Acho que a primeira vez que a vi foi no Kramer contra Kramer, num cinema pequeno, aqueles cinemas-estúdio, que ficava encavalitado creio que na Estação dos Restauradores. Tenho ideia que havia uma escada num dos lados. Será que estou enganada? Acho que não, que havia ali um cinema. O filme era muito bom, ela e o Dustin Hoffmann numa terrível disputa pela guarda do filho. Também me lembro dela num filme que me marcou, com uma componente literária como agora já é raro, A Amante do Tenente Francês. E o tocante, tocante A escolha de Sofia.
Meryl Streep sempre extraordinária. Fugindo aos cânones da beleza mais formal, Meryl sempre se impôs pela contenção, pela naturalidade, pela forma como se confunde com as personagens que representa, encarnando-as.
E, ao mesmo tempo, num registo sempre de grande simplicidade e espontaneidade, sem medos ou meias palavras, sabe fazer valer a sua presença e a sua voz para se posicionar ao lado da democracia, da liberdade, do respeito pelos direitos humanos.
Nesta entrevista -- com o sempre-alvo-a-abater (pela família Trump, essa familiazinha de horrores) Jimmy Kimmel --, quando disse que o primeiro filme O Diabo Veste Prada já tem 20 anos fiquei parva.
20 anos? Já passaram 20 anos? Como assim? Lembro-me tão bem de ver o filme numa sala de cinema. E lembro-me de apreciar como a personagem representada pela Anne Hathway evoluiu na forma de se vestir e lembro-me de pensar que a minha filha também deveria ficar lindamente com aquelas roupas.
É chiché, claro, mas, caraças, o tempo passa mesmo a correr. Vinte anos...
Agora uma coisa também posso dizer: estou como ela quando me perguntam a idade dos meus netos, tenho que pensar para não me enganar, pois, como ela refere, estão sempre a fazer anos e estragam-nos a carreirinha que tínhamos fixado. Não há muito, quando perguntei a uma conhecida com quantos anos estavam os netos, respondeu prontamente: 'Há muito tempo que desisti... não faço ideia...'. Depois ficou a pensar e disse que achava que o mais novo tinha seis e o mais velho dezoito e que, portanto, os outros onze andavam pelo meio. Tinha desculpa, são muitos. O mais engraçado foi o avô do meu genro que, quando lhe perguntei quantos bisnetos tinha, se riu e disse que não fazia ideia, que estavam sempre a nascer. Acho que alguém disse que já deviam ir em trinta e tal. Nesse caso nem eram as idades, era mesmo a quantidade de bisnetos.
Mas deixo-vos com a entrevista e com o bom humor e a genuinidade de Meryl Streep. E reparem como se mantém bonita, elegante, jovial. O diabo não apenas veste Prada como a tem poupado.
Meryl Streep fala sobre a excitação com O Diabo Veste Prada 2, ligar a Lady Gaga e ser avó
Meryl fala sobre homenagear Stanley Tucci e Emily Blunt na cerimónia de entrega das suas estrelas no Passeio da Fama em Hollywood, ser a maior queixosa do mundo, ter seis netos, ser um pouco como Miranda Priestly como avó, ler-lhes Harry Potter, imitar sotaques quando se fala com as pessoas, O Diabo Veste Prada 2, a expectativa mundial pelo filme, ligar a Lady Gaga para lhe perguntar se participaria no filme e se gostaria de ser presidente algum dia.
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