Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, julho 31, 2016

Coisas simples




Por cá, depois de uma mão cheia de caranguejos, entrámos agora no tempo dos leões. A partir desta semana que aí vem, é também sempre a abrir.

Por isso, o fim do dia foi reservado às compras. Entre presentes e supermercado e uma ou outra coisita para mim que nao sou esquisita e as pechinchas mexem comigo, chegámos a casa quase à meia-noite. Como sempre, o meu marido a achar que eu sou a culpada de tudo. Como estava estafada não dei muita luta, apenas quis perceber. 'Culpada? Mas culpada de quê?!?!'. Responde: 'Se não quisesses ver tudo antes de comprar, despachávamo-nos em metade do tempo'. Não respondi. Ando há anos a tentar que perceba que não é possível fazer uma selecção acertada sem antes conhecer a totalidade dos artigos. Ora, se até agora não consegui, não era hoje, a esta hora, que ia conseguir. Se vamos escolher roupa para a menina mais linda do mundo, ao entrar na loja tenho que ver o que há para a idade dela e só depois seleccionar. Ele é o oposto. Entra já com vontade de sair. Depois, chega ao pé da zona da roupa para a idade dela, pega em 3 ou 4 coisas e por ele ia direito para a caixa. Como se pudesse ser assim. Claro que agradeço as sugestões dele e fico com elas. Mas vejo atentamente cada coisa, vou retirando aquilo de que gosto, depois vou-lhe passando coisas para ele porque, com os braços cheios já não consigo tirar mais nada, e, só depois da ronda completa, examino a pré-selecção e faço, tentativamente em conjunto com ele, a selecção final. Por vontade dele, só para não ter que olhar para a roupa, levava tudo. Mas não pode ser. A seguir repete-se o processo para outro leãozinho. Ele já passado. 

Quando vamos pagar ainda me lembro de ver se há coisinhas para o cabelo dela, para fazer totós, elásticos com lacinhos ou brilhantes, qualquer coisa assim. Fica danado. Que me deixe ficar quieta ali na caixa. Mas como vou, pergunta se é para pedir talões de oferta, se vai tudo no mesmo embrulho. Anda comigo há mil anos e ainda tem dúvidas sobre estas coisas. Quando saímos ainda vem a protestar. Mas não interessa. Faz parte. A verdade é que hoje o dia rendeu imenso. Presentes despachados, compras feitas e até sapatos resolvidos. 

Ele andava há que tempos à procura de uns sapatos castanhos escuros, simples. Só descobria ou com sola clara ou com pespontos claros ou com a ponta quadrada ou com a ponta arrebitada. Sapatos simples, clássicos, normais: nada. É como quando quer comprar calças em cinzento escuro, corte clássico, normalíssimas, e só encontra com tecidos estranhos, com pregas, com cortes afunilados, com toda a espécie de pormenores que lhe desagradam, e calças normais está quieto. Pois bem. Hoje descobriu uns sapatos tal como os queria. Aleluia. 

Eu andava na mesma. Há 4 anos comprei uns sapatos de pele fina castanha, rasos, fechados à frente mas com recortes, super confortáveis e frescos. Desde então, tenho procurado uns do mesmo género para substituir aqueles pois as palmilhas estavam a ficar velhas e os próprios sapatos começavam a querer dar de si.
Eu acho que não, que estão ainda bons mas, quer a minha mãe quer o meu marido, sempre a chatearem, a perguntarem se eu ia usar os sapatos até se desfazerem. 
Mas não descobria nenhuns que me agradassem. Pois bem, hoje, na mesma sapataria que ele, uns sapatos quase iguais aos outros, confortáveis, do mesmo género. E comprei também umas palmilhas de pele para ver se prolongo a vida aos meus sapatinhos idosos.

E ao ir ao supermercado, encontrei kefir, coisa que nem sempre encontro, ou porque não há ou porque mudaram as coisas de sítio e não as encontro nem descubro nenhum empregado a quem perguntar. Que sorte tive hoje... Mal posso esperar por amanhã ao pequeno almoço para o misturar com sementes, frutos secos, cereais. Love, love, love.

Também trouxe um gel de banho de leite e rosas que nunca tinha experimentado. Quando agora cheguei a casa, estive a refrescar-me e usei-o. Ah que cheirinho mais bom. Fiquei eu suavemente perfumada e ficou a casa de banho igualmente cheirosa. A seguir entrou o meu marido e perguntou todo intrigado: 'Que raio de cheiro é este?', e quem o ouvisse falar até parecia que o cheiro não era bom. Faz sempre estes espantos quando mudo de gel de banho. Ele há anos que usa do mesmo, um que não tem cheiro. Até nisto é o meu oposto. Eu mudo sempre, de marca e de perfume.

Bem. Nem sei a que propósito vem isto. 

Se calhar é porque não ouvi notícias nem estou com paciência para me ir informar. Estive o dia todo fora do mundo noticioso.

Durante o dia estive no campo, no remanso. Andei passeando ao sol, entre as cigarras, a terra exalando um cheiro bom, a calor, a rosmaninho e pinheiro, a sombra de eucalipto e alecrim.

As ameixas desapareceram. O costume. Os sacanas dos pássaros comem-mas todas. Os figos ainda não estão bons. Tomara que fiquem maduros, Adoro figos. O meu filho veio do Algarve e trouxe-nos figos torrados com amêndoas lá dentro e eu lambo-me com eles. Diz que engordam mas olha, perdoa o mal que fazem o bem que sabem.

Trouxe mais orégãos. Têm um cheiro fresco. Claro que ando por ali feita turista, a fotografar, encantada como se estivesse a ver tudo pela primeira vez: as árvores que plantei e podei, os muros que imaginei e que já deviam ser pintados mas aos quais acho graça assim, embelezados pelas marcas do tempo.

Também li. Comecei pelo Science is Culture, um prazer de leitura, e depois passei para A Sibila da Agustina, livro que me apetecia reler pois na altura em que o li não estava preparada para degustar a suculência da escrita daquela sumptuosa e desbragada mulher. Há coisas que apenas com alguma vivência no corpo e na alma se conseguem apreciar como deve ser.

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E pronto não vos maço mais com esta conversa mole. Isto é a minha forma de descansar, sabem. O meu marido já dorme a sono solto -- e eu nisto. Mas ainda só mais uma coisa.


"Uma laranja para Alberto Caeiro", poema e voz de Natália Correia sobre música de António Victorino D'Almeida‎.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo dia de domingo.

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Quem é que manda no mundo?
- Noam Chomsky responde


Um entrevista interessante. Chomsky fala do Brexit, do TTIP, de Trump... etc. Com pessoas inteligentes nunca o tempo é perdido.

Noam Chomsky full length interview: Who rules the world now?



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sábado, julho 30, 2016

Hillary, this is the woman



Um filme de 12 minutos da produtora Shonda Rhimes (Scandal, Grey's Anatomy), narrado por Morgan Freeman, passa em revista toda a vida e carreira de Hillary Clinton


Tenho pena que não esteja legendado mas a dicção de todos é perfeita, penso que se percebe bem. 

