Penso que Michael Wolff é dos que melhor interpreta o que está a passar-se: tudo se passa dentro da cabeça de Trump, uma cabeça demente. Incoerente, não-sequencial, sem-filtro, inarticulado, em suma, um idiota -- assim ele descreve Trump.
Trump, o representante dos estúpidos.
Portanto, tratando-se de um idiota e, ainda por cima, demente, nada faz sentido para as pessoas que se colocam num plano lógico e racional. Tudo o que ele faz é função do que lhe apetece naquele instante, e, sobretudo, do que ele acha que pode beneficiá-lo. Além disso, a sua grande motivação é conseguir a atenção sobre si próprio, é garantir audiências, é um entertainer. Acontece que, além disso, é um narcisista, facilmente adulado e, logo, manipulado. Isto para não falar que, com o seu historial, deve haver infinitas provas cabeludas contra ele e, logo, deve haver muito menino que o tem na mão, que o chantageia sempre que convém.
Portanto, haver um presidente dos Estados Unidos com estas características é um problema gigante para o mundo. Uns dias diz uma coisa, a seguir diz o oposto, não ouve ninguém a não ser os que o adulam, não se informa, não tem paciência para briefings ou relatórios, chegam a duvidar que consiga ler mais que duas linhas de seguida, mete-se nas coisas sem saber ao que vai, a coisa dá para o torto e ele parece nem perceber que o que correu mal é fruto dos seus actos, ofende e humilha e depois acusa os ofendidos e humilhados de não acorrerem ao que ele pede quando, além disso, ele não pede, ele exige, ele ameaça, ele insulta. E tudo como se não fosse nada com ele. Se o palco o permite dá o espectáculo do costume, engrossa a voz, diz mentiras, lança insinuações, volta aos temas pelos quais é obcecado, diz mal de Biden, diz que o roubaram nas eleições de 2020, diz mal de Gavin Newson, e, daí, passa para o salão de baile, e, desta vez, na reunião geral do Gabinete, passa para o magno tema da caneta. Uma caneta fantástica. Acresce que, geralmente, quase tudo o que diz é mentira. E, en passant, insulta Jerome Powell por quem tem um ódio monumental. Poderia ser um filme cómico mas ninguém acreditaria num personagem tão demente.
Trump diverte o gabinete com uma digressão épica sobre canetas Sharpie, canetas de mil dólares e Jerome Powell.
Durante uma reunião de gabinete, Trump começou subitamente a contar uma história bizarra sobre canetas — como quando se tornou presidente, as canetas custavam mil dólares, mas trocou-as por canetas de 5 dólares. Desde marcadores Sharpie a anedotas presidenciais, isto é o Trump clássico em ação.
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