facilidade ou apetência em tocar qualquer instrumento musical. 

Quando andava na infantil, a professora bem tentou ensinar-me piano. Tocar eu tocava, mas sem entusiasmo, sem interesse. De resto, ela era tão exigente, tão autoritária que, na volta, a dessintonia nasceu aí. Ainda me lembro que, todos os dias, de manhã, nos colocávamos todos de pé a cantar, e uns com ferrinhos, outros com pandeireta, interpretávamos cantiguinhas infantis. Era sempre uma seca para mim. Gostava de escrever, de fazer contas, de aprender francês, de dançar, de fazer plasticinas ou barros, de fazer construções com cubos de madeira, de andar a caçar formigas. Agora cantar e marcar o ritmo e mais não sei o quê, que coisa mais chata, com a professora sempre a interromper e a corrigir.

Mas veja-se esta criança aqui abaixo. Uma menina. Tímida, uma vozinha de menina pequena, ali nervosa naquele palco enorme, de frente para um auditório repleto e ruidoso. E, no entanto, abre a boca e algo de extraordinário acontece. A menina transforma-se noutra coisa, passou a ser a portadora de um vozeirão, uma voz que parece que não provém daquele corpinho infantil. E com que emoção ela canta...

Lai Noelle  -- Golden Buzzer -- AGT 2026

Os jurados esperavam uma audição nervosa da cantora Lai Noelle, de 14 anos… e depois ela apresenta uma das performances vocais mais incríveis de SEMPRE com a sua interpretação de "Die On This Hill", de Sienna Spiro! Simon Cowell aperta o Botão Dourado, dando início a uma noite histórica com TRÊS Botões Dourados num só episódio; a primeira vez que acontece no America's Got Talent!


Desejo-vos um belo sábado

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