Tenho dificuldade em perceber como é que comentadores que me parecem razoavelmente honestos defendem de forma obstinada o Luís Neves.
Já percebemos, como o próprio admitiu, que não cumpre os procedimentos, actua provavelmente de forma ilegal e as notícias vão dando conta de que mente com quantos dentes tem na boca. Temos, portanto, um conjunto de valências de excelência para se ser ministro -- e, no entanto, gente como o Fernando Medina, o Nuno Artur Silva, o Miguel Sousa Tavares, o Miguel Roque e outros que tais acham que é coisa menor um ministro actuar segundo uma lei própria, de forma opaca e, quando escrutinado, pelo que à posteriori é divulgado, descobre-se que que mentiu descaradamente.
De facto, o nível exigido a um político baixou drasticamente desde a Spinumviva, mas não pensei que fosse possível chegarmos a este ponto. Já tinha ouvido o Sousa Tavares dizer que tinha aprendido a nadar num tanque como se isso justificasse a construção da piscina pelo ministro. Ouvi o Medina referir que provavelmente só havia uma empresa a construir para a PJ por questões de segurança como se fosse a única bolacha no pacote e o Miguel Roque mencionar que não interessa nada essa história do Neves ter um Mercedes de luxo e justificar o Golf por questões de poupança com qual é o problema?
Argumentos mais cretinos são difíceis. E, no entanto, ainda é possível pior. O Santana Lopes disse que situaçoes destas são mais de 100 e que até conheceu ministros que conduziam Porsches. Pelos vistos é tipo self service. Cada um vai aos depósitos de apreendidos e escolhe o carro que quer. Inacreditável!
Ocorreu-me se farão o mesmo com os Rolex ou com colares de diamantes. Mandam buscar, usam e, depois, devolvem? Será de escrutinar? É que isto é cada cavadela, sua minhoca.
E, com isto, o Ventura vai cantando e rindo.
A metáfora do self-service de luxo no depósito de apreendidos é perfeita para ilustrar o anestesiamento a que fomos chegando.
ResponderEliminarO problema nem é apenas a ligeireza com que se encara a legalidade ou a transparência — é a ginástica mental de quem comenta para justificar o injustificável. Quando a defesa de um responsável público passa por "sempre se fez assim" ou "havia quem andasse de Porsche", o debate institucional morre e passa a ser apenas complacência.
Se o critério para a conduta ética passou a ser a comparação por baixo, a fasquia já não está no chão: está enterrada. E sim, quem ganha com este espetáculo de desenvoltura institucional e argumentos empoeirados já todos sabemos quem é.
Totalmente de acordo, Daniel. Muito bem dito.
EliminarAo que li há procedimentos que permitem tal coisa. Apreendido não é confiscado. Até decisão do tribunal o proprietário continua a ser o mesmo.
ResponderEliminarMais estranho são os 150 mil para a destruição do material que a PJ não tinha dinheiro para pagar. Afinal de contas talvez não chegasse a 10 mil e quem pagava não era a PJ mas o Ministério da Justiça.
Fora o que foi dito sobre a galera. Afinal não era uma mas sim quatro e só uma foi parar ao Minho. Com a agravante de ter lido que teriam mexido no que lá estava sem se saber o que estava efectivamente lá, pudicamente sob o véu químicos.
Em todo o caso o PR já deu sinal de que era tempo de o homem se pôr a andar. Tarde ou cedo vai ter guia de marcha.
À medida que se vai destapando, mais inconsistêncas se vão detectando, mais irregularidades e coisas mal explicadas vão aparecendo. Que tem que zela pelo cumprimento da lei não pode ser o primeiro a fazer leituras liberais, não pode dizer que passa por cima de regras e que faz o que lhe dá na gana. Que exemplo é esse?
EliminarA questão Luís Neves, é um caso interessante que permite interpretações diferentes em pessoas politicamente muito próximas, e ainda bem que assim é. Ainda que levianamente, quando há um interesse do Chega, eu, sem o conhecer minimamente, digo logo, estou contra. O caso Luís Neves, é daqueles casos que do ponto de vista lógico, todos dizemos: o Luís não devia ter feito ainda que não seja crime de lesa-pátria. Só que, e aqui é que está a porra da controvérsia, este caso é sobretudo político, repito, político e até arruaceiro.
