Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, fevereiro 28, 2015

One sleepy woman - que é como quem diz: se soubessem a pedrada com que estou depois do vendaval que houve aqui em casa...!


Two sleepy people by dawn's early light
And too much in love to say goodnight






Depois de um dia de trabalho, fui buscar dois dos pimentinhas e trouxe-os cá para casa. Juntou-se-nos a troupe completa do outro lado. Éramos oito num jantar preparado à pressão. 
Arroz branco a acompanhar cheese-burgers caseiros. Comprei na quinta à noite lombo que pedi para picar. Esta sexta à noite temperei com sal e separei em porções. Espalmo uma bola de carne, depois ponho um bom bocado de queijo ralado, quase uma bola, e faço uma tampa com outra porção de carne picada. Espalmo para ficar com formato de hamburger. Frito os hamburgers em azeite com dentes de alho e louro. O queijo por dentro fica derretido, bom. Entretanto, o meu marido tinha ido buscar duas pizzas grandes feitas em forno de lenha, uma com frango, queijo, nozes e rúcula e outra vegetariana com queijo de cabra e espinafres, deliciosas. Fiz salada com alface, agrião, rúcula, tomate, maçã e mozzarela fresca, temperada com azeite. 
Festa como sempre. Depois de jantar vão a correr para uma das salas e a brincadeira agora é que é dia de festa, têm que arranjar a sala, afastar móveis, reorganizar tudo para poder acomodar os convidados, cadeiras de um lado, zona da comida do outro. Claro que é ela que distribui os papéis e os os rapazes carregam puffs, cadeiras, mudam almofadas, afastam sofás. Uma coisa do além, em menos de um foguete fica a casa virada do avesso. Apesar de tudo, é preferível isso a irem buscar brinquedos e ficarem pecinhas por todo o lado, debaixo de tudo.




Depois saltam, brincam.

Mas hoje fizeram uma avaria terrível. Há que tempos que eu temia isto. Foram à cozinha perguntar-me se a festa a seguir era o Natal e eu respondi que era a Páscoa. Então, num ápice, a conversa virou para coelhinhos e caça ao tesouro e, em segundos, já andavam todos a esconder coisas para a caça ao tesouro. Avisei-os mil vezes que não queria que mexessem em caixinhas de louça ou peças de vidro. Mas, quando dei por ela, tinham escondido uma coisa dentro de uma caixinha da Vista Alegre e tudo muito à pressa porque era proibido, um levantou a tampa e a tampa escorregou e foi bater na pedra da lareira e a tampa fez-se em duas. Ficaram aflitos, e desculpa Tá, desculpa, claro, e eu desolada. Tenho que, este sábado, arranjar uma cola para cerâmica a ver se consigo que fique quase sem se dar por ela. Bolas. O meu marido acha que a culpa é minha, claro, tinha que ser. Que para que é que tenho porcarias por todo o lado? Mas vou pôr onde? Tudo encafuado? A pedra de cima da lareira está atafulhada, era um sítio onde não chegavam, fui pondo para lá tudo o que estava mais abaixo. Agora já lá chegam.

Enfim. Adiante. Todos os males fossem esses.

O mais crescido agora anda com umas cartas que parece que têm hologramas lá dentro, conhece aqueles animais ou monstros ou seres estranhos ou lá o que é aquilo pelo nome e lê os dizeres das cartas e depois vem colocar-me questões sobre o que lê. Não consigo esclarecê-lo porque nada daquilo me é familiar. Têm poderes, fazem coisas que não percebo. 

Ela ri-se à gargalhada, perdida de riso, com as brincadeiras malucas dos rapazes. Volta e meia lá consegue que eles lhe obedeçam naquelas suas organizações mas logo eles se tresmalham e já andam a dar saltos de cima das banquetas ou às lutas.

O mais pequeno trata o primo mais velho pelo segundo nome que é um apelido. Como têm os dois o mesmo nome próprio, ele adoptou, por sua alta recriação, essa estratégia. Imaginem que o segundo nome do primo era Medeiros (que não é, mas é do género). Mas então trata o primo por 'primo Medeiros', o que soa o máximo, um puto de dois anos a dirigir-se ao primo de seis como o Pimo Medeios. E a brincadeira preferida é bater no Pimo Medeios. Como se pode imaginar, o primo defende-se e, por isso, volta e meia dá-lhe com cada piparote que até dói. Por mais que a gente lhe diga para ter cuidado porque o outro é pequenino, numa de instinto de defesa, o outro quase voa. Claro que, habituado como está, ele nem se torce nem se amolga, levanta-se e está como novo, pronto para voltar a picar o Pimo Medeios.




O possante ex-bebé, autêntico carro de choque, continua na do outro dia. O avô perguntou-lhe: Então, pá, já comeste algum patinho? Pesaroso, disse que não. O avô diz-lhe que, para a próxima, vamos ter pato à Pequim para o jantar. Ele não deve fazer ideia do que é Pequim mas ouve pato e diz que está bem. Depois acrescenta: 'E piu-piu tamém, tamém gótu comê piu-piu'. Fico estarrecida. Confirmo 'Piu-piu...?' e ele diz que sim mas depois acrescenta 'Mas como vamo bujcá ó chéu? Os piu-piu andam no chéu...' Lá lhe digo que esses não se comem. Credo, para o que lhe havia de dar. No meio da semana saíu-se com outra. Disse à mãe que queria comê puquinos. A mãe admirada, puquinos? E ele, tipo hello..., disse 'Mãe... rhrh-rhrhr', fazendo o barulho dos porcos. E acrescentou 'Eu gótu comê tudo, as oêlhas, as patinas'. 

Deve ter sido porque no outro dia, quando comemos cozido à portuguesa, o tio mostrou-lhe que comia tudo isso, deu-lhe a provar e ele, muito admirado, e apesar do incómodo da mãe, comeu e gostou. E agora anda armado em carnívoro troglodita, a pensar em comer tudo o que mexe, credo. 

Enfim. 

E comem que nem uns lobos. Jantaram como se não comessem há dias. Pois bem, há bocado o dito ex-bebé quis comer pão. Os tios e primos já se tinham ido embora e eles os dois não queriam dormir, na perspectiva de ainda irem dormir à sua própria casa. O avô arranjou-lhe uma sandes enorme, um despropósito, com duas fatias grandes de pão saloio com manteiga. Quis também com queijo. E, quando a sandocha já ia a meio, perguntou-me 'E não há chaumão fuimado?' Salmão fumado à meia-noite? Que não, já não tinha, já tinham acabado com ele antes de jantar. Por isso, ficou-se por ali. O mais crescido estava era numa de um prato de cerelac. Provavelmente comeu-o quando chegou a casa. Não há explicação.

Resultado? Só consegui pegar no computador há bocadinho e, nem imaginam, estou completamente perdida de sono, mal consigo escrever, nem sei se o que acabaram de ler faz algum sentido. Vim aqui só mesmo para vos dizer que gosto que saibam que penso em vocês, meus Caros Leitores, que não quero deixar de vos dizer olá. Tenho vários mails para responder, um dos quais muito especial e ao qual quero responder com tempo e cuidado. A ver se este sábado ou no domingo consigo pôr as respostas em dia mas já não digo nada pois, quando penso que não tenho programa para cada hora do dia, logo, logo, alguém se encarrega de a preencher. Mas, como é sabido, não me queixo, tenho é uma sorte do caraças - mas, depois, aqui, enquanto escrevo, bocejo, fecho os olhos, deixo-me dormir.