A máquina democrática está em marcha com os motores a rodarem a toda a força.

Hillary tem uma vida de serviço público e de dedicação a causas meritórias e tem, também, a simpatia de quem assistiu à forma digna como atravessou o vendaval que ia derrubando o incontinente-sexual marido aquando do escândalo das brincadeiras na sala oval com uma estagiária que viria a dar que falar.

Pode faltar a Hillary aquele toque de leveza e charme que a colocaria na Casa Branca quase sem ter que mexer uma palha mas, presumo, a poderosa máquina que conduz a campanha suprirá esse défice através de peças mediáticas como este filme. Foi divulgado na Convenção Democrática e será, certamente, um poderoso catalisador das simpatias americanas a favor da primeira mulher candidata à Presidência dos Estados Unidos.


Hillary




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E para a sua desconstrução, queiram, por favor, descer até ao post seguinte no qual se mostra o sentido de humor ao serviço da inteligência na entrevista que o grande Stephen Colbert faz ao cartoon de Hillary. De bónus, idêntica entrevista ao palhaço tarado que dá pelo nome de Cabeça de Banana Trump.

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Hillary Clinton responde a perguntas de Republicanos
- Bem, não bem ela mas um seu cartoon. Stephen Colbert intermedeia.
[Sentido de humor e oportunidade num país (ainda?) democrático]



Vai ser uma boa presidente. Mas falta-lhe aquele grão de carisma que faz com que os outros naturalmente sejam atraídos pela sua empatia. Nota-se que se esforça por ser alegre e espontânea mas falta-lhe aquele je ne sais quoi, aquele charme que, por exemplo, o garanhão Bill, o seu fiel marido, e Obama têm em doses generosas.

Entre ela e Trump é bom que poucos tenham dúvidas. Trump é um palhaço. Que seja o candidato pelos Republicanos é bem o exemplo do circo que este desorientado mundo parece tender a ser. Hillary não: Hillary é uma política bem preparada, com competência e segurança para ocupar o lugar de presidente dos EUA. Mas, e é pena, falta a Hillary aquele toque de sedução que, mesmo na política, é necessário.


À nossa pequena escala pense-se em Cavaco: um tronco-laronco que nem uma vaca é capaz de seduzir. Seduziu a sua Maria porque ela, convenhamos, é a sua alma gémea. Mas parou aí. Veja-se o seu sucessor. Marcelo seduz velhinhas, jovenzinhas, MILF's e, identicamente, toda a espécie de homens. É um sedutor -- e daí a sua popularidade (que conquistou ao longo de anos de namoro com o seu fiel público televisivo).

Mas, voltando a Hillary, claro que o seu esforço em ser simpática não podia passar entre as pingas da chuva mediática.

O feroz anti-Trump Stephen Colbert, que é um gozão de primeira apanha mas um gozão com montes de pinta, aí está. 




Dito isto, que me seja permitida uma ressalva. Mesmo assim, muito acho eu que ela faz. Há anos que anda nisto, nos EUA estes processos são um pesadelo que se arrasta por meses e meses. Se fosse eu, chegava a ese ponto afónica, estafada, incapaz de continuar a dizer coisas e a sorrir. Tantas e tantas vezes a dizer palavras fortes, palavras simpáticas, palavras âncora, palavras de toda a espécie e feitio, espantoso é que ainda consiga articular uma palavra que seja. Não sei como esta gente que anda nisto, entre viagens, entre hotéis, a participar em almoços, jantares, comícios, congressos e convenções consegue manter um ar aprumado, consegue gerir as idas à casa de banho, as horas de sono, os sorrisos para as sessões fotográficas, as entrevistas. Gabo a dedicação desta gente e a sua resistência física.

Por isso, quando quisermos criticar estes poíticos permenentemente debaixo dos holofotes, não nos esqueçamos deste lado.de sacrifício. A mim nem que me pagassem fortunas. Podiam pagar-me os ordenados e prémios do Cristiano Ronaldo. Não queria.

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Já agora a versão antagónica: Stephen Colbert e Donald Trump

Uma gozação pegada. Quando humor e política andam a par e passo é uma graça de se ver.




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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado muito feliz.

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sexta-feira, julho 29, 2016

FMI, uma vez mais, bate com a mão no peito e reconhece que errou na obnóxia receita que aplicou a Portugal.
E eu daqui pergunto aos viris Pafiões que quiseram ir ainda para além do prontuário da troika:
Já está claro que a receita do mata e esfola foi, sob todos os pontos de vista, uma cavalice e uma inútil humilhação para Portugal?
Já está claro que a política seguida durante os humilhantes 4 anos, a mando da troika e dos seus sabujos representantes em Portugal, foi completamente errada?
Já...?
É que, se ainda não, então ouçam as explicações do ex-cheerleader da troika, o impagável mano Costa






No dia em que o omnipresente e caleidoscópico Presidente Marcelo apareceu a espetar alfinetes nos balões da crise que o pafiano Láparo e amigos para aí têm andado a encher (Crise? Qual crise? Se havia, evaporou-se -- riu o tal catavento, escarninhamente), aparece o relatório do multicéfalo FMI a dizer que a receita aplicada aquando do so-called resgate a Portugal parece exercício académico feito por inexperientes totós. Que não resulta, que não atacaram a raiz dos problemas, que, ao exigirem objectivos inantigíveis, humilharam inutilmente os pobres portugueses que não tinham mesmo como alcançá-los -- e por aí fora.



Como tenho um certo lado de menina marota, ao ler isto, só me apeteceu ir pôr-me à frente do intelectualmente pouco dotado láparo ou do ex-irrevogável e de todos quantos andaram a esporear os portugueses -- e gozar com eles mas gozar mesmo, esfregar-lhes na cara o relatório do FMI, obrigá-los a engolir, uma a uma, cada página até as conclusões lhes saírem pelos olhos. Depois pensei que não, pronto, nada de vinganças, coisa mais feia. Devia, isso sim, arranjar uns quantos capangas para conseguir obrigá-los a confessarem, em público, que foram burros, sabujos, e anti-patriotas. Obrigá-los a pedirem desculpas aos portugueses. Isso sim.

Qualquer pessoa que tenha olhos de ver e que conheça minimamente a realidade do país percebe que Portugal tem problemas estruturais sérios e que nenhum deles foi objecto de intervenção por parte do esgazeado governo cujo objectivo foi ir além da troika.

Refiro alguns desses problemas:

Portugal não tem capitalistas. Eu gostava de saber que dinheiro ou que património livre (livre de garantias, penhoras, etc) têm, de facto, os mais ricos de Portugal. Vivem bem, sim, ok, mas dinheiro mesmo seu? Casas em seu nome? Que impostos pagam? Ok, são accionistas de empresas valiosas. Mas... e qual a dívida dessas empresas? Se quiserem investir, têm capitais próprios que não sejam activos já alocados como garantia a financiamento alheio? Pergunto.

O que temos, sobretudo, são empresas endividadas até ao tutano. Daí que, por muito bem que o patriotismo fique na lapela, quando a crise aperta os nossos soi-disant capitalistas vendem ao primeiro que apareça (angolano, chinês, omanita, francês, fundos apócrifos, whatever).

