Este domingo, um dia tão lindo, apanhei um susto enorme: o meu cãobeludo estava com uma bola enorme, no mínimo do tamanho de um ovo, na 'barbela' ou lá como se chama aquela parte da pele do pescoço, ali naquela zona abaixo do queixo, uma bola grande ali pendurada. Sempre fui maricas com os meus e, desde que tivemos a nossa cãzinha, ela, de certa forma, passou a fazer parte dos meus. E este cão, que nos tem dado tantos trabalhos, também o é. À sua maneira, mas é. Claro que fui logo para a IA e recebi possibilidades, umas assim-assim, outras talvez e outras mais perturbadoras. Uma bola tão grande não era forçosamente muito tranquilizante. É que foi tosquiado no fim da semana (para evitar mais sarilhos com a porcaria das praganas, que ainda há três ou quatro dias saiu de uma infecção numa pata por causa de uma) e, portanto, poderia já a ter e não termos visto, debaixo de todo aquele pelo. Nestas alturas a minha energia esvai-se. Não são só as piores perspectivas que me assustam, é todo o processo, o levá-lo ao veterinário que ele odeia, o ter que fazer tratamentos que ele odeia e não permite, transformando tudo numa complicação, e é, sobretudo o receio do que pode seguir-se. Felizmente, lembrei-me de perguntar ao grupo da família, e no sábado tinham cá estado todos, incluindo a fazer-lhe festas, se tinham reparado. A minha filha respondeu logo que não, e mandou fotografias que lhe tinha tirado: zero bola.
Já tinha marcado consulta, mas a certeza de que todo aquele volume se tinha formado em menos de 24 horas assustou-me. Liguei à veterinária que me disse que provavelmente era uma reacção às vacinas que levou no mesmo dia. Que lhe fizesse massagem circular ao de leve. A verdade é que, depois de ter estado o dia todo sem se mexer, sem comer ou beber água -- o que nos deixou ainda mais apreensivos --, de repente, parece que despertou, bebeu, bebeu, bebeu água como se não houvesse amanhã, comeu, correu, correu e saltou e, aos poucos, com o exercício e as massagens, a bolazona foi ficando mais reduzida.
Portanto, ao fim do dia, comecei a respirar de alívio.
Fui, então, para o jardim, respirei, fotografei, agradeci aos deuses, às flores, às árvores, aos pássaros, aos céus e, no meio do encantamento, descobri um botão de magnólia. Um único. Outro fenómeno.
Quando está com os ramos nus, a magnólia rebenta em mil flores. Depois caem as flores e nascem as folhas. Está agora assim, verde, frondosa. E já não nascem mais flores. Portanto, que milagre é este agora eu não sei. Mas adorei. Fotografei-a de vários ângulos. Há que documentar os milagres.
E o passeio que demos ao fim do dia soube-me que nem ginjas. Antes, quando tínhamos ido andar com o pobrezito, arrastava-se, incomodado, aquela bolazona ali a balouçar, pendurada, e, se calhar, todo ele sob efeito de alguma reacção, sei lá, bem não estava.
Enfim, parece que o susto já passou. Mas amanhã lá vamos outra vez para a clínica veterinária. Ainda há bocado o meu marido dizia que não sabia como fazem as pessoas de menos posses. No espaço de cerca de uma semana, entre tratamento da infecção da pragana, tosquia, vacinas e a ração que encomendei ontem já lá vão para cima de trezentos e tal euros. E, que eu saiba, não há nenhuma versão económica para tratamentos veterinários no caso de donos de menores recursos.
Mas adiante.
Agora, ao sentar-me aqui, vi o vídeo que partilho de um rapaz que faz entrevistas interessantes. Aqui entrevista pessoas de maior idade, ao acaso, e, no fundo, leva-as a reflectir sobre o que fizeram de bem ou de mal na sua vida. Gosto de ouvir. Revejo-me em muito do que ouço, revejo-me no gosto de viver a vida com leveza, no bom que é a gente maravilhar-se com as coisas simples da vida.
Perguntar a pessoas de 70 anos sobre os seus maiores arrependimentos na vida
Neste vídeo, perguntamos a pessoas desconhecidas na casa dos 60, 70 e 80 anos, algumas das pessoas mais velhas e experientes do planeta, sobre os seus maiores erros e arrependimentos na vida, conselhos que dariam a si próprias mais jovens e outros conselhos valiosos que gostariam de ter aprendido mais cedo. Vídeo gravado em Montreal, Canadá.

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