Vou mas é para a cama a ver se durmo de olhos fechados, se sonho com música desenhada nos ares, com folhas voando como pássaros, com surpresas boas, com esperados e inesperados afectos, com letras que se desenhem no meu coração, com sorrisos verdadeiros, com abraços que me aconcheguem a alma.



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  • A música é Two Sleepy People por Silje Nergaard
  • As fotografias são de Anil Saxena (de Mumbay, India) que usa o photoshop para fotografar sonhos.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Zeinal Bava e o tableau de bord para o qual não olhava nem tinha que olhar. De resto, parece que não sabia nada mas também não tinha que saber. "É um bocadinho de amadorismo para quem ganhou tantos prémios de melhor CEO da Europa, não é?", atirou-lhe (e bem) Mariana Mortágua, uma deputada valente que anda a mostrar à Assembleia da República o que é profissionalismo. Zeinal sorriu, confiante, e aos costumes disse nada.


No post abaixo, dou um tautauzinho ao António Costa. Ainda não é caso para dramas mas é bom que ele perceba que o País espera uma forma clean de fazer política: nada de servilismos, nada de fretes. Disso estamos nós fartos que, nestes anos de PSD/CDS, não temos assistido a outra coisa. Limpinho e direitinho é assim que a gente espera que ele se apresente ao país, sem calculismos ultrapassados, sem deambulações à toa, sem passos em falso. Para a frente é que é caminho e tem que se perceber para onde é que se vai. 

Mais abaixo ainda há anedotas e piadiolas que metem velhinhos. 

A seguir, portanto. Aqui, agora, a conversa é outra: o jetset na gestão à portuguesa.

Sobre o acompanhamento musical proposto, agradeço primeiro a leitura do que se segue.


Atenção!

Disclaimer: Este vídeo não tem nada a ver com a nata da gestão de que abaixo vou falar nem é nenhuma indirecta para nenhuma das individualidades que vou referir. Este vídeo não é adequado a um blogue de família nem deve ser visionado por menores, virgens ou beatas. Este vídeo refere-se a uma canção cuja letra pode ferir os ouvidos dos leitores mais sensíveis. Este vídeo deve ser daqueles que o blogger não gosta nem um bocadinho. Só deve fazer play quem for duro de ouvido, duro de alma e gostar de pisar o risco. 

Avisei.




Ora bem. Vamos lá, então.

Tantas vezes aqui o tenho dito. Portugal tem um tremendo défice de empresários e gestores profissionais. Ou são de tipo pato-bravo, daqueles que confundem o género humano com o Manuel Germano, ou são aprendizes de qualquer coisa. Para poderem sentir-se ungidos pela sorte divina, intitulam-se CEO, CFO, etc. Vivem de power-points, de reuniões com consultores, circulam apressadamente entre sessões de apresentação de qualquer coisa, a lançar projectos de sustentabilidade, ética, etc, ou a receber prémios, ou a dar entrevistas, ou em almoços ou no que quer que seja - actividades que, de facto, em termos objectivos, pouco têm a ver com gestão a sério.

Zeinal Bava assegura que não tinha conhecimento de quem eram os responsáveis pela decisão das aplicações financeiras da PT no BES e no GES, nomeadamente os 500 milhões de euros que foram colocados na ESI em maio de 2013, quando ainda era presidente da PT SGPS. No entanto, o gestor não esconde que sabia da enorme exposição da PT ao GES e ao BES, até porque havia um "tableau de bord" que circulava de três em meses onde estava toda a informação.

E Zeinal diz que não sabe e que nem tinha de saber. Os deputados insistem e ele sorri, habituou-se a usar o sorriso como um precioso asset, ele é a chave do seu goodwill. Pelo menos, era. E volta a dizer que tinha confiança, que era tudo sólido, que ele nem precisava de ver, confiava que alguém via por ele. E sorri. Não desarma. Mas a conclusão que se retira é que, de facto, não sabia de nada do que lá se passava.


E todos os outros também não sabiam e também achavam que não tinham de saber. E os do BES também. Recebiam milhões em variáveis e em fixos porque atingiam os goals e estava tudo regulamentado porque há comissões de vencimentos e há modelos de governance e há auditorias para todos os gostos e há tudo o que é suposto haver.
Só não há gestão profissional. E, por isso, de facto, ninguém sabe bem o que se passa nas empresas onde são ou executive ou chairman.
Habituaram-se à vida de ricos, desabituaram-se de trabalhar - confundem estar nas reuniões a olhar para os ipads ou a mandar mails irrelevantes, confundem estar sempre a olhar para o telemóvel ou a receber ou a fazer chamadas ou a enviar sms, geralmente a marcar reuniões ou almoços ou pequenos almoços, ou a marcar viagens ou a alterar planos de voo, ou a aprovar os hotéis, com trabalhar.

E participam em torneios de golf ou de ténis ou em caçadas com colegas, stakeholders ou amigos, e, pelo meio, participam em reuniões de quadros, ou em acções de team building, ou fazem a introdução em sessões de brainstorming e fomentam o voluntariado e estão em cima de tudo o que for preciso.

Só da gestão é que não.

Claro que depois há uma máquina a funcionar, direcções, coordenações, supervisões, chefias intermédias, toda a espécie de serviços, e há outsourcings para tudo e mais alguma coisa, e há informação em barda, relatórios, data mining e tableau de bord e dash board, e há KPI's para todos os gostos e há cockpits e monitorizações e há depois avaliações porque toda a gestão se faz por objectivos e toda a gente recebe prémios e, se a avaliação não é boa, há planos de acção... e há tudo o que se possa imaginar.


E, por estarem à frente de companhias certificadas a todos os níveis (voltou a estar na moda dizer 'a companhia' e não 'a empresa'), recebem prémios de excellence e doutoramentos honoris causa (concedidos pelas universidades que essas empresas sponsorizam) e as revistas de negócios e gestão (que vivem em parte dos seus anúncios) fazem artigos com eles e eles convidam jornalistas e os jornalistas entrevistam-nos e eles aparecem a falar da fraca qualidade da gestão pública e do ajustamento de que o país ainda necessita e é um círculo virtuoso em que abundam os sorrisos, a complacência, a qualidade de vida, a perfeição.

E isso tudo.

Só gestão é que não.

Cavaco Silva, com o seu olho de lince, viu logo que tão ilustre figura deveria ser condecorada, É que ele, Cavaco, ilustre economista, sabe distingui-los a olho nu.

De qualquer forma, a lista impressiona. Aos 49 anos Zeinal Bava já conta com as seguintes distinções:
  • 2009: Melhor CEO na área de Investor Relations no âmbito do “Investor Relations & Governance Awards (IRGA)”, uma iniciativa da Deloitte.
  • 2010: Melhor CEO no setor de Telecomunicações da Europa, pela Institutional Investor. Melhor CEO em Portugal pela Extel.
  • 2011: Segundo melhor CEO europeu no setor das Telecomunicações e melhor CEO em Portugal, pela Institutional Investor.
  • 2011: Melhor líder português em empresa privada, pelo Best Leader Awards, promovido pela Leadership Business Consulting
  • 2012: Melhor CEO em Portugal e melhor CEO do setor de telecomunicações da Europa, pela Institutional Investor.
  • 2014: Enquanto CFO do Grupo PT, foi eleito por três vezes consecutivas em 2003, 2004 e 2005 como o melhor chief financial officer (CFO) da Europa no setor das telecomunicações, pela Institutional Investor.

A 9 de Junho de 2014 Zeinal Bava foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial Classe Comercial.




Repito: só gestão é que não.
Sabem tudo, controlam tudo, ao pormenor. Só os milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões é que não. Desses ninguém sabe muito bem por onde andam.
E com gente deste gabarito se afundou o Grupo GES e se deu cabo do BES, e se afundou a PT e milhares de pessoas perderam economias e andam agora com cartazes à porta das agências. Choram, dizem que era o dinheiro de uma vida.