Ora, num país em que nem os capitalistas têm dinheiro, em que a classe média estava endividada a pagar a casa e pobres, mesmo que envergonhados, eram (e são) mais do que muitos só pela cabeça de gente muito burra é que passava a brilhante ideia de que a receita para a crise consistia em secar a pouca liquidez circulante, cortando nos rendimentos e aumentando a eito os impostos.

Depois não temos indústria a sério. Temos um ou outro pólo industrial - coisa sem grande expressão. Parte da pouca indústria foi vendida a estrangeiros cujos centros de decisão estão lá na terra deles. Não ter indústria forte é sinónimo de importação em força e de débeis exportações, ou seja, é sinónimo de uma economia frágil.

Se Portugal precisava (e precisa) muito de alguma coisa é de um forte apoio à reindustrialização. Com a reindustrialização principal vêm as empresas fornecedoras, vem o emprego qualifificado, vem o ensino e a investigação para suporte à diferenciação.

Um apoio intensivo na identificação de oportunidades, de modernização das redes logísticas a começar nos portos, um apoio intensivo aos centros de investigação e desenvolvimento e um apoio forte ao ensino a todos os níveis -- isso, sim, Portugal precisava e precisa como de pão para a boca. Mas a receita da troika passou por aqui...? Passou, passou. Como cão por vinha vindimada.

A agricultura é marginal. Não são as hortas das tias que animam um sector que, em tempos (nos vis anos do reinado do tal das cagarras), foi apoiado para pôr as terras de lado (a chamada política do set aside). 

Temos uma administração pública ainda, em parte, antiquada que consome muitos recursos dando, em alguns sectores, pouco em troca. O programa Simplex foi asininamente parado pelos pafiosos. Não apenas não fizeram qualquer reforma como, estupidamente, pararam o que estava em curso. Felizmente a Maria Manuel Leitão is back e com ela as reformas são de fundo e a sério.

Portugal tem ainda um outro problema grave (e só porque estou a escrever depois da meia-noite, deitada num sofá e mais para lá do que para cá é que coloco um problema desta natureza a meio do texto, quando deveria ser um dos primeiros): a definhante demografia.

São necessários apoios sérios e integrados de apoio à natalidade. É indispensável que os portugueses sintam confiança no futuro e sintam que serão apoiados na criação dos seus filhos. Os troikanos e seus discípulos perceberam isto e actuaram...? Então não...? Fizeram foi tudo ao contrário.

A dívida é imensa e impossível de pagar? Ah pois é. Tem que ser renegociada, os prazos dilatados. E tem que ser percebido que a dívida é uma consequência, não um objectivo primário.

Se for encarado como um objectivo primário como o foi por parte do FMI, congéneres da troika e membros do trágico governo PSD/CDS, acontece o que aconteceu em Portugal: se for necessário, correm-se com os portugueses de Portugal, corta-se a reforma aos mais velhos, atira-se com milhares de empresas para a falência e com centenas de milhares de portugueses para o desemprego para chegar ao fim de cada ano e verificar que a dívida tinha aumentado e que o país estava cada vez mais arrasado.
Broncos do caraças. Quando penso nisto, sinto cá uma raiva.
Quando se ouve a cambada a lamentar que o actual governo reverta as reformas estruturais, só me pergunto: mas referem-se a quê?

Que me lembre a única reforma que conseguiram levar por diante foi a laboral. Leia-se: foi precarizarem o trabalho. Como se algum empresário ou gestor que se preze, daqueles que trazem desenvolvimento ao país, gostasse de vulnerabilizar a segurança dos trabalhadores e, apesar de não ter dinheiro, fosse investir só pelo gozo de poder explorar à vontade os trabalhadores.

O que esta cambada pafiana conseguiu foi que se banalizassem os ordenados de 500 euros e a precaridade de tanta e tanta gente que trabalha para empresas que são subcontratadas por outras que, por sua vez, são subcontratadas de outras. O que conseguiram foi ferir a dignidade de quem dá o melhor de si para chegar ao fim do mês e receber trocos que mal chegam para o mês inteiro. É assim que se projecta o futuro de um país!?

Cambada.

Outra coisa que me dá uma raiva do caraças é o desplante de uns caras-de-pau militantes. Então, não é que acabo de ver o Ricardo Costa, na SIC, todo videirinho, a falar do mea culpa do FMI e falando como se os erros fossem óbvios e como se  ele próprio não tivesse feito outra coisa nos 4 anos da dupla Láparo&Irrevogável do que denunciar os clamorosos erros...? Que topete. Se houve opinadores que tivessem andado aos balcões da televisão a pregar a favor da receita troikiana e, com ar douto, a explicar que ou aquilo ou o dilúvio, foi ele e todos os que, tal como ele, andam pela trela.

Muito do que é a microcefalia ou, mesmo, a acefalia de parte da população portuguesa  se deve ao excesso de lavagens cerebrais que toda a espécie de apaniguados e papagaios avençados fazem a toda a hora na comunicação social.

Teria ficado bem ao mano Costa olhar de frente os espectadores e reconhecer que se enganou quando defendeu o FMI, a troika e o Governo de Passos Coelho. Em vez de se pôr, como esta noite, a lavar a imagem dessa trupe, dizendo que era a primeira vez e que, pronto, não se conhecia bem como funcionavam aqueles mecanismos, deveria ter dito que ele próprio tinha acreditado acefalamente, não dando ouvidos aos piegas que alertaram que a coisa não ia correr bem. Ricardo Costa devia ter pedido desculpa por ter induzido os portugueses em erro ao fazê-los acreditar que estavam a ser sugados e tratados como indefesas cobaias mas que era para seu bem já que, no fim, viriam radiosas e cantantes amanhãs.


Mas não o fez. Uma vez mais falou como se os portugueses fossem estúpidos.

Os amigos da TINA

E eu, quanto a isso, o que tenho a dizer é que Ricardo Costa e os que o secundam ainda acabam por levar à falência os órgãos de comunicação social por onde deixam essa sua sonsa matreirice.
É que já não há paciência para tanta chico-espertice. Não há paciência! Uma pessoa não tem outro remédio senão fugir sempre que os vê.

Para acabar, que isto já vai para além de longo, uma palavrinha relativa ao cherne: boa malha a da Goldman Sachs ao terem a soldo um acéfalo que se enganou tão redondamente em tudo em que se meteu. 


Porque não nos esqueçamos: nisto das medidas da troika, ao lado da galinha bronzeada do FMI, que dá pelo nome de Lagarde, esteve sempre, inútil e esponjiforme, o cherne Durão. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.
Dias felizes para todos.

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quinta-feira, julho 28, 2016

As sanções inexistentes e as reacções catatónicas de Cecília Meireles e Miguel Morgado.
O never ending Caso Marquês e as estonteantes luminárias José Gomes Ferreira, Micael Pereira e um pardal de que não registei o nome que a SIC trouxe à cena para testarem a paciência do Rogério Alves e do João Araújo.



