Não consigo dizer que os americanos são estúpidos tal como não digo que os russos são criminosos. Uma coisa é a população e outra é o regime instalado no respectivo país. Não fomos fascistas só porque tivemos, durante décadas, um fascista a governar-nos.
Por isso, ao pensar no que os Estados Unidos têm feito no último ano, tenho que fazer a ginástica mental de me focar nos responsáveis pelas anormalidades a que temos assistido: Trump e os seus acéfalos carneiros, tão ignorantes quanto seguidistas.
Mais uma vez, não sei se mais esta ofensiva contra um outro estado soberano é fruto de um plano assente em ideologia ou que vise uma estratégia, ou se é, apenas, fruto de um desvario narcisista, alguém que começa guerras para depois apregoar vitórias (mesmo que ilusórias) ou se é uma demanda tresloucada para afastar a atenção do seu eventual envolvimento no ambiente Epstein ou se, por qualquer motivo que um dia se perceberá, está nas mãos do criminoso Bibi e, por isso, faz o que este lhe manda.
Claro que o regime iraniano não é defensável sob qualquer ponto de vista. Mas o Irão é um estado soberano e, a haver ajuda ao povo, não poderá ser desta forma. O direito internacional é para ser levado a sério.
Se, lá porque se acha que quem governa um determinado país é um déspota, for aceite que um outro país o invada e atire bombas e mísseis e drones para cima da população então o que não falta são países candidatos a serem arrasados, a começar pelos países governados pelos ídolos de Trump ou, até, os próprios EUA.
E o que me faz ainda mais confusão é como os merdas dos líderes europeus, em vez de condenarem veementemente esta acção bélica de Trump e de Netanyahu, aparecem quase de gatas, com uma conversinha de caca, em que se limitam a condenar a retaliação do Irão contra outros países. O que é que estavam à espera? Que o regime iraniano vergassm sem disparar um míssil? Supostamente, o Irão estaria a pretender atacar bases americanas e o que terá acontecido em zonas urbanas terá resultado de mísseis interceptados. Mas sabe-se lá, quando se começa uma guerra nunca se sabe o que acontece a seguir: há erros, há acidentes, há excessos. E, para mim, de forma inequívoca, em primeiro lugar haveria que condenar a ofensiva de Trump, que, ainda por cima, parece ser ilegal mesmo face à constituição americana. Ele, o bufão cor de laranja, dirá que é uma ofensiva tremenda, nunca antes vista, talvez até diga que é hot, se não mesmo big and beautiful. Mas, por sabermos todos o chanfrado cruel e demente que é Trump é que se justificaria condená-lo, condená-lo com veemência. A ele e ao outro criminoso, o manipulador Netanyahu.
Claro que sou pacifista, totalmente pacifista (excepto quando a paz é sinónimo de rendição e anulamento de identidade). Portanto, claro que gostaria muito que todos os países fossem democracias, que os povos vivessem em liberdade e pudessem gerir as suas vidas num ambiente tranquilo e feliz. E isso vale para os iranianos, os coreanos do norte, os russos, os venezuelanos que agora nem devem saber a quantas andam, até os americanos que agora vivem tão atormentados, e tantos mais.
Só espero que esta última loucura de Trump, o doido varrido que se acha merecedor do Nobel da Paz e a quem ninguém parece conseguir controlar, não alastre, não traga mais mortes e não se arraste no tempo.
Só espero também que os líderes europeus mostrem que se regem por princípios e por valores, que têm capacidade de liderança, que sabem fazer ouvir a sua voz -- ou seja que têm cabeça. E tomates.
E pardon my french. Mas é que fico passada com gente cobarde e hipócrita. Com burros, então, nem vos digo nem vos conto.
Subscrevo cada palavra sobre a "cobardia hipócrita" da Europa, mas acrescento um detalhe que torna este cenário ainda mais sinistro: a frieza aritmética deste "desvario". O que Trump está a fazer com a Operação "Epic Fury" contra o Irão não é apenas um ato de demência ou um frete a Netanyahu; é o fecho de um círculo de lucros obsceno.