Com a PT a mesma desgraça. Uma desvalorização bolsista sem igual. Empresas a quem foram suspensos contratos, muita gente a ver-se sem emprego de um dia para o outro.

Mas Zeinal Bava continua a sorrir. Certamente pensa nos milhões que ainda tem a haver. Afinal atingiu sempre todos os seus objectivos.

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E sobre estes artistas é isto - e mais não digo para não me indispor.

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A canção que espero que não tenham ouvido e que, reconheço, está aqui completamente deslocada é, com vossa licença, o Hino das Putas numa interpretação dos Irmãos Catita onde pontua o grande Manuel João Vieira. O videoclip foi apresentado durante o espectáculo "O artista Português é tão bom como os melhores"

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Sobre António Costa e o seu deslize chinês falo já a seguir.

E, mais abaixo, há anedotas e chalaças.

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Ainda não foi hoje que acabei a história pornográfica que mete uma sessão de sexo a transbordar de adrenalina num lugar público, a saber, num centro comercial. Era mesmo para ser hoje, já estava quase pronta. Mas, entretanto, passou na televisão a reportagem das pessoas aflitas por terem perdido o dinheiro que investiram em papel comercial do GES e, logo a seguir, vi o Bava com  o seu sorriso inabalável e vi-me forçada a largar o conto inocente que tinha em mãos para me atirar ao desagradável assunto acima vertido. Enfim. A ver se algum dia a dita história sai à cena.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

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António Costa, que ainda está na fase dos baby steps, já conseguiu espalhar-se ao comprido, armando-se em pupilo do Cavaco e do Passos para chinês ver. Não correu bem, definitivamente não. A ver se atina para a gente não ter que se zangar, ó seu Costa!


No post mais abaixo temos o momento diário de humor no Um Jeito Manso: anedotas e graçolas sobre velhinhos - e, por amor da santa..., nada contra velhinhos, tomara que todos cheguemos a velhinhos larocas, bem dispostos e bem humorados. 

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, tenho que me virar para o PS. Tenho pena mas tem que ser.

Numa altura em que 

  • o Governo leva tareia de todo o lado, com Bruxelas a puxar orelhas de toda a espécie: ele é a pobreza que tem sido desprezada, ele é o salário mínimo a alastrar como uma mancha de óleo nojenta, ele é o desemprego que não dá mostras de abrandar; 

  • e em que os médicos não param de demitir-se deixando os hospitais entregues ao caos em que o Macedo os colocou, 
  • e os alunos ficam retidos no mesmo nível para além do que é normal noutros países, 
  • e o investimento se encontra paralisado, e a economia apresenta um crescimento anémico, quase nada, abaixo do esperado,
  • e não se descortina alguma coisa de boa,

o António Costa, naquele encontro com os chineses, arranjou maneira de dizer uma pateguice tão despropositada que todo mundo se esquece da desgraça em que está o País para se entregar à discussão do que ele disse ou deixou de dizer.


Vem agora dizer que foi uma questão de defender o interesse do País face a investidores estrangeiros. Pois que o fizesse sem parecer estar a gabar a actual política governativa. Foi um tiro no pé e daqueles que deixa os seus potenciais apoiantes de pé atrás com medo da pontaria dele.

A Leitora JV, que é impetuosa e exprime os seus pontos de vista com uma energia transbordante, deixou-me um comentário sobre esta gaffe do António Costa (que espero bem que tenha sido episódio único) que passo a transcrever:
A UJM pergunta: "o ajustamento imposto a Portugal pelo Governo PSD/CDS com o apoio da Troika não era um sucesso do catano? Não éramos o bom aluno em que todos deviam pôr os olhos?" 
O António Costa responde: sim, sim, estamos muito melhor! http://expresso.sapo.pt/a-frase-de-costa-que-a-direita-aplaude-portugal-esta-melhor-que-ha-quatro-anos=f912386  
Pode vir o Pedro Santos Guerreiro (http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/25-02-2015/caderno-1/opiniao/o-melhor-esta-sempre-para-vir) dizer que é uma questão de comunicação, que António Costa se referia apenas ao investimento direto estrangeiro, mas eu que sou leiga, nunca ouvi falar na "crise do investimento direto estrangeiro", apesar de precisarmos dele como de pão para a boca, assim como nunca ouvi falar na "crise do aumento do preço do passe" apesar de ele ter aumentado bastante, por isso, quando AC fala em "vencer a crise", entendo que é a crise em geral.
Não era AC que dizia que "se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou. A mudança necessária exige ruptura com a actual maioria e a sua política", dizendo que a austeridade não era para ser discutida em termos de ritmo ou dose, mas de oposição frontal (a citada "rutura")? Não foi assim que ele se demarcou do Seguro? 
Este governo não deixou ao cabo de 3 anos e tal o país num estado pior? Eu acho que sim e julgava que AC também. Se estamos melhor, se o caminho a seguir é o que tem sido seguido por este governo, se já vencemos a crise, para quê votar no PS nas próximas legislativas? Para quê mudar de Governo?  
Falhas de comunicação são sinal de muita confusãozinha na cabeça. Por que é que AC não dizia que agradecíamos aos amigos chineses pelo contributo numa fase difícil e que eles tinham feito bem em apostar em Portugal, pois teriam com certeza o seu retorno, até porque se avizinha uma mudança no panorama português com as legislativas, aproximando-nos cada vez mais da fase da retoma? Sei lá, qualquer coisa assim... agora dizer que vencemos a crise...

Concordo com as palavras da JV. 

Já com as isenções de taxas ao Benfica parece que também há para aí qualquer coisa - que ainda não percebi bem. Mas, do que ouvi à Helena Roseta, a coisa também não me agradou.



Ainda falta algum tempo para as eleições, é certo. E não é morte de homem, também é certo. Mas há um caminho a percorrer. Se o António Costa tem mais imprecisões ou vacilos destes então desde já lhe digo que a coisa não augura nada de muito bom. A ver se atina. 

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E desçam, por favor, para as anedotas.

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Dois amigos no bar. A idade é uma coisa tramada. A mulher com o marido no hospital.


Dois amigos estão num bar, quando um deles diz:

- Estás a ver os dois velhos naquela mesa ?

- Estou, porquê ?

- Daqui a uns vinte anos estamos assim!

O outro olhou e disse:

- É pá, ó Zé, é melhor é parares de beber. Aquilo é um espelho, porra!


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Gato Fedorento - Converseta entre dois velhinhos


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Gang dos Cotas



E viva a vida!

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quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Bruxelas coloca Portugal sob vigilância apertada por "desequilíbrios excessivos" sobretudo devido à sua elevada dívida e ao alto desemprego. Pornografia pura, explícita. O Sá Leão e a Erica Fontes são uns meninos do coro ao pé dos artistas que nos meteram nesta. E esta é a 4ª anedota desta noite.


Depois de mais abaixo ter partilhado convosco três anedotas e respectivas imagens que nada têm a ver com conteúdos sexualmente explícitos muito menos com pornografia, aqui vou desafiar o Blogger, falando de um assunto que não é erótico, não é sexy mas que é pornografia explícita, afrontosa, coisa de fazer despertar em nós maus instintos, instintos primários.


A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira que, no quadro das análises feitas no contexto do semestre económico, decidiu colocar cinco Estados-membros, entre os quais Portugal, sob "monitorização específica", por desequilíbrios económicos excessivos.