Esteve bem Antóno Costa quando se manteve seguro da sua razão ao defender Portugal do tratamento absurdo, ridículo e até pueril por parte da camarilha burrocrática ancorada em Bruxelas: que viesse um cêntimo que fosse de sanção que ele lhes diria o que é que era bom para a tosse. Que avançaria com um processo, disso estivessem certos. E tal o peito feito com que o disse que ninguém duvidou de que o faria.

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As galinhas, os papagaios, as meninas que se borram de medo ao primeiro abre-olhos da perceptora, as virgens ofendidas que não abandonam a naftalina que a elas se colou, os vendidos e os lambe-cus logo se puseram do lado dos homens do garrote e logo peroraram: que este governo não merecia confiança, que este governo andava a atrair o diabo, que com eles não haveria sanção nenhuma. 
Desavergonhados, a fazerem de conta que o que estava a ser avaliado pela camarilha não era o resultado da sua governação pafiosa.           
(Desavergonhados - disse eu?)

Pois não sei se estou certa ao achá-los desavergonhados. Desde que esta tropa fandanga se uniu em torno da ambição de um certo cão com pulgas e de outros ávidos de poder para derrubarem um programa de recuperação aprovado por Bruxelas (e agora, interesseiramente, até me vou fazer de esquecida do fatídico papelão a que o PCP e o BE também se prestaram) que alimento esta dúvida metódica: são desavergonhados, mal-intencionados ou, simplesmente, burros que nem portas?

Desde sempre me inclino para esta última hipótese: burros. Burros encartados.

Agora caíu-lhes em cima, outra vez, o cuspo que andaram a atirar para o ar. Sanções = zero

Parece que aquele do nome intragável e que parece que bebe vinagre às colheres já veio vomitar azedume com uma cara que parece ela própria regurgitada. Comeu e não gostou. Azarinho.

Claro que, no meio daquela basbaquice, para parecerem que são inteligentes, aqueles comissários de meia tigela lá vieram armar-se em compreensivos e, como quem não quer a coisa, para não aparecerem aos olhos de toda a gente como uns atrasados mentais, embrulharam a decisão com meia dúzia de vacuidades celofânicas. Querem mostrar que estão vivos. Deixá-los. Que sejam parvinhos à vontade. A seu tempo serão varridos de onde estão.

Pois bem. Face a esta boa notícia de que, depois de muito ladrarem, os comissários da treta regressaram à casota com as sanções entre as pernas, qual a reacção das inúteis e nacionais pafianas criaturas?

De gargalhada.
(Mas, também, que outra coisa seria de esperar?)


Do lado do CDS, apareceu aquela que, coitada, não tem culpa de ter cara de má, de bruxa amarga: a Cecília Meireles (quando falo nela tenho sempre que ir confirmar, não vá estar baralhada e a dar-lhe o nome da poetisa de tão bom nome). Nem sei bem o que é que saíu daquela boca ressabiada, parecia que estava agoniada com a notícia. Se calhar, nem percebeu bem o que se tinha passado. Falou como se estivesse a dar uma lição de moral mas não se percebeu quem era o destinatário nem qual a mensagem. Um acto falhado, portanto.



Do lado do PSD, apareceu um que mais tem cara de delinquente (ou de polícia infiltrado no bas-fond), coitado que também não tem culpa (mas o fácies não costuma enganar...): era só desarrumar-lhe um bocado a roupa, vestir-lhe uma tshirt pintarola, fazer-lhe umas tatuagens pelos braços acima, enfiar-lhe um piercing no canto da boca e calçar-lhe uns ténis maneiros que não tinha que enganar. Chama-se Miguel Morgado e bolsou um palavreado mal-enjorcado, sem inteligência nem articulação lógica. Também não conseguiu avaliar a situação. Mais parecia um actor que ali estava na decorrência de um casting falhado: ou se enganou no vestuário ou desatinou com o texto. Não se aproveitou nada. É que nem deu vontade de rir, só pena.


E é isto a oposição que sobrou: uns desenquadrados, incapazes de perceberem o que se passa à sua volta, apenas ainda presos à vontade servil de bajular aqueles que ainda encarnam os ideais liberais que sonharam para Portugal, muitos dos quais bebidos de luminárias que, em seu tempo, instruíram as hostes laranjas (João Duque, por exemplo; e não falo talvez do principal porque esse já não está entre nós).

Como ilustre professor dos descerebrados pafiosos talvez seja justo incluir também o putativo primeiro-ministro, o fantástico José Gomes Ferreira, que não se cansa de enunciar as medidas do seu putativo governo.

A propósito: esta quarta-feira à noite lá tivemos o fantasioso artista, falando a partir de Faro, opinando sobre PPPs e autoestradas e decretando que se dizem que há fumo, é porque há fumo e, se dizem que há fumo, é porque há fogo e se há fogo não é preciso mais nada, está tudo provado. Sócrates meteu a unha. Onde, como, a que propósito, a troco de quê - isso não interessa para nada. E, em conjunto com o Micael Pereira do Expresso e com uma apardalada figuroca de quem nem fixei o nome, disseram tantos, tantos disparates e alarvidades a propósito do caso Marquês e da personalidade de Sócrates que o meu marido não teve a paciência de santo que vi a Rogério Alves e João Araújo e, depois de os mandar para sítios feios, mudou de canal. Xô!



E eu pergunto: como é possível a SIC juntar tão indigentes opinadores com duas pessoas inteligentes e articuladas? O que pretende? Tornar a SIC num sucedâneo do Correio da Manhã TV? Testar até que ponto resistiriam os dois ilustres advogados antes de atirarem um copo de água à cara dos flausinos ou recusarem-se a falar mais se dessem mais canal ao José Gomes Ferreira (que cada vez mais parece um vendedor de banha da cobra jornalística)?


Não há pachorra. Mas lá está: penso que têm desígnios mal confessados mas, às tantas, também não têm, às tantas também é só burrice da parte de quem engendra estes programas. Burrice da grossa. Inclino-me para isso. Estes são os tempos em que ainda há carradas de burros em lugares de decisão. Aos poucos irão sendo corridos mas, até lá, ainda haveremos de ter que continuar a assistir a isto: burrices atrás de burrices. Se calhar, temos que aprender a pacientar. Ainda mais.

Ou não.

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E agora aceitem o meu convite e desçam até ao post seguinte onde refiro a angústia que testemunhei no rosto de uns pais assustados com a deriva do seu filho, e onde falo também de Adel e Ali a propósito dos perturbados que têm espalhado o terror na Europa.

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Adel, Ali e o filho dos pais que, ao meu lado, tão angustiadamente falavam
- ou os riscos de atentados terroristas nesta desorientada Europa




Esqueço-me frequentemente que o meu corpo tem limites que a minha mente desconhece e o resultado disso é que, volta e meia, tenho umas 'cenas'. Nada de mais, pelo menos até ver (noc, noc, noc - três vezes na madeira) mas há exames, análises, médicos, ou seja, maçadorias adicionais e, sobretudo, recomendações de repouso, repouso, repouso.

