O ano amanheceu ainda mais perigoso do que estava em 2025. Se antes os riscos decorriam do poder desavergonhado de imperialistas, tarados, psicopatas sanguinários, agora junta-se a isso o desconhecido risco de termos a nação mais poderosa do mundo nas mãos de um doido varrido. Mas podia ser um doido varrido normal. Só que não é. Trump é um narciscista maligno, um mentiroso compulsivo, um sádico, um ganancioso, um desavergonhado, uma pessoa sem pudor nem filtros de qualquer espécie, uma pessoa destituída de compaixão ou empatia.
Se está de facto demente, como vários médicos afiançam, se apenas tem todos os seus defeitos elevados a um expoente até agora ainda não experimentado isso não sei. Só sei é que a verdade é que, ao mesmo tempo, se detecta que há uma inteligência perversa por detrás de tudo o que ele faz.
Sou levada a crer que há gente interessada em muito do que ele procura, gente interessada em regressar ao país de onde foram levados a sair e que querem regressar, vingar-se, investir em força, gente que quer garantir terras raras a custo quase zero, gente que quer ter lítio assegurado a preço de chuchu para os próximos anos, gente que quer assegurar petróleo adquirido a preço de saldo, misturada com gente que tem uma visão geo-estratégica de um mundo dividido em três blocos. Provavelmente há um caldo de gente que fervilha e manobra nos bastidores para que tudo isso se consiga. E, dando corda a toda essa gente e vendo o que, para si próprio, pode retirar -- comissões, dividendos, bónus, presentes, parte nos negócios --, está ele, o bufão, o grande corrupto, o negociante que despede aprendizes na televisão, o grande animador que procura share nas televisões, que se baba por primeiras páginas, que se alimenta da atenção que recebe dos outros.
Implacavelmente, Trumpe hostiliza, ofende, humilha, ameaça, despede, persegue, esmaga quem lhe faz frente. E, no entanto, ele aí está, eleito pela segunda vez, as suas grandes mesas e salões de baile sempre repletos. Ao contrário do que a decência recomendaria, muita gente não lhe vira as costas. Pelo contrário, bajulam-no, lambem-lhe o rabo, deitam-se no chão para que ele passe por cima.
Custa a perceber. Mas é isto que acontece.
Só que são factores desconcertantes a mais: não se consegue prever qual a sua jogada seguinte, qual o próximo golpe, qual a afronta que se vai seguir.
Joanna Coles tenta perceber como funciona a sua cabeça e como funciona o círculo de serventes que o rodeia. A entrevista a Scaramucci é interessantíssima. Recomendo-a vivamente.
É isto que o ganancioso Trump está realmente tramando com o petróleo
This Is What Greedy Trump's Really Up To With Oil | The Daily Beast Podcast
Anthony Scaramucci junta-se a Joanna Coles para uma conversa franca sobre o que Donald Trump está realmente fazendo na Venezuela — e por que o caos é o objetivo. Scaramucci argumenta que a ação na Venezuela é motivada menos pela democracia ou segurança do que pelo petróleo, dinheiro e enriquecimento pessoal, e é moldada por teorias da conspiração e pressão política. Ele também analisa o apetite de Trump pela crueldade e pelo espetáculo, os sinais de alerta na escalada da violência do ICE, o afastamento silencioso de aliados como Marco Rubio e JD Vance, e por que republicanos que sabem mais ainda se alinham a ele. A conclusão: Trump não está a descontrolar-se — ele está focado, transacional e cada vez mais disposto a destruir instituições para se manter no poder.
- não votarei em pessoas que não gostam da democracia nem respeitam os nobres valores republicanos,
- não votarei em quem nunca fez mais nada na vida senão ser um videirinho, um leva e traz,
- não voto em quem sempre se revelou uma amiba -- sem coluna vertebral, sem punch, sem cérebro (e portanto, sem ideias),
- não voto em quem ainda está agarrado à morta e enterrada ideia de amanhãs que cantam,
- não voto em quem apenas votarei se passar à 2ª volta com o 1º que aqui referi
- não voto em quem não tem qualquer hipótese de coisa alguma.