ResponderEliminarConsiderar, e defender a saída de Luís Neves de ministro, é preocupante para a democracia quando a pretexto de lana-caprina, se permite que forças reacionárias, fascistas diria mesmo, utilizem o pelourinho para esmagar pessoas independentemente de culpadas ou não.
Considerar e defender a saída do ministro, é permitir que a judicialização com claro apoio dos média destituam políticos legitimamente eleitos independentemente da ideologia assumida desde que respeite as regras constitucionais.
Considerar, que o ministro tem de sair antes da inspeção ao sucedido, é dar razão ao mundo jornalístico assalariado, e avençado –mulas do tráfego politico e económica neste país--dos grandes interesses económicos valendo tudo, desde a arruaça, a intriga, a vil acusação de coisas efetivamente não correspondidas na realidade, a perseguição com apanhados da vida real feito por essa casta de mal feitores jornaleiros profissionais do crime de intromissão na vida privada com o apoio das forças que os devia punir e não usar. Enfim…
Os democratas deste país, deviam estar avisados para o ataque mais vil, e soez que com esta direita está a ser feito a todos os níveis na sociedade portuguesa ás conquistas democráticas há muito assumidas e agora postas em causa com esta direita revanchista e retrógrada no burgo.
Alinhar, independentemente do que venha a ser conhecido do caso Luís Neves, com a armadilha da direita, é pactuar com o ataque á democracia feito por forças que convivem mal com direitos humanos.
Agora, o direito há diferença opinativa é indispensável no convívio democrático. Cada um com o seu, ninguém fica enganado.
Ccastanho, respondo eu que, a esta hora, o meu marido já dorme. De qualquer forma ele leu o seu comentário e, de certa forma, a 2ª parte do post que ele escreveu e que acabei de publicar, mostra o que ele pensa. E eu penso o mesmo. Há uma coisa que é ética, em particular a ética republicana. Há que respeitar a lei, há que mostrar que se está ao serviço do povo, há que mostrar que se respeita a lei, que que honrar a verdade. E o Luís Neves, ele próprio, tem mostrado que tem alguma dificuldade em seguir a lei, os procedimentos legais, em ser verdadeiro. Não estamos a falar de crimes, não estamos a falar por aguardar julgamentos. Estamos apenas a falar do comportamento assumido pelo Neves. Um chico-esperto, um desenrascado, pode ser assim. Um ministro não pode, Tão simples quanto isto. Estar a defender isto é mostrar que se tem dois pesos e duas medidas. Um democrata verdadeiro, alguém que honre a ética republicana, não pode ter dois pesos e duas medidas. Eu não tenho. O meu marido não tem.
EliminarQuem é capaz de umas vezes criticar comportamentos dúbos e noutros casos fechar os olhos está a servir de bandeja um belo pratinho ao Ventura.
Foi essa mesma “ética republicana “ que permitiu a Sócrates viver à custa do cofre do vulfrâmio que a mãe tinha em casa!
EliminarCaríssima UJM.
ResponderEliminarPonto de ordem à mesa. As duas perspetivas sobre o caso Luís Neves, têm sustentabilidade retórica, e ambas, respeitáveis, evidentemente. Ponto.
Falar de ética republicana para o caso Luís Neves, claro que é uma exigência democrática, como nos parece, evidente. O problema é que se está a exigir “ética” ao ministro, e não se exige a Montenegro.
Não se exige ética republicana ao povo português que vota maioritariamente direita e extrema-direita, branqueando “essa ética agora exigida a Neves, quando a mesma não aplica ao primeiro-ministro. E aqui, incluo o PR Seguro de que tem duas medidas de exigência.
Não se pode exigir ética a quem tem umas nuances- volto a dizer: de lana-caprina—e aos banqueiros deste país, que nomeiam e controlam os governos desde há imensos anos com seus quadros como ministros colocados estrategicamente para benefícios próprios.
Não se pode exigir ética para um ministro, e não denunciar” fundações de grandes grupos económicos “que pagam a assalariados ditos jornalistas de topo nas várias gestões dos média, e como assalariados desses grupos formatarem os seus interesses de grupo a troco de alvissaras.
Já sou velho, e a velhice, mostrou-me quanto estava enganado ao longo da minha irreverência na utopia do homem novo. Não há homens novos.
Caro Albino, não me diga que faz parte do grupo de fãs, obcecados pelo Sócrates... O homem não lhe sai da cabeça, é isso...? E a mãe dele tinha vulfrâmio em casa? Isso é o quê? Nunca ouvi falar de tal coisa...
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