Hoje, de tarde, numa dessas incursões, estava eu no balcão da recepção e o sistema informático bloqueado, não conseguiam emitir facturas, aceder às agendas dos médicos, etc. E eu ali à espera. Mas, como estava sem pressa, não me fez confusão. E, sobretudo, às tantas comecei a ouvir a conversa de um casal que, encostado também ao balcão, perto de mim, falava com a que me pareceu ser a chefe do atendimento. Mesmo que não quisesse ouvir, ouvia na mesma dado que falavam com naturalidade. Ao princípio, eu estava distraída, reparando na aflição das pobres coitadas que ligavam e desligavam os computadores, que diziam umas às outras para experimentarem carregar aqui ou ali -- e nada funcionava.

Mas, depois, como aquilo não desenvolvia -- e ligaram para um técnico de informática que fosse lá com urgência pois já estavam fartas de fazer tentativas com ele do outro lado -- olhei para o lado e vi quem mantinha aquela conversa com a 'patroa' da recepção.


Era um casal talvez com uns quarenta e tais, classe média (a classe média portuguesa que é pouco mais do que remediada). Falavam do filho, agora com 19 anos. Que estava cada vez mais estranho, que não estudava, que dizia que não valia a pena porque depois não há trabalho, que passa os dias fechado no quarto de roda do computador, que ouve músicas muito estranhas (o pai acrescentava: pesadas; e depois contava que o filho lhe tinha perguntado se não havia nenhuma música com a qual se identificasse e que ele tinha respondido que não, e depois virava-se para a senhora da recepção e dizia: está a ver? Tem conversas destas, cada vez mais estranhas). A senhora da recepção fazia um ar compreensivo.


A mãe tinha um rosto de angústia e perplexidade e continuava: que ele se veste de forma cada vez mais estranha, que acha que não é gótico mas que é muito estranho, e aquelas músicas, tão esquisitas que quase dão medo. E que se tem apercebido que ele visita sítios muito estranhos na internet. Que não se interessa por procurar coisas úteis, só coisas estranhas que a deixam preocupada.

A senhora da recepção perguntou se não havia outros casos na família e a mãe do rapaz, num tom de voz mais baixo, disse que o pai há uns anos tinha passado por uma fase muito difícil e que isso tinha marcado muito o filho, e aí o marido encolheu-se nos ombros, quase envergonhado, fez que sim com a cabeça e disse: foi complicado, foi. A mãe continuou: e a avó também tinha problemas de nervos. A senhora da recepção fez um discreto e entendido sorriso: estas coisas são genéticas, muitas vezes são.

A mãe, com o rosto branco e derrotado, continuou: que já o tinham posto numa instituição mas que, quando ele fez 18, lhes disseram que, a partir daí, só se ele quisesse, que não o podiam ter preso. E que o filho não quis.


O pai dizia que já tinham marcado consultas mas que ele nunca ia. E que não sabiam se havia de ser psiquiatria ou psicologia. A senhora da recepção decretou: Psiquiatria - porque ele precisa de medicação. E que a psiquiatra depois é que havia de dizer se devia ter também acompanhamento psicológico. 

Os pais perguntaram, quase a medo, quanto custava. A senhora da recepção perguntou se tinham seguro. Que não. Então explicou-lhes que tinham que pagar na totalidade. 90 euros a primeira consulta, porque é a mais demorada, e 60 (ou 70, não me lembro) as seguintes. Os pais entreolharam-se, preocupados. Depois a mãe perguntou: E tem que vir quantas vezes à consulta? Uma vez por semana? A da recepção disse que não, que até podia ser de 2 em 2 meses, que as de psicologia é que poderiam ser mais mas que isso a psiquiatra é que depois havia de recomendar, que até podia não ser preciso.

Aflitos, disseram: Pois, se for muito a gente não pode. Depois a mãe disse ao pai: Se calhar havíamos mesmo de ver isso do seguro. E o pai disse: Pois, temos que ir ver. Imaginei que deviam estar a pensar que um seguro também não é barato. E não é.

Mas marcaram uma consulta e que iam convencê-lo a ir, porque começavam a sentir medo do que ele pudesse fazer. E lá saíram os dois, esmagados.


Fiquei numa ansiedade. Imagino o sofrimento de ver um filho assim, de não lhe conseguir chegar.

Não sei se no Serviço Nacional de Saúde não haverá psiquiatras e psicólogos que façam um tratamento atempado e de proximidade junto de jovens que começam a derrapar em planos perigosamente inclinados. Se calhar não, ou se calhar não em número suficiente.

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Agora, ao percorrer os jornais online, leio que o autor do acto bárbaro na igreja francesa era um jovem de 19 anos que desde há anos era problemático, tanto que ainda andava com pulseira electrónica, e que quem o acompanhou no acto foi outro jovem talvez ainda mais jovem. Vi a foografia: pouco mais que um menino grande.

Jovens como Adel, perturbados, que se sentem desinseridos -- ou Ali, o outro jovem de 18 anos, que matou tantas pessoas em Munique e que tinha perturbações de foro mental, tendo conhecido o outro jovem que o teria acompanhado no ataque no centro de apoio psiquiátrico e que tinha como ídolo o doido varrido do Breivik -- são verdadeiras bombas-relógio com as quais os pais não sabem lidar e, como se tem visto, nem os pais nem as sociedades.


Adel Kermiche virou-se para o Daesh porque é o que está a dar, a 'onda' mais mediatizada, enquanto Ali andava obcecado com a matança de Breivik, tão mediatizada cinco anos atrás.


Vê-se as fotografias de ambos e o que se vê são putos, adolescentes, jovens a quem, certamente, os pais não conseguem compreender ou amparar.


Claro que no Daesh qualquer destes infelizes jovens caem que nem ginjas na sua estratégia de marketing já que nem têm que os treinar nem influenciar: estão, por eles mesmos, prontos para fazer maluquices a eito e por conta própria.

Por isso, uma vez mais o digo: mais do que andarem por aí a falar em guerras religiosas, a imaginar grandes complots, penso que seria bom que quem manda percebesse o problema grave, endémico e profundo que tem em mãos. O mal maior não está fora das fronteiras da Europa: está dentro. Há um sentimento de desenraizamento e desesperança entre muitos jovens e esses sentimentos, muitas vezes, são maus conselheiros. Em minha opinião, deveria ser planeado, com urgência, acompanhamento sociológico/psicológico/psiquiátrico a todos os jovens identificados como jovens de risco.

Deve também, de uma vez por todas, encarar-se o grave problema do tráfico de armas. Se em França ou no outro dia num comboio foram usadas facas já o rapazinho de Munique, se não estou em erro, tinha um arsenal bélico em seu poder. Adquirido na dark internet, ouvi dizer. Certo. A internet não detectada, sites a que não se acede pelas vias normais. Ok. Mas teve que as pagar e o dinheiro é físico, e sobretudo as armas são físicas, materiais, não são virtuais. Circulam. A toda a hora se houve falar em rixas que acabam em tiroteio. Parece que meio mundo tem armas.


