terça-feira, agosto 25, 2026

Breves e desnecessárias

 

Hugo Soares, o gémeo siamês do Mentenegro, unha com carne, farinha do mesmo saco, amigos inseparáveis na saúde e na doença, cola Carneiro ao Ventura. Tem graça. E tem ainda mais graça por esta piada ter sido proferida na universidade de verão do psd, universidade esta de onde parece que nunca saiu nenhum doutor

Vi vários vídeos com corridas de humanóides. Correm que se fartam. Parecem meio descojuntados, quase não têm cabeça, nem precisam dela, e, no fim, atiram-se conta uma parede, escaqueiram-se todos, alguns até deitam fumo de tão queimados estão. Nas bancadas, outros descerebrados aplaudem.

Vi que no Porto foi encontrada uma mala com cerca de um milhão e meio de notas falsas. A jornalista disse, com ar normal, que ainda ninguém tinha reivindicado a sua posse. Não seria de pôr alguns destes jornalistas também a fazerem corridas?

Quando foi à veterinária, devido à piodermite no rabo (do cão, não no meu), ela rapou todo o pelo dessa zona do animal pois só assim conseguia ver e tratar a desgraceira de feridas que para ali estavam. Mas, por consideração, deixou um grande tufo na ponta. Parecendo que não, sempre compunha. Acontece que, pelos vistos, tinha feridas também na extremidade. Como eu não conseguia tirar as pequenas crostas que estavam emaranhadas nesse tufo, resolvi que para grandes males, grandes remédios: cortei o tufo. Agora o pobre coitado parece um alien com um funil na cabeça e uma salsicha espetada e depenada em vez de cauda. Está muito surreal, distorci-lhe a aparência. Só espero que não lhe afecte a personalidade.

À noite, quando fomos caminhar, vimos, no outro lado da rua e indo em sentido contrário ao nosso, um grande grupo de pessoas, talvez perto de vinte. Percebemos que eram de várias idades e que iam conversando. Não sei se seriam todas da mesma família ou do mesmo grupo de amigos, ou se algumas pessoas avulsas e desconhecidas se lhes juntaram. Pensei que era uma ideia com piada, as pessoas juntarem-se a quem passa e irem conversando, fosse do que fosse. Mas não dá para me juntar sem saber se faz sentido, não é? Imagina que vai uma família, na boa, e lhes apareço eu feita penetra, armada em espírito livre, estou aqui para partilhar ideias e sentimentos. Quem me garante que não se calam todos, acagaçados, temendo estarem a correr sérios riscos de eu ser uma doida varrida ou uma bandida à caça de rolexes?

Também à noite ouvimos pássaros que nunca antes tínhamos ouvido. Escandalosos, barulhentos. Não eram corujas, que essas são discretas, podem falar alto, mas é uma fala monocórdica, piuuuuuu, piuuuuu. Estes não, uma conversa variada, colorida, coisa de pássaros garridos ou bem bebidos em festas populares. Não faço ideia de qual a sua aparência mas, com aquela cantoria à desgarrada, devem ser passarões de olho encarnado e de garrafa de vodka na asa.

Agora, quando posso, faço uma coisa: depois de almoço, deito-me em cima da minha cama. Estores para cima, vidros basculantes. O quarto cheio de luz, a aragem a fazer ondular os cortinados. Ao fim de poucos instantes estou a dormir. E, ao fim de poucos minutos, chegam mensagens ou telefonemas e interrompem-me a sesta. Uma malapata. Mas, apesar de curta, a sestinha é sempre boa enquanto dura. Quando andava na escola infantil, e andei a partir dos quatro anos, todas as tardes as cortinas da grande sala eram fechadas, uns colchões eram estendidos no chão, no inverno junto com o colchão estava um cobertor, e tínhamos que dormir a sesta. Imposição sem margem para protesto. Nunca consegui. Nunca. Ficava cerca de uma hora a olhar para os outros, a tentar descobrir formigas, a pensar no que iria fazer no recreio, a imaginar quanto tempo faltava para acabar aquela estopada. Agora, nada me sabe tão bem quanto deitar-me à fresca e em plena luz, a dormir a sesta.

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