"Concluímos que cinco países - França, Itália, Croácia, Bulgária e Portugal - apresentam desequilíbrios excessivos que exigem acção política e monitorização específica", anunciou o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici (na foto).

Numa conferência de imprensa convocada à "última hora" - a divulgação do "pacote económico de inverno", que dá seguimento ao relatório do mecanismo de alerta de Novembro passado, estava prevista apenas para sexta-feira -, o comissário explicou que Portugal foi colocado no grupo de países com desequilíbrios excessivos sobretudo devido à sua elevada dívida.

"Em Portugal, apesar de progressos consideráveis durante a implementação do programa de assistência, permanecem riscos importantes ligados aos níveis elevados de dívida, tanto internamente como externamente, e alto desemprego, e por isso concluímos que Portugal também deve ficar na categoria de desequilíbrios excessivos", justificou Moscovici.

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Mas então, ó caraças, o ajustamento imposto a Portugal pelo Governo PSD/CDS com o apoio da Troika não era um sucesso do catano? Não éramos o bom aluno em que todos deviam pôr os olhos? E Marilu não era o nome da caniche do Schäuble? Bolas. Mas então o que é que correu mal, ó meus?


Bem tenta ser bom aluno, este Passos, mas não consegue mesmo.
Por mais que marre, por mais que bajule, não atina mesmo, este Passos.

Não percebe nada de nada.

E há-de ir-se embora sem ser capaz de pedir desculpa aos portugueses.
É que nem bem educado é.

Um parêntesis:
(...) Os jornalistas, triste figura, atrás da “boca” de circunstância. Que mensagem informativa se passa com este tipo de trabalho? Enfim. Vinham em barda, sim. Corriam como búfalos na savana, sim. Agora uma pergunta de circunstância: “então não prova os doces, senhor Primeiro-Ministro?” E a resposta de circunstância. Vazia. E seguia a banda. E agora outra pergunta de circunstância, mas – importante - para o directo da tv. Ajeita o cabelo, sabe que está na tela. Estridente a perguntinha: “e tem motivos para brindar? Vai brindar ao quê, Senhor Primeiro-Ministro?” Gargalhadinhas dos assessores e daquele amontoado de gente. E a resposta vazia. E mais uns empurrões. E segue a banda. 
E não é que entre os queijos de São Jorge, as cortiças do Alentejo e os tamancos do Minho o homem falou sobre o Plano Grego apresentado em Bruxelas? E não é que com os dedos peganhentos da Ginginha e à frente do boneco cabeçudo do Galo de Barcelos, o homem falou sobre a Grécia? Não é inacreditável? Não há sentido de Estado na savana. (...)
(in 'Da selvajaria ou a savana à portuguesa')


Mas não é só ele!

Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas (e a Marilu, claro, e vários outros): todos responsáveis por Portugal estar como está, mal, mal, e, portanto, sob vigilância apertada por desequilíbrios excessivos.



Uma vergonha. Uma pornografia daquelas que corrói a cabeça, a alma, e a carteira da gente. 

Esta gente corrompe mil vezes mais as nossas mentes que o grande Sá Leão e a habilidosa Érica Fontes que não fazem mal a ninguém. 

Estes não aumentam a dívida, não aumentam o desemprego, não provocam emigração, não atentam contra a dignidade dos portugueses nem fazem com que Portugal fique sob vigilância apertada.
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E só quero ver quais das imagens deste post é que o Blogger vai considerar impróprias.

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Relembro:

Transcrição do aviso do editor de blogues, Blogger, que agora nos aparece no painel de entrada
A 23 de março, o Blogger deixa de permitir determinados tipos de conteúdos sexualmente explícitos. 

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Para terminar, uma canção inocente (que não tem nada a ver com isto mas apetece-me ouvir enquanto escrevo), sobre umas imagens igualmente inocentes (com um ou outro errozito ortográfico na letra que aparece nas imagens mas, enfim) daquelas que não aumentam a dívida nem ferem a moral nem os bons costumes.

Não sei é se também não será banida ou se a partir de 23 de Março não me retirarão o Um Jeito Manso do ar. Ui.

Mundo Cão - "Anos de Bailado e Natação" ou o 'Bandido solitário'


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E permita, Caro leitor, que recomende: se quiser seguir para bingo e ler histórias sobre prostitutas, pénis e morenas, é só descer um pouco mais (antes que sejam banidas, claro!).

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E, por hoje, por aqui me fico que tenho que ir dormir. Estava numa de escrever uma história pornográfica sobre sexo num centro comercial da capital depois de um escaldante encontro numa livraria mas o adiantado da hora está a desinibir-me e ainda corro o risco do blogger também censurar a historinha. Por isso, deixo-a para quando estiver bem acordada para poder controlar melhor a inspiração.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quinta-feira!

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Cirurgia ao pénis - [1ª de 3 de anedotas muito santinhas, todas de sexo implícito, a ver se os senhores do Blogger não vêm pegar no meu pé]


Aqui há tempos, um indivíduo sofreu um terrível acidente e o seu pénis foi dilacerado e arrancado. 

Foi atendido no Hospital de Santa Maria e o médico assegurou-lhe que a medicina moderna podia pôr-lhe um 'instrumento' novo, mas que o seguro de saúde não cobria a cirurgia, já que a mesma é considerada cirurgia estética.

O médico, um ilustre cirurgião estético da nossa praça, informou-o acerca dos preços da cirurgia:

- 3.500,00 €, para um pénis de tamanho pequeno;
- 6.500,00 €, para o tamanho médio;
- 9.000,00 €, para o de tamanho grande.

O homem aceitou imediatamente mas ficou na dúvida se havia de implantar um médio ou um grande. 

O cirurgião, então, aconselhou-o a conversar com a mulher antes de tomar uma decisão.

O homem assim fez.Todo entusiasmado, telefonou à mulher e explicou-lhe o que se passava.

No fim da chamada, o médico viu que ele estava visivelmente incomodado, mesmo deprimido, e perguntou-lhe:

- Então, o que é que o senhor e a sua mulher decidiram?

O homem, cabisbaixo, responde-lhe:

- P.... que a pariu! Diz que prefere remodelar a cozinha...

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Relembro:


Transcrição do aviso do editor de blogues, Blogger, que agora nos aparece no painel de entrada


A 23 de março, o Blogger deixa de permitir determinados tipos de conteúdos sexualmente explícitos. 


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O velhinho vai às meninas [2ª de 3 anedotas, todas de sexo implícito a ver se os senhores do Blogger não vêm pegar no meu pé]


Um velhinho caminhava tranquilamente quando passa em frente a uma casa de meninas. Uma prostituta grita:

- Olá avôzinho! Não quer dar uma voltinha? Venha lá, fofinho, experimente...

O velhinho responde:

- Não, filha, já não posso!

A prostituta, pensando que podia ganhar alguma coisinha:

- Então, ânimo com isso! Venha... vamos tentar, vai ver que consegue...

O velhinho entra e funciona como um jovem de 25 anos… 3 vezes e sem descanso.

- Élahhh! – diz espantada a prostituta. E ainda diz que já não pode?!

E o velhinho responde:

- Ahhh, o sexo eu posso, o que não posso é pagar! Tinha todo o meu dinheiro em papel comercial do BES.


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Relembro:


Transcrição do aviso do editor de blogues, Blogger, que agora nos aparece no painel de entrada



A 23 de março, o Blogger deixa de permitir determinados tipos de conteúdos sexualmente explícitos. 



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Finalmente, uma anedota sobre morenas [3ª de 3 de anedotas, e esta nem é de sexo, nem implícito nem explícito, a ver se os senhores do Blogger não vêm pegar no meu pé]


Uma jovem morena vai a um consultório médico e queixa-se de que todos os lugares do seu corpo doem quando ela os toca.