Se estou a ver bem o que se tem estado a passar, nenhum destes atrozes atentados teve na génese o Estado Islâmico. Se bem leio a realidade, tudo se tem passado às mãos de europeus desequilibrados: um adulto jovem desempregado, em processo de divórcio, perturbado, outro que sofreu bullying em miúdo e que vivia fechado na adoração de mitos bélicos, outro que sonhava com guerreiros do deserto que degolam prisioneiros, mais ou menos, tudo nesta base. 

O que a mim me parece, face ao que observo, é que estamos perante uma sociedade que não sabe interpretar a causa dos riscos, uma sociedade que gera líderes fracos como galinhas atarantadas, uma sociedade que explora até à náusea as desgraças sem as saber perceber e sem, sequer, perceber que a invenção de heróis que são uma espécie guerreiros do Daesh é um incentivo para adolescentes que não reconhecem outros 'idolos' que não os que as televisões e os jogos e filmes de guerra idolatram.


Nota: Comecei este texto refeindo uma conversa a que hoje, involuntariamente, assisti e derivei para o tema dos atentados. Contudo, não sei quais os riscos que tanto atormentam os pais que ali, por várias vezes, vi prestes a rebentarem em lágrimas.

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As imagens que usei são algumas das belas obras de street art que se podem ver em Lisboa e que, sabendo sou grande admiradora, Leitor a quem muito agradeço há dias me enviou. Poderão ver tudo aqui.

Lá em cima Benjamin Clementine interpreta The people and I 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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quarta-feira, julho 27, 2016

Michelle Obama: uma grande, grande mulher
[E uma FLOTUS que deixa o maridão, o POTUS, completamente derretido]



Há pessoas que parece que têm uma graça natural, que iluminam os espaços por onde passam, que revelam possuir bondade, elegância, convicção tudo em doses generosas e tudo em harmoniosa conjugação, que transportam uma capacidade de mobilização incomum, que evienciam dons de empatia inegáveis. Dessas pessoas se diz que possuem carisma

Michelle Obama é uma pessoa com elevada dose de carisma. 

Genuína, inteligente, com notórias capacidades de liderança, dela dizem que é também bem humorada, discreta, simpática. Mas é mais do que isso. Nos últimos 8 anos, Michelle soube mostrar o que é a suprema dignidade de uma mulher negra ocupar a Casa Branca (uma casa construída por escravos) e mostrar que isso não é bandeira mas sim motivo de orgulho, demonstrando que não é a cor da pele que importa mas o carácter, a vontade de servir os outros, o respeito pela democracia, pela liberdade e pela igualdade de opções.

Nesta época de pré eleições nos EUA, com um maluco banhado a ouro e em cujas veias circula a estupidez e a pesporrência, que a cada dia que passa se sai com mais preocupantes evidências do significativo acréscimo de perigos que o mundo vai correr se vier a ganhar as eleições, eis que Michelle sobe ao palco da Convenção Democrática e fala. E que discurso! Inspirador, emotivo, muito bem articulado. Apelando ao voto em Hillary, Michelle pode muito bem ter trazido aquele impulso de energia de que a candidatura de Hillary tão precisada está.


Esta imagem não deve, de forma alguma, ser visto coma um apelo à violência física
mas, sim,
como uma grande vontade de que o anormal do Trump seja posto fora de combate,
de preferência através de discursos como o de Michelle,
por ficar claro o drama que será para o mundo ter um palhaço
destes à frente dos EUA


Do princípio ao fim do discurso, transbordante de energia e convicção, Michelle emocionou os participantes, empolgou as hostes democráticas. E... uma vez mais, derreteu o coração de Barack.

Transcrevo:

Michelle Obama speech: Barack Obama's praise for First Lady is most shared message on on Twitter


President Obama 
@POTUS

Incredible speech by an incredible woman. Couldn't be more proud & our country has been blessed to have her as FLOTUS. I love you, Michelle.  
3:25 AM - 26 Jul 2016
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Mas nada como ver e ouvir 
(e o ver aqui é relevante pois há uma coerência absoluta entre as palavras e a expressão facial e corporal)

Discurso de Michelle Obama na Convenção Democrática


 

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E queiram, por favor, descer caso queiram partilhar as minhas reservas em relação ao comentadeiro João Taborda da Gama.

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Só uma pergunta: o que é que este João Taborda da Gama tem?


Graça? Inteligência? Brilhantismo na argumentação? Personalidade cativante?
What?

Aqui instalada em frente da televisão, sem querer apanhei com a figura a opinar. João Taborda da Gama anda pelas televisões, escreve nos jornais -- e, senhores, juro que ainda não tinha percebido porquê. Sou só eu que acho que dali não sai uma que se aproveite?

O homem não tem graça, não traz nada de novo, só diz e escreve banalidades, tem uma conversa que nem sequer é clara. 

Fui à procura de alguns dados sobre a personagem pois dele apenas sabia ser filho de Jaime Gama. Portanto, até hoje, pensei que o contratavam para que víssemos como nem sempre tal pai, tal filho ou como no melhor pano cai a nódoa.

Mas acabo de ler que, para além de professor na Católica (coisa que, em si, não tem mal nenhum) também foi consultor de Cavaco. E aí comecei a perceber melhor a escolha de quem o contrata. Só que estas escolhas -- que têm sobretudo pendor ideológico sem atender à qualidade -- são tiros nos pés. Gente maçadora com conversa oca com a qual não se aprende nada e que, ainda por cima, dá ideia de ser destiuída de verdadeiro sentido de humor afasta os telespectadores dos canais de televisão ou os leitores dos jornais. Despoluam, se faz favor. Arre.,,!

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terça-feira, julho 26, 2016

O cruzquini aprovado pela Santa Sé.
A digressão geriátrica dos Rolling Stones.
O crazy gun man Trump que ainda nos arriscamos a ter como Presidente dos EUA.
A napoleónica mãozinha de Hollande que lhe descaíu para a portinhola.
A Madame Cristas que falhou o seu momento Marilyn quando foi fazer uma visitinha a Marcelo em Belém.
O Love on Top da TVI, mais uma casa a cargo de Madame Teresa Guilherme, que mais parece feito numa casa de má fama.
E o Passos Coelho que não consegue levantar-se depois de cair no ridículo.


Se abaixo já partilhei um vídeo sério e interessante, agora aqui abaixo partilho duas fotos recebidas também por mail e que me deram vontade de ir à procura de mais.

Continuo com o disco repleto. Por isso, ainda não posso ver os vídeos ou power-points que me enviam em ficheiro mas apenas aqueles de que recebo o link do youtube ou, então, fotografias simples. Claro que poderia guardá-los no dropbox mas não estou para isso, não tenho tempo para gerir tanta trapalhada na internet. Por isso, não levem a mal que não me pronuncie sobre o que me enviam mas é que não consigo ver. De vez em quando, à noite, ponho-me aqui a ver o que posso apagar mas depois desisto porque me chateia estar a usar o meu precioso tempo em limpezas. E, portanto, com os discos a rebentar pelas costuras, desorganizada, prolixa na produção mas um zero na manutenção, aqui me têm.