Muito boa noite.
ResponderEliminarFaço minhas (com uma única reserva, abaixo explicada) as palavras da cara senhora. De facto, o almirante Gouveia e Melo parece-me, de longe, a única opção credível e confiável. Votarei nele sem um segundo de hesitação.
Já quanto aos outros, para além dos extremistas e dos lunáticos, nem pensar no salta-pocinhas das negociatas - exemplo acabado do intriguista da baixa política - ou na lamentável amiba - também conhecida por Bobo.
Um Bobo, não esqueçamos, cuja candidatura se fica a dever ao Pedro Nuno Santos, imaturo rapazola que, não contente com quase destruir o Partido Socialista, um dia se lembrou (vá-se lá saber porquê) de despertar o Bobo para estes sonhos de grandeza belenense... Corremos mesmo o risco de gramar o triste Bobo por vários, penosos e enjoativos anos... Jamais perdoarei ao Pedro Nuno tamanho desastre...
A reserva prende-se com o pavão do Cotrim. Veste e penteia-se com apuro, mas tudo nele me parece artificial. Tenho as maiores dúvidas quanto à consistência da personalidade que se esforça por ostentar.
Lembremos a sua defesa da possibilidade do "veto absoluto" a exercer, no futuro, pelo Presidente da República. Quando confrontado com isso num dos debates, pareceu atingido por um raio - ficou congestionado e mudo, saindo-se por fim, balbuciante, com uma desculpa esfarrapada: afinal, só queria (morde aqui, ó Cotrim...) que o assunto fosse discutido...
E agora, depois de ter admitido ser capaz de votar no asqueroso na 2.ª volta, mostrou-se de novo claudicante, incapaz de explicar por que razão dissera o que disse. Outra vez cambaleante, lá se foi saindo com uma desculpa frouxa e assustadora: "Não sei o que me passou pela cabeça!" Muitíssimo arrepiante para quem pretende assumir responsabilidades maiores.
E depois há aquela de se mostrar disponível para se cumpliciar com este medonho governo, desde que o Montenegro aceda a meter-se nas "reformas" que ele, o bravo Cotrim, tem como irrenunciáveis.
Já estou como o saudoso António Costa: quando esta gente desqualificada falava de "reformas", ele apanhava um susto. E eu também.
Sinceramente, cara senhora, estimaria ter a sua fé nesta alternativa - mas não tenho. Por mais voltas que dê, não vislumbro outra saída que não seja a que nos oferece o vertical almirante.
E se não puder ser? Olhe, por mim só espero que o céu não nos caia na cabeça. E, como se implorava na gloriosa aldeiazinha gaulesa, "que Toutatis nos acuda"!
Saudoso Antonio verbo de encher - a conta também - Costa.
ResponderEliminarAlmirante, a unica opção credível.
Compreendido.
Vou ficar á espera de ver as lamurias de penitencia se o dito for para belém.
Eu voto Filipe, - mesmo sabendo que não tem hipótese já que a maioria tem o estigma do comunismo, não é o meu caso, aliás o nosso estado social europeu bem podemos agradecer ao medo que o capital tinha dele, e quando caiu o muro de Berlim disse a quem celebrava < esperem só até os cães raivosos glutões ficarem á solta < - e na segunda vou anular o voto pois estou farto de votar pelo mal menor.
Como cantou o Sérgio, < que força é essa amigo, que te põe de bem com os outros e de mal contigo.
Cada um faz o que quer, é uma das muitas coisas boas da democracia,. Mas, se me permite, votar em alguém que não tem qualquer hipótese é o mesmo que votar em branco. Na prática, é uma forma de responsabilização.
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