- Impossível - diz o médico. Mostre-me lá como é que isso acontece.

Então ela encosta o dedo no seu próprio ombro e grita de dor.

Depois ela encosta o dedo na perna e grita.

Encosta no cotovelo e grita, e assim por diante.... Em qualquer lugar em que ela se tocava, ela gritava.

O doutor perguntou:

- Você não é morena natural pois não?

- Não... Na verdade eu sou loira.

- Foi o que eu pensei ! - diz o médico.

- Porquê, doutor...?

- O seu dedo está partido!

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Relembro:


Transcrição do aviso do editor de blogues, Blogger, que agora nos aparece no painel de entrada


A 23 de março, o Blogger deixa de permitir determinados tipos de conteúdos sexualmente explícitos. 



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quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Sexo a três à beira da piscina. No hotel. À noite. Com máscaras.


No post abaixo falei da comédia com que Portas presenteou os assistentes da conferência Lisbon summit 2015 que, como o próprio nome indica, decorreu em Cascais. Não fora o aprumado fatinho, quase diria que ele se imaginou a encenar uma rejubilante padeira de aljubarrota, largando espadeiradas verbais nos gregos, afirmando-se orgulhosamente português, muito melhor do que qualquer zorba pé de chinelo. And pay attention!

Mas, enfim, esse número é já a seguir e até mete um senhor que tira um peixinho dourado da boca.

Aqui, agora, a conversa é outra. Muito outra. Com vossa licença.






Ainda não vos contei. Uns dias estava cansada, noutros meteram-se assuntos de que me apeteceu falar, depois parecia que já não vinha a propósito. Foi passando. Mas ando com esta atravessada e acho que vou mesmo contar. Como aqui vos disse, estive de férias. Férias chamo-lhes eu mas incluiram o fim-de-semana e o feriado e pouco mais sobrou; mas tudo o que vá para além dos dois dias de fim-de-semana para mim já é uma festa.

Estávamos a precisar de descansar. De véspera ainda fomos para o campo, estar a ler à beira do calor aconchegante da salamandra é um daqueles suplementos de alma por que anseio quando estou com os pés na cidade e a cabeça in heaven. Depois, seguimos de lá para o Porto. Gosto de hotéis no inverno. Penso sempre que talvez fosse bom estar uns dias, talvez um mês inteiro num hotel junto ao mar, só a ler, a escrevinhar e a nadar na piscina aquecida. 

Será que as pessoas que se dedicam à escrita conseguem ter tempo para ler ou, se o fizerem, depois não conseguem agarrar o seu fio de escrita? Tenho essa dúvida.  
Talvez eu, se pudesse ter essas férias de sonho, fizesse o seguinte horário: acordava lá para as 9 e meia, pequeno almoço até às 10, caminhada na praia até às 11, leitura até às 13. Depois almoço e sesta com leitura pelo meio até às 16. Depois lanche na varanda e mais leitura. A seguir, então, tentativa de escrita. Provavelmente não me apeteceria e iria dar um passeio até às 19. Arranjava-me para o jantar. Chegava ao quarto lá para as 22. Começaria então a escrever e escreveria até à 1 da manhã. Ou seja, mesmo estando de férias, dificilmente conseguiria disciplinar-me para escrever de dia e dormir de noite.
Adiante. Quando eu começo a divergir e a enfiar outros assuntos na conversa é porque estou a enrolar. Hesito em prosseguir, é o que é.
Mas vá lá.

Na tarde do primeiro dia passeámos - mostrei-vos as fotografias. Era carnaval mas praticamente nenhuns sinais na rua. Uma ou outra criança fantasiada e pouco mais. A excepção foi um casal de mascarados venezianos que acenavam na montra de uma ourivesaria.

Estávamos a pensar jantar no hotel mas havia jantar temático, concurso de máscaras, e esse não é bem o nosso registo. Resolvemos então ir jantar no centro, uma coisa ligeira. Ainda passeámos a pé e depois regressámos ao hotel. Confettis, serpentinas na entrada, a festa já tinha começado. Cruzámo-nos com um casal, ele acho que sem nada, não me lembro, ela com uma mascarilha e qualquer coisa na cabeça, um penacho, talvez. Fui espreitar de longe o restaurante, vinha de lá música, risos. Seguimos para o quarto. Já tarde lembrei-me, e se fossemos até à piscina? O meu marido que não, que já devia estar fechada e que não sabia se já teríamos feito a digestão. Mas claro que sim, o jantar tinha sido leve, depois tínhamos andado a pé, e já tinha passado tempo mais que suficiente.

Vestimos o fato de banho, uma roupa confortável por cima e lá fomos. Adoro nadar. A piscina sem ninguém, as luzes quase apagadas. Melhor seria difícil. Mergulhei na água escura, deixei-me flutuar, deslizei, a água morna, suave.

Depois fomos até ao jaccuzzi. Pusemo-lo em baixa pressão, apenas para se sentir a água borbulhante na pele, uma quente carícia. Encostei a cabeça pata trás, fechei os olhos. O meu marido chamou-me, vê lá se te deixas dormir.

Mas, então, eis que ouvimos risos abafados vindos da porta. Para nosso espanto, três vultos requintadamente mascarados entravam no recinto da piscina. Devem ter-se escapado do concurso de máscaras mas a verdade é que pareciam saídos de um palácio veneziano. Não nos viram, estava escuro, o jacuzzi estava afastado e nós estávamos lá dentro.

Pensando que estavam sozinhos, falavam e riam com à vontade. 

Não conseguimos perceber qual a sua nacionalidade, pareciam falar uma língua que nos era estranha (mas talvez fosse o som que não chegasse bem até nós). Eram duas mulheres, cortesãs, e um homem com cabeça de leão. Calados, assistíamos àquilo sem saber o que fazer: ou mantermo-nos calados e o mais possível enfiados na água ou falarmos alto para que percebessem a nossa presença. A verdade é que, talvez por termos sido apanhados de surpresa, talvez por estarmos expectantes, deixámo-nos ficar em silêncio.

Uma das mulheres começou a correr em redor do homem e ele, brincalhão, ameaçava atirá-la à água. Ela ria, fingia que o queria empurrar a ele, ele puxava-a e ameaçava pegá-la ao colo, ela dava gritinhos e corria. O meu marido disse: ainda vão os dois à água. A outra, mais alta, limitava-se a olhar.

Às tantas, essa que estava sossegada sentou-se numa espreguiçadeira e logo a outra, afoita, gaiata, lhe saltou para o colo, sentando-se sobre ela, de pernas abertas. Depois abraçou a outra, pareceu que a ia beijar mas acho que não, apenas se deixaram ficar rosto contra rosto. E logo a primeira se atirou para trás, deitando-se na espreguiçadeira e puxando para si e abraçando a que antes andava a brincar e que agora ali estava tão sossegada.

O homem, com ar de provocadora brincadeira, fez de conta que também se ia deitar por cima delas mas, pelo tom, percebemos que elas o rejeitavam. Lamentei ser míope. Não queria pôr-me de cabeça espetada e olhos franzidos tentando focar a cena mas, assim, vendo de raspão, não conseguia perceber os pormenores. O meu marido sorria com ar malicioso. Isto ainda vai dar molho, sussurrou.

Para nosso espanto, a mais alta, que estava por baixo, deu meia volta agarrando a outra e, quase caindo ambas da espreguiçadeira, no meio de gargalhadas da mais baixa, rodou e pôs-se por cima desta. O homem ria e, aos poucos, foi-se aproximando, até que se baixou e enfiou uma das mãos por baixo das saias da que estava por cima. E ela deixou.