Abrevio e passo a mostrar as fotos que recebi:

O Cruzquini - o fato de banho aprovado pela Santa Sé


Foto de uma digressão dos Rolling Stones daqui por uns 30 anos

E agora umas que descobri por mim e me apeteceu juntar:

A gente a brincar e o homem-banana com boca-de-pato a subir nas sondagens. Um pesadelo.

Napoleão, Sarkozy e Hollande e a mãozinha protectora
(a de Napoleão ali guardada parece que era para lhe sossegar o estômago. A do Hollande sabemos bem o que é que. nele, precisa de ser sossegado)

A Madame Cristas bem tentou ter o seu momento Marilyn mas a aragem poupou-nos

Há bocado, numa de zapping, vi o prgrama mais inenarrável da TV. Um grupo de criaturas parece que acabado de sair das casas de alterne no norte (os que ouvi pareceram-me ter sotaque do Porto) espojava-se por camas, espreguiçadeiras, numas conversas indescritíveis. Coisa com a mão de Madame Teresa Guilherme, claro. Uma rasquice que só vista. Como é que se permite a existênia deste lúmpen televisivo?

Estes não sei quem são mas têm piada
E é verdade: o triste do Láparo está cada vez mais ridículo. De cada vez que fala a gente, para não atirar um tomate à televisão, fica-se pela alternativa: rimo-nos a bom rir dos seus modos ressabiados, catastrofistas e descabidos
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E agora, para um vídeo instrutivo, queiram continuar a deslizar por aí abaixo.

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Yanis Varoufakis e Noam Chomsky falam sobre esta Europa descomandada


Sem mais, um interessante vídeo que recebi por mail e que muito agradeço. 


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segunda-feira, julho 25, 2016

Não, ainda não vimos tudo.
O fim dos tempos está a chegar, sim, mas vem muito devagariiiiiinho.
A ideia é ir-nos calcando os miolos, lentameeenntee, muito lentameeeeennnteeeee...
Só parar quando tivermos ensandecido. De vez. Todos.


Depois de, abaixo, já ter referido quão hot e, diriam os puristas, ordinário era James Joyce quando se inflamava escrevendo cartas igualmente inflamáveis para a sua apaixonada Nora, estava aqui a pesquisar umas cenas para trazer também aqui o tema da Diane Arbus que tão detalhadamente veio à baila no Público creio que deste domingo.

Mas as noites estão quentes, eu ando cansada -- para além do trabalho que não devia apertar nesta altura mas aperta -- tudo o que é caranguejo da família mais chegada tem estado a festejar aniversários (este fim de semana foi o quarto, com festejo cá em casa). Ou seja, o descanso, por um motivo ou por outro, nunca chega a ser retemperador.

Por isso, ponho-me para aqui bem intencionadamente à procura de imagens ou de filmes e dou por mim a capinar, meio adormecida.

Por isso, acabei de resolver: as disfuncionalidades da Diane ficam para melhores dias. O que despacho, e é já, é a prova provada que o fim dos tempos está aí e parece que veio para ficar.

Então não é que, nestas minhas erráticas deambulações, dei com uma das maiores parvoíces de que há memória?

Vai ser inaugurada no início do próximo ano uma igreja de vidro azul, especial para casamentos e sessões fotográficas, com facilidades para o serviço completo incluido biscoitos e sofás para 'lovers'. Tem 17 metros de altura, 11 de comprimento, custou 685.000 dólares e foi construída em tempo record, cerca de dois meses. Situa-se em Chiayi, em Taiwan, e o aspecto é do mais religioso que há. Imagine-se: um sapato alto.


Claro que já é uma atracção turística com aquela gente toda a fazer poses em que parece que estão com o sapato na mão ou a olharem para o macaquinho, nas selfies da praxe.

O mundo vai caminhando para a maluqueira generalizada. Provavelmente é assim que um dia, espero que daqui por muitos anos, isto vai acabar: tudo maluco.

Jovem com uma igreja na palma da mão

Só espero é que nesta linda igreja -- que até parece obra da nossa Joaninha-dos-Naperons e dos Sapatos-Feitos-com-Tachos -- venham a celebrar-se belos casamentos, com cerimónias lindas de morrer onde aconteçam momentos memoráveis que de imediato sejam partilhados com o mundo inteiro. Como estes aqui abaixo, por exemplo:

Grandes momentos em casamentos de 2016 
(incluem quedas que é aquele toque de romantismo que os casamentos animados devem ter)



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E para continuarem num ambiente de romantismo mas com mais sal e pimenta e num tom completamente diferente, queiram, por favor, descer até ao post que se segue.

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James Joyce em privado
[Todas as cartas de amor são ridículas...?]



Não escrevi muitas cartas de amor. Sempre vivi muito tête-à-tête com aqueles que tenho amado. Não sei o que é feito das que escrevi mas as que recebi nunca foram relidas. Parece-me que as expressões de amor apenas fazem sentido no contexto em que acontecem. Depois disso, lê-las parece-me ser puro voyeurismo. Se lesse as que recebi ou, pior ainda, as que escrevi talvez me parecessem ridículas, mimadas, de um amor exacerbado. Não sei. Por isso, destruo-as ou esqueço-as. Só me interessa o que acontece hoje. Tenho a certeza que, se as relesse, nada me despertariam, senão a incómoda sensação de violação da intimidade alheia.

Contudo, adoro receber cartas ou mails longos como cartas. E gosto de ler livros com cartas. E gosto de ouvir ler cartas, e, neste caso, em especial, cartas de amor. Surpreende-me o lado frágil. vulgar e tão inocentemente humano de pessoas que nos habituámos a admirar da sua actividade profissional (frequentemente literária ou de qualquer outro ramo artístico), tantas vezes tocada pela genialidade.

Joyce e Nora e os filhos

É o caso das cartas que James Joyce escreveu a Nora Barnacle, sua amante, mulher e musa cuja inteligência e sensualidade ateavam bem forte o fogo da paixão que os unia. São cartas carregadas de um erotismo desbragado que, indecente e compreensivelmente, são agora lidas em público.


Parte de uma carta manuscrita de Joyce para Nora

Carta de amor de James Joyce a Nora lida por Paget Brewster




Há vídeos com cartas de Joyce lidas por homens mas preferi ter aqui uma carta lida por uma mulher pois foi para uma mulher ler que ele a escreveu. Assim, talvez assim como Paget, a tenha lido Nora, a chegar ao fim a precisar de respirar fundo, de expirar profundamente, de qualquer coisa que aliviasse a tensão sexual que aquelas palavras lhe terão causado. (Digo eu).

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Não vi e gostava ainda de ver o filme sobre a mulher que tanto esbraseava James Joyce

Nora


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.

E que haja saúde, alegria, afectos e dinheiro para os gastos.

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domingo, julho 24, 2016

Pedrinho, Luisinho, Nini - e os sonhos que foram ficando pelo caminho
[Ou a história dos que andam correndo atrás de sonho que corre ainda mais rápido, mesmo rápido pra cacete]





Pedrinho sonhava de ser cantor de ópera, coisa séria, porque não até mesmo no S. Carlos? Sua companheira da altura, moça de girl band, incentivava. Vai Pedrinho, porque não? Vai ficar toda a vida abrindo porta? Ou fazendo bolo p'ra vizinhos? Vai que eu apoio você.