ResponderEliminarAo incendiar o Médio Oriente e colocar em xeque o Estreito de Ormuz, Trump garante que o preço do barril de petróleo dispare para valores estratosféricos. E quem é que beneficia com o petróleo a 100 ou 120 dólares? Precisamente o ativo que ele acabou de "capturar" na América do Sul. Com a Venezuela sob gestão direta do Tesouro americano e as receitas das petrolíferas a fluírem para contas controladas por Washington, a guerra no Irão serve para valorizar, num estalar de dedos, as reservas venezuelanas que os EUA agora dominam.
A "libertação" de Caracas e o "ataque preventivo" a Teerão são as duas faces da mesma moeda: o controlo total do pulmão energético do planeta. Enquanto os líderes europeus gaguejam condenações mornas, o "bufão cor de laranja" está a redesenhar o mapa da energia mundial através da força bruta, transformando a Venezuela na sua reserva estratégica particular, inflacionada pelo sangue derramado no Irão.
É geopolítica de casino: ele lança o fogo numa mesa para fazer subir as apostas na outra onde já tem as cartas todas na mão. E a Europa, de gatas, finge que não percebe a jogada.
“…ato de demência…” !!! Como atou ele a demência?
EliminarSabe que me interrogo sobre se haverá tanto pensamento estratégico naquela cabeça maluca. Mas, se calhar, mesmo que não haja nele, há nos que o manipulam. Não sei. Mas o que diz é verdade: tudo isto é um jogo perverso em que a vida humana de pouco vale. Uma tristeza.
EliminarO comentário tinha apenas, e tão só, que ver com o dialecto designado “acordês”
EliminarAguarda-se agora a entrada em cena do Batalhão Feminino, a legião de professoras doutoras, jornalistas, investigadoras, comentadoras de relações internacionais e de estratégia, peritas desde ontem nas minúcias do Afeganistão, do Iraque, do Iémen. Saídas dos baús de um mestrado ou doutoramento numa qualquer universidade americana de segunda ou terceira categoria, vivem à conta do contribuinte num dos nossos institutos públicos ou por nós subsidiados, que para isto o erário publico tem sempre dinheiro.
ResponderEliminarBatalhão Feminino? Só o incomodam as comentadoras (ie, no feminino)? Se forem homens já está bem? Não me diga que faz parte do batalhão dos fracotes que enfermam de masculinidade tóxica...
EliminarCada um tem a sua perspetiva desta incursão Israel/Americana no Irão. Para além de questões geopolíticas, económicas, sociais e outras, há verdadeiramente, uma guerra religiosa, e quem a não quiser considerar, tem dificuldade em perceber o substrato da situação. Sou ateu, nada tenho a ver com as religiões em guerra, mas há uma certeza que tenho, vivo melhor com o Cristianismo, do que com as outras duas. Portanto, o meu lado da barricada, será sempre do lado americano- ainda que, seja um imperialismo arrogante, autocrático, sem valores humanos sólidos, governado por um louco homofóbico, racista etc.-, mas que me permite defesas contra o judaísmo, e principalmente, e objetivamente, contra o fundamentalismo islâmico, seja ele sunita ou xiita, com total desrespeito pela natureza humana nos valores de uma sociedade que nada, vezes nada, têm que ver com os meus.
ResponderEliminarDa mesma forma, estou com os Americanos - com todas as minhas diferenças ideológicas já descritas, sobre Trump- contra os chineses e russos…sempre, e em qualquer circunstâncias. Por outro lado, tenho plena convicção de que, nós portugueses, não morreremos de uma bomba nuclear americana, mas já não tenho certeza nenhuma, pelo contrário, a grande convicção, que uma nuclear vinda de um islão deste mundo, ele possa aparecer.
Agora, estou satisfeito com esta ou outra qualquer guerra?, não, evidentemente que não.
Concordo. Estamos em fase.
Eliminar"mas que me permite defesas contra o judaísmo", só porque calha desta vez, estarem do mesmo lado nos assassínios premeditados? e quando nos calhar em sorte? também vais ser pelos americanos? sabes qual foi o único pais a usar a bomba nuclear contra civis?
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