Então o homem pôs um joelho em terra e esticou um braço para levantar a saia dessa grandona (a pequena estava por baixo, mal se via sob a saia rodada da que estava por cima) e aí eu e o meu marido começámos a ficar atrapalhados, a brincadeira parecia estar a evoluir mais rapidamente do que teria sido suposto e o ficarmos ali começava a tornar-se comprometedor. Deslizei dentro do jaccuzzi e pus-me de costas para eles e assim fez o meu marido.

Os sons que vinham do lado deles foram-se progressivamente tornando abafados, um ou outro riso entrecortado e cavo, depois já não se riam, apenas se ouvia arfar, suspiros. Passado um bocado voltámos a ouvir vozes e o ruído das saias e percebemos que se estavam a levantar para sair. Virei-me ao de leve. Estavam sem máscaras. Para meu espanto, a mais alta era, afinal, um homem. Eram, de facto, dois homens e uma mulher. Levavam as máscaras na mão. 

Acredito que eu estivesse de boca aberta, admirada, a tentar perceber o que se teria passado. O meu marido continuava de costas e disse-me em voz baixa: Vira-teNão olhes. 

Assim o quis fazer mas o estado de atordoamento não me permitiu a rapidez necessária. Então, para meu sobressalto, quando estavam perto da porta, o homem que estava vestido de mulher virou-se, pareceu que me piscava o olho e depois, rindo-se, fez-me adeus.


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Acho que ainda não me refiz completamente. Mas, antes de vos contar isto, e apesar da hesitação, estive a procurar máscaras para mim e para o meu marido, para o ano que vem. Quando formos para a piscina, talvez possamos ir mascarados. Nunca se sabe.

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A canção é "The Last Waltz" dos A JIGSAW, a  fantástica banda blues-folk portuguesa, sobre uma montagem de Filipe Lopes.


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Interrogação: o que acabei de escrever não é um conteúdo sexualmente explícito, pois não? É que se os malucos do blogger acharem que é corro o risco de, a partir de 23 de Março, o vedarem ao público conforme anúncio pespegado em todos os blogues. Isto está a ficar lindo.


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Relembro que isto não é nada quando comparado com a orgia palavrosa (e em inglês do mais aristocrático que há) de Paulo Portas. Sobre esse belo momento de comédia poderão ler o post já a seguir.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira. 
E divirtam-se à brava, é o que vos sugiro.

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Pay attention! Portugal is not Greece! - disse, com aquele seu sorriso Pepsodent e com a usa grandiloquência habitual, o vice-irrevogável Portas na 'Lisbon summit 2015', falando em inglês, quase parecendo que se estava a apresentar a um exame do 1st Certificate. Um piadão! Não tendo aqui o vídeo desse momento humorístico, brindo-vos com um número de um outro prestidigitador: Mac King


Ouvi o artista Paulo Portas no carro e à noite vi-o na televisão. Parecendo que queria fazer-se passar por um membro da família real inglesa, todo ele aspirava os hhs, todo ele requebrava a língua. E todo vaidosão, que não é a Grécia e tal. Dir-se-ia que não lhe cabia um feijãozinho, todo orgulhoso com o luxo que são os indicadores económicos e financeiros portugueses - um país que tem uma dividazinha* mais pequena que uma caganita de láparo e onde só os calaceiros é que não têm trabalho, ui, tão bom...! - e todo ele sorria, parecendo fingir que, quase por decoro, escondia a legítima soberba. E depois patrioteiro, que não é grego, que é português e europeu, e quase revirava os olhos com a épica afirmação. E todo ele silêncios a ponderar o efeito da palavra seguinte, num inglês de aluno do British Council.

De gargalhada. Ridículo na forma e no conteúdo.

Mas, vá lá, muito bem vestido e de cabelinho bem penteado. Ao menos isso.


Paulo Portas diz que não é grego.

E eu confirmo. E lamento.
Tomara que fosse. Tomara que defendesse o seu país como o governo grego o tem feito.
E, já agora que, como homem, tivesse a graça que tem o Varoufakis. Assim, só temos a perder.


Um dia o Paulo Portas talvez me dê razão: ganhava em seguir o exemplo de Sócrates, ir estudar filosofia para outro país, ficar por lá algum tempo. Podia vir de férias, cabelo rapado a la Varoufakis, barba cerrada, óculos escuros, um look radical (de modo a que ninguém o reconhecesse). Depois, mais tarde, mais maduro, mais atinado, talvez a gente o aceitasse bem de volta. Poderia ser comediante, fazer stand up ou assim. E aposto que punha a plateia ao rubro. Se já põe e ainda está a fazer apenas de vice-irrevogável, imagine-se o que seria se estivesse à solta, completamente desbocado.

Mas não, por aí anda, armado em importante. Só que, por muito que se pinte, há qualquer coisa nele ou no seu longo historial que faz com que ninguém já consiga levá-lo a sério. A gente vê-o e só o imagina a dar saltinhos em cima de linhas vermelhas.

Gostava de poder partilhar convosco esse momento de comédia em Cascais, no Lisbom summit 2015 patrocinada pelo The Economist mas não encontro nenhum vídeo. Assim limito-me a dizer que podem ler aqui alguma coisa sobre as bicadas de Paulo Portas à Grécia. 


E, aos que vinham à espera de um momento de diversão, para não darem a visita por perdida, aqui deixo um mágico, um ilusionista (que, claro, teria muito a aprender com o Mestre Paulo Portas): Mac King. Mas, apesar de um aprendiz ao pé do nosso vice, este Big Mac é o máximo.




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Só espero é que na próxima, quando o Paulo Portas for fazer outro número especial, faça o favor de, no fim, tirar um peixinho dourado da boca. Vivo, claro está.

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* Já agora do facebook de Francisco Louçã, conforme enviado por Leitor a quem muito agradeço:


facebook: rancisco Louçã: Factos são factos: Portugal não é a Grécia? Não. Portugal tem uma dívida externa líquida maior do que a Grécia.  ...

Francisco Louçã:


Factos são factos: Portugal não é a Grécia? Não. 

Portugal tem uma dívida externa líquida maior do que a Grécia.


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terça-feira, fevereiro 24, 2015

Toilettes e estilos para todas as idades nas festas que se seguiram aos Oscares 2015. Vestidos, penteados, maquilhagens. Uma inspiração. Cá por mim já escolhi: no próximo encontro de empresa visto-me de Irina (é que com um vestidinho preto nunca me comprometo). E, vá lá, uma mesa redonda especial com uma rapaziada deveras talentosa e divertida.


No post abaixo já vos mostrei como é fácil deslocar um edifício enormérrimo e pesado para burro e já lancei um apelo aos engenheiros civis do meu país, a ver se aplicam a mesma técnica para mover um certo edifício e depois mais outro e outro e outro: tudo de carrinho para longe da nossa vista. Xô!

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou dar largas ao meu lado de gaja, de pipoca (doce ou salgada), de palmier (encoberto ou descoberto), de uva (passa ou passada), de princesa (a dias ou a termo), de mãe de quatro (com ou sem cocó na fralda), de tirititi, de linda porcalhota. Oscares: vestidos, toilettes, maquilhagens, looks, whatever. Também sou filha de deus, ora essa. 


Podia escolher mais uns quantos outfits mas isto ficaria um lençol comprido até mais não e, portanto, vou comedir-me.