Pedrinho foi mas não deu certo. Filipe queria moço mais talentoso. Bem que Pedrinho tirou aula de canto mas não deu, faltava-lhe alma, para ser alguém nisso da cantoria não basta ser capaz de puxar dó de peito, tem que vir emoção junto. Por isso, voltou ao de sempre. De biscate em biscate, Pedrinho se foi safando, chegou onde nunca ninguém alguma vez acreditou que chegasse. A falta de vergonha na cara e de miolo na cabeça são boas aliadas das trepadas fáceis. Esteve quatro anos no poleiro fazendo desfeita p'ra todo o mundo, causando desgraça pr'ó país, e fazendo frete p'ra todo o poderoso. Até que caíu, sem perceber como, e não deixando boa lembrança. Ainda anda por aí, feito gente importante no exílio, bandeirinha na lapela, causando troça de todo o mundo. Mas Pedrinho não liga para bobagem. Sua inteligência não chega para tanto.

Outro é Luisinho. Quando era pequenino sonhou de ser grande. Mas quando era já hora de ser grande ainda ele era mindinho. Arranjou amigos grandes a ver se a grandeza era contagiosa. Não foi. Deu jantares em casa, estabeleceu contactos, foi ministro, agenda sempre bem nutrida, mas nada: minguingo continuou. Sonhou de ser chefe de partido, de ser importante, arranjou amigos entre a gente com dinheirão fresco nas malas, olhos em bico, tanto fazia. Fingiu de isento, de conselheiro, de comentador bem informado. Ainda por aí pisa mas, coitado do Luisinho, ninguém leva o pininim muito a sério. Sua catraice é ladina e seu sorriso parece de bom moço, mas já não leva ninguém no bico. Luisinho continua sendo aquele puto manhoso que se quer fazer passar por grande.

Ah, e o Nini. Nini sonhou de ser estimado como o outro que também começou nas Finanças e acabou eleito figura de Portugal. Nini queria isso, o reconhecimento. Andou sempre dizendo que não era político (apesar de viver dela), que pr'a alguém ser tão sério que nem ele só nascendo duas vezes e outras algaraviadas mal paridas do mesmo género. Todos os bêpêénes por que passou e todas as aleivosias que foi construindo foram fazendo com que fosse cada vez mais desprezado pelo povo, mas o Nini é outro que não se enxerga. Acabou fazendo comentário brejeiro sobre fornicação de cavalo e lisonjeio pr'a vaca, cagarra e, na fase final, até pr'a banana. Assim sua esposa, a gaiteira D. Maria, possessiva como uma velha governanta, não ia pegar no seu pé. No fim, saíu pl'a porta baixa, todo o mundo desejando ver a múmia ressabiada p'las costas. De vez em quando, todo o mundo pensando que a enfernizada criatura se mantém esquecida a escrever inúteis roteiros, volta a sair à cena. Mas só em situações inconvenientes é que dá as cara: para ver se ainda chateia alguns. Aí, vem na dele, continuando a insinuar que sabe muitos segredos e acreditando que alguém está p'ra se interessar pelas suas inventonas pueris. Só pode ser por caridade que ainda ninguém lhe disse que se pode deixar ficar na rósea palaçota, que lá é que está bem. Coitado do Nini.

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O que acima escrevi foi inspirado no texto da Revista Bula, da qual transcrevo abaixo um excerto

ESTOU CORRENDO ATRÁS DE UM SONHO, MAS ELE CORRE RÁPIDO PRA CACETE


Felipe sonhava em construir foguetes para a NASA. Imaginem só, um brasileiro na agência espacial norte-americana. Dizem que já existe um por lá fazendo feijoada, tocando pagode, pensando em esquemas. Coisas de Brasil. Felipinho tinha talento nato para fugas homéricas do planeta. Com a cabeça no mundo da lua, hoje ele bate o polegar em beira de estrada, pede carona para qualquer pessoa que veja, vai para qualquer lugar que seja, desde que siga em frente. Para onde o nariz aponta qualquer lugar serve. Sua mente solitária é confusa, ferve.

Rebert sofria excesso de verve. Sonhava em ser mais famoso do que Jesus Cristo e os Quatro Garotos de Liverpool juntos. Um escândalo digno de se espatifar discos de vinil na cara dele em praça pública. Convertido ao mais completo ateísmo e abissal anonimato, ele carimba (com toda descompostura, é bom que se diga) alvarás na secretaria municipal de códigos de postura. Ganhou notoriedade entre os despachantes por cobrar cafezinhos para liberação das licenças. O sonho não somente acabou, como Rebert se transformou numa espécie de pedra rolante, a passar por cima de tudo e de todos, inclusive da lei vigente e do seu extinto entusiasmo adolescente. 

(...)

Zecarlos sempre fora o mais sonhador de todos os sonhadores dessa joça que estou a escrever, pois sonhava, não apenas por si, mas pelo resto da humanidade. Aquelas coisas de paz mundial, de fim da opressão, de justiça social, de distribuição da renda, love and peace e outros delírios que carregava desde 1968. As pessoas rotulavam-no como um político de esquerda, mesmo que ele não fosse filiado a nenhum partido, senão ao coração partido de que cantava Cazuza. Portanto, tinha um altruísmo que poucos compreendiam. Era gentil demais, constrangedor demais. Duvidam dele. Desconfiavam que ele possuísse interesses escusos por trás daquela sanha de justiça. Ora, ninguém era capaz de amar ao próximo daquele jeito. Zecarlos não era santo (já fora acusado de ter alma feminina e um pacto com o cão). Ele continua a correr atrás do sonho de um dia vivermos todos em paz, como irmãos.

Paulo Laranja nunca sonhou com porra nenhuma. Nada que merecesse ser ressalvado aqui nesse texto, e ponto final. Aplacado por um ceticismo revoltante (de arrancar santos-de-barro do oco), nos incontáveis meses de vida que os médicos lhe atestaram (afinal, arrancaram-lhe cerca de sete metros e meio de tripas, e nem assim foram capazes de fazer nele um coração), contenta-se em escrever crônicas semanais para uma revista literária (a menos lida no seio familiar e no seu vasto círculo de ex-amigos). Ele se ocupa em enterrar esperanças. PL teve o disparate de batizar a sua coluna semanal como Cemitério de Sonhos. Vai ser desagradável assim lá em casa.


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As imagens, como é bom de ver, não têm qualquer relação com o texto que, como também é bom de ver, pelo menos na parte que me diz respeito, também estão muito aquém da realidade. São apenas fotografias a que acho piada da autoria do fotógrafo francês Maurice Renoma que, no início deste ano, teve a sua obra exposta em 7 lugares distintos em Paris.

A senhora que lá em cima canta a plenos pulmões é Edita Gruberova cantando a Cunegonde da ária "Glitter and be gay" da opereta Candide de Leonard Bernstein.

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