Cate Blanchett, sempre requintada. Vestido preto liso (John Galliano para a Maison Margiela) com colar de turquesas.
Também gosto de me vestir assim embora as minhas vestimentas não sejam Margiela e os meus colares sejam da Parfois


Mr Moustafa: da banda sonora de The Grand Budapest Hotel 



Marion Cotillard, elegante em branco. Dior. O vestido era invulgar e perfeito de tão inesperado.
Não necessita de se descascar para ser uma mulher sexy
Maquilhagem perfeita (ou não fosse ela um rosto Dior). 


Meryl Streep, sempre com muito style. 
Não precisa de inventar vestidos com cauda, sem cauda, com transparência sou de gola alta: veste qualquer coisinha e fica sempre bem. 
Ia de Lanvin.


Jennifer Lopez no vestido after-oscar, a verdadeira sexy girl (com 45 anos). 
Transparente e sem nada na manga. 
Se eu um dia reencarnar, quero ter um corpinho e um descaramento que me permitam vestir uma transparência destas (Zuhair Murad Couture)


Gigi Hadid, que não sei quem seja, num vestido com muita pinta mas, claro, é do tipo de vestido que é para quem pode (com ou sem h, à escolha).


Irina Shayk, ex-Aveiro, apesar de não ser artista de cinema não perde uma festa destas.
Não sei se será pelos croquetes, se é porque faz presenças.
O que sei é que o vestido não devia proteger muito do frio e parece que ali em baixo, no pé, já tem uma malha. E na coxa parece que também já fez um pegão. Um problema.
Não percebo é que habilidades terá ela que fazer quando precisar de fazer chi-chi: terá que se despir de alto a baixo?
A D. Dolores, ao ver estas fotografias, até deve deitar as mãos ao alto: de perdições destas já o seu Ronaldo se livrou.


Duas charmosas num momento de ternura: Jennifer Aniston, toda maternal, a ver se pode com a Emma Stone


Amy Adams, Kylie Minogue e Sofia Vergara - as fabulosas mulheres de azul


Jane Fonda, elegantésima como sempre. 77 anos cheios de estilo e carisma


Bem...! E esta...? 81 anos e com um look de alface acabada de colher. 
Toda fresca e bem conservada. Nem dá para acreditar. Deve estar esticadinha por dentro e por fora, já nem deve conseguir abrir a boca. Mas não interessa, está giraça, essa é que é essa.


Em contrapartida, a Melanie Griffith, aos 57, parece mais velha que a outra, a Collins, que tem mais do que idade para ser mãe dela. 
Tanto se implantou (as poitrines, então, estão um exagero), tanto se enxertou e injectou de botox que acabou toda artificial. E, coitada, não se livrou das rugas. tanta mão de obra para isto.
Aqui com a sua filha Dakota Johnson, a menina que gosta de apanhar tau-tau nas 50 Sombras de Grey. 
A maquilhagem da Dakota foi considerada, muito justamente, a melhor dos Oscares 2015

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Dos homens não tenho grande coisa a dizer, não vi nenhum com toilette que me desse no olho. 

O outro pôs-se de cuecas mas, enfim, joga noutro campeonato e, de resto, não faz o meu género. Mas pronto, para não dizerem que, só a pôr aqui mulheres, às tantas também eu jogo noutro campeonato, cá vai elezinho.

Neil Patrick Harris, o apresentador dos Oscares 2015 - que falta de imaginação!
De cuecas? De cuecas... e meias? E sapatos...? Bahhhh!
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E o Oscar para melhor interpretação feminina foi para Julianne Moore, como seria de esperar.


Julianne Moore, 54 anos, dentro de uma obra prima - Chanel, claro

O meu nome é Alice


E um tema que temo.




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E, já agora, uma mesa redonda com os nomeados masculinos, na qual Eddie Redmayne, o vencedor da melhor interpretação masculina, relata o seu encontro com Stephen Hawkins





Eddie Redmayne (The Theory of Everything) descreve o seu encontro com Stephen Hawking e o facto de ambos serem Capricórnios

Também Ethan Hawke (Boyhood), Timothy Spall (Mr. Turner), Benedict Cumberbatch (The Imitation Game), Channing Tatum (Foxcatcher) e Michael Keaton (Birdman)

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Depois das artes, a ciência e a técnica: um extraordinário feito de engenharia civil vem já a seguir.

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E hoje, com as vossas desculpas, fico-me por aqui porque tenho que me levantar com as galinhas e temo bem que tenha à minha espera um verdadeiro dia de cão.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.
Boa sorte para todos (e para mim também, se faz favor).
A ver se acabamos todos o dia a rir, na boa. Ok?

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Alô, alô, senhores engenheiros civis! Vejam lá isto: edifício industrial pesando 6.200 toneladas é movido 60 metros. Não é de agora mas merece ser visto. Bora lá usar esta técnica para mover o Palácio de Belém com o Cavaco e a Maria lá dentro para a Buraca?


Leitor a quem muito agradeço enviou-me um vídeo interessante que, imagino eu, deve fazer as delícias dos engenheiros civis. Mas, às tantas, eu acho extraordinário e eles acham banal. Já estou mesmo a ver um certo engenheiro que eu cá sei a dizer-me amanhã, oh pá, maiores que esses movo eu todos os dias... e com uma perna às costas. 




Transcrevo o texto que o acompanhava:

Na maior empreitada de seu tipo na Europa, um edifício de 6.200 toneladas foi deslocado de 60 metros, em uma única peça, depois de 19 horas de trabalho. O prédio histórico da antiga fábrica de máquina Oerlikon, em Zurique, teve de abrir espaço para a ampliação da ferrovia.


Construído em tijolinhos, o edifício tem 123 anos e é a última relíquia de Oerlikon, antiga zona industrial do século XIX. Em 1876, a fábrica de máquinas 'Maschinenfabrik Oerlikon (MFO)' começou a fabricação de ferramentas, armas e locomotivas elétricas.

Quando o seu atual proprietário, a empresa ABB, anunciou planos para demoli-lo, os moradores pediram que o prédio fosse preservado, enfatizando a importância cultural do imóvel para a região. Junto com o novo proprietário, Swiss Prime Site, e a Rede Ferroviária Federal, a ABB desenvolveu um plano alternativo para deslocar o edifício de 6.200 toneladas em uma única peça.

Os preparativos começaram há 10 meses (tal como mostrado na animação vídeo). As paredes de retenção tiveram que ser substituídas por pilares de aço. Sob o edifício foi construído uma laje de concreto com trilhos nos quais foi colocado o edifício para o deslocamento.

A operação começou na terça-feira, 22 de maio de 2012, às onze horas. Através de prensas hidráulicas, o gigante foi deslocado a uma velocidade de quatro metros por hora.

Na quarta-feira, às quatro e meia da manhã, o prédio de 80 metros estava em sua nova localização.

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segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Sítios para arrumar livros, lugares para ler livros. E uma livraria irreal.


No post abaixo já me insurgi contra esse grande paladino do fuchico, da futilidade e da política-de-faz-de-conta que dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa, que, em vez de comentar a substância das coisas, se põe a fazer piruetas de efeito, disserta sobre o embrulho, desvia a atenção, e nada mais (isto para além de fazer publicidade a livros, muitos dos quais de qualidade duvidosa). Atalhou-me a intenção que estava toda calhada para falar da tarde com os meus pimentinhas, e, assim, pouco falei.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.




Se há tema que desperte sempre a minha atenção é o da arrumação de livros. Se isso se conjugar com decoração ou com arquitectura, então, a mistura é perfeita.

Já muitas vezes disse que me fascina a arquitectura. A forma como alguém desenha espaços, inventa recantos ou entradas de luz, é para mim semelhante à arte de quem cria personagens em literatura ou conjugações de cores na pintura, ou acordes inesperados na música.

Quando penso no que poderia ter sido se não tivesse enveredado pela profissão que tenho hoje, uma das coisas que me vem à cabeça é a arquitectura. Acho que faria coisas arrojadas, curvas projectadas sobre o nada, torres com jardins em direcção ao céu, lagos interiores em várias patamares, terraços silenciosos. 

Regium Waterfront por Zaha Hadid Architects



Ocorre-me a arquitecta iraquiana Zaha Hadid. Quando vejo aquelas formas que não se parecem com nada do que se conhece em arquitectura, sinto-me identificada com ela. Em contraponto, também me emociono quando vejo o oposto disso, as obras aparentemente simples, coloridas, de Luis Barragán de quem já aqui várias vezes falei.

Mas, quando foi altura de escolher o curso, nem me ocorreu a arquitectura - talvez porque associava a arquitectura ao desenho e tinha tido uns professores de desenho muito fracos e que nunca me fizeram despertar o gosto pelo traço.

in heaven tenho inventado caminhos, canteiros, recantos, mas, claro está, não dá para muito mais que isso, não me ia armar em pata-brava. Mas usei pedras arrancadas à terra, fi-las parecer animais, fi-las parecer pequenos seres protectores ladeando os carreiros, coisas assim, que se parecem com construir o meu mundo.

Quando uma vez lá metemos um tractor para arrancar parte do matagal, foram também arrancadas enormes pedras. Foi a primeira e a última vez. Quero a natureza em liberdade, não quero terrenos lisos, aparados, nem a terra esventrada.

Mas, olhando depois para essas grandes rochas, tive vontade de as usar. Não sei porquê, ocorreu-me dispô-las em círculo. Claro que foi uma trabalheira, outra vez o tractor, o meu marido arreliado, mais despesa, sobretudo ter que aturar o homem que conduzia o tractor que era um chato que não se calava nem por mais uma, horas a aturar uma conversa interminável, e era preciso, no meio daquela tagarelice torrencial, explicar-lhe a ideia, como teria que pegar nas rochas, transportá-las, depois andar em volta, colocando-as harmoniosamente, ao lado uma das outras. Mas o homem lá deu boa conta do recado. Na parte interior desse círculo que terá uns quatro ou cinco metros de diâmetro, foi colocada gravilha. E do lado de fora foram plantados quatro cedros que entretanto cresceram e são agora uns guardas imponentes e silenciosos.

Quando por lá ando a passear, gosto de me colocar no centro do círculo. E, não me perguntem porquê - porque há coisas que, faladas, até parecem parvas - gosto de olhar para o céu.

Na altura em que tive a ideia de colocar as pedras assim, não me ocorreu mais nada senão isso mesmo, não me lembrei de círculos cerimoniais, nada, muito longe de tal. Não são ao alto, quis que as pedras estivessem deitadas. Têm formas curiosas, algumas arredondadas, outras mais oblongas, e eu pensei que poderiam servir de bancos. Poderíamos sentar-nos ali a conversar, a ler, alguém a dizer poesia no meio, qualquer coisa. (Claro está que isso nunca aconteceu... Até agora. Mas acredito que ainda há-de acontecer).

Alguns anos depois de o grande círculo de pedras lá estar, comprei um livro de Feng Shui. Não tenho muita paciência para coisas complicadas pelo que de lá retirei apenas as coisas simples e que são até de bom senso. Mas, para meu espanto, vi lá que é de bom augúrio construir um círculo de pedras pois no seu centro convergem as forças positivas do universo. Não sei se é bem assim pois o livro está in heaven e não posso ler as exactas palavras para aqui as transcrever. Mas parece que faz bem ou dá sorte ou protege-nos colocar-nos assim como eu me ponho. Talvez por isso me sinta sempre tão abençoada, tão agradecida.
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Bem, distraí-me com a conversa e vim parar aqui quando queria era falar de soluções imaginativas para arrumar livros ou para ler livros.

No Bored Panda vi umas casas fantásticas que, se um dia me sair o euromilhões, gostaria de imitar (com algumas adaptações, note-se).



Simples mas absolutamente acolhedor.
Ler um livro assim, reclinada entre almofadas, junto à janela, o jardim logo ali, estantes de um lado e do outro - é o que imagino quando me imagino feliz em contente a passar um bom momento


Não sei se será muito prático mas que sala espantosa, no meio do jardim, enormes sofás, uma coisa mesmo fantástica.
Acho as almofadas escuras, sobretudo sobre estofos também escuros, eu preferiria cores claras mas, enfim, pormenor.


Ainda menos prático. Ir buscar um livro torna-se um exercício de alto risco.
Mas, enfim, é uma solução engenhosa, verdadeiramente espantosa.


Estante giratória, dum lado é estante, do outro é parede (como se pode observar nesta sequência de 3 fotografias).
Deveria inventar era uma mesa do género. Quando viesse alguém aqui à minha sala, deveria poder efectuar uma pirueta com o tampo da mesa de modo que as torres de livros ficassem ocultas, que isto para além de periclitante já está de loucos


Esta solução também é fantástica.
Eu gosto de ler reclinada e vendo uma coisa destas, junto à janela, a receber a luz directa, aquela curvatura que quase sugere uma cama de rede, fico logo com pena de não ter um parapeito destes. Deve ser bom.
Eu só preferiria que tivesse uma protecção lateral pois aquilo parece estar alto, e não fosse cair dali abaixo.
De resto: como será que se trepa para lá? 


Para terminar, permitam que vos mostre uma livraria que parece coisa de sonhos, de cinema. Irreal. Quem for de passeio para aquelas bandas, não deverá perder. 

Transcrevo do Bored Panda:

Cărtureşti Carusel, also called “The Carousel of Light”, is a monumental XIX century edifice that was transformed into a wonderful architectural jewel. It is located at the very heart of Bucharest, on a long vibrant street, in an area with coffee shops and pubs. Surrounded by bohemian, traditional and luxury clothing stores, this bookstore will surely blend in with its innovative and elegant style.


The bookstore has 6 floors, where you can find over 10,000 books, 5,000 albums and DVDs. There is a bistro on the top floor, a multimedia space in the basement and a gallery dedicated to modern art on the first floor. This space will also host numerous cultural events and concerts.


 Cărtureşti Carusel ou “The Carousel of Light”

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Enquanto escrevo, estou a ver a cerimónia de entrega dos Oscares. Primeiro foi a entrada das estrelas pela passadeira vermelha, grandes vestidos, grandes sorrisos. Mas combinaram não se deter nos vestidos pelo que a parvoíce não foi excessiva. O Benedict in white, elas todas frou-frou, elegantes e profissionais. O vestido da Jennifer Lopez, por exemplo, é sumptuoso. A entrada da festa decorreu com um número musical: Patrick Harris, o apresentador, cantando a dois, a audiência sorridente, certamente quase todos com um nervoso miudinho mas distraindo bem, risos, palmas, luzes. É o star system no seu melhor.

Mas não os vou ficar a ver porque esta semana promete e eu tenho que ter os pés bem assentes na terra. Ter a cabeça nas estrelas só me é permitido enquanto, à noite, aqui estou a escrever.

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Lá em cima, a música é a Pavane de Gabriel Fauré num arranjo de Nawa Mukerji, para uma interpretação de Silvije Vidovic.
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Relembro: sobre a futilidade da conversa de Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semana na TVI, sobre o traje minhoto de Judite Sousa, e sobre os meus pimentinhas (como por exemplo sobre o ex-bebé que góta de comê patinos) falo já aqui abaixo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

Muita saúde, muita sorte, muito afecto é o que vos desejo.

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