Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, outubro 31, 2013

O bando de meninos vestidos como se fossem para um baptizado e que, afinal, foram para o governo de Passos Coelho - governo esse que, de resto, não existe [palavras de António Lobo Antunes na Visão]. E o Guião para Matar Ideias, essa salganhada ignorante, uma coleção de chavões e banalidades, o fim da linha [palavras de André Macedo no DN e no Dinheiro Vivo]



Peço-vos que, a seguir, não deixem de descer até ao post seguinte onde há dois filmes muito elucidativos sobre a dívida pública. Vejam-nos por favor.

Agora, aqui, continuo com a voz lúcida de outros que contrasta com a galhofa despudorada com que Passos Coelho e os seus ministros de Estado, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque se apresentam na Assembleia da Repúbica.

*

Na Visão, António Lobo Antunes diz que "não existe governo nenhum", mas sim um "bando de meninos":


"Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre.  Qual Governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento". 

António Lobo Antunes começa assim a crónica desta semana na VISÃO que chega esta quinta-feira às bancas, inteiramente dedicada a esses "garotos".

"Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé? É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal", escreve ainda. 


(e continua)

*

E André Macedo, director do Dinheiro Vivo, escreve aí e no Diário de Notícias um artigo a que chama Guião para Matar Ideias e que me permito transcrever na íntegra:


Paulo Portas quer ser o Giorgio Armani da reforma do Estado. Todos os anos o estilista apresenta os novos modelos e acaba com uma frase cintilante, um laço que embrulha o conjuntinho: "Proponho para esta estação una donna moderna però rinovata." Portas também deseja um Estado moderno (alguém deseja um Estado antigo?!) e renovado (alguém quer um Estado parado?!), mas não vai além disso. Não vai, aliás, a lado algum.

As "110 páginas úteis" do guião, como lhe chamou ontem, são de uma pobreza inacreditável. Não é sequer um catálogo de pronto-a-vestir político. É uma loja dos 300 onde, no meio de ideias copiadas, avulsas e superficiais, encontramos um ou outro ponto que é possível debater, mas apenas por causa do nosso desespero coletivo. O que resulta dali é tão-só uma salganhada ignorante, uma coleção de chavões e banalidades que não são mais do que a redação pueril de um candidato a uma juventude partidária que passou os olhos na biografia de Hayek , a da Wikipédia.


O célebre guião, este guião, esta coisita, não é um ponto de partida. A ser qualquer coisa é um ponto de chegada. É o fim da linha. É o epílogo que arrasa as últimas aparências que ainda restavam sobre este grupo de estagiários que o País tragicamente elegeu. É a prova documental de que o Governo não sabe o que está fazer - cumpre metas impostas externamente - e nem imagina para onde irá a partir daqui.

O texto que demorou dois anos a produzir é tão rudimentar que na verdade é apenas embaraçoso. Ontem senti vergonha alheia por Paulo Portas - o presidente do CDS acabou. Não compreendo, a não ser por vingança, raiva e desprezo profundos, como Passos Coelho foi capaz de o autorizar a apresentar esta manta de retalhos, este patchwork - Portas deve apreciar a palavra - que era suposto criar as bases para a mudança que o País terá um dia de enfrentar.


Não há quadros comparativos, não há estatísticas que permitam ver de onde viemos e para onde podemos ir, não há pensamento algum, referência alguma, não há estudo, não há trabalho. Nada. Ao pé disto o trabalho do FMI, o de janeiro, é um luxo científico. Talvez por isso, talvez porque aqui cabe mesmo tudo, Portas tenha conseguido enfiar esta frase grotesca: "(...) esta maioria tem uma matriz identificada com o chamado modelo social europeu." Tem, tem; e Portugal vai crescer 0,8% em 2014 e muito, muito mais em 2015...

Pior do que este declínio penoso do Governo é a situação em que ficamos. Ontem, em vez de sublinharem o desrespeito que este guião simboliza e revela, os partidos exibiram a habitual indignação como se aquilo fosse trabalho sério. 

Disseram: atenção, isto é a privatização da Segurança Social, da saúde e do ensino! Que horror! Algumas destas, digamos, ideias estão lá, sim, mas é o habitual bricabraque decorativo. A melhor maneira de matar uma ideia é apresentá-la assim - mal e porcamente

Ontem, quem ouviu Paulo Portas só teve uma reação: apagou a luz. Repito: isto por mim está visto.


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Nem mais.

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E eu pergunto: riem de quê estes sujeitos aqui em cima? Riem de quê?

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Relembro: descendo um pouco mais, encontrarão dois vídeos muito elucidativos sobre a dívida pública.

Compreender a dívida pública - os truques com que nos trocam as voltas; o que está por detrás de tudo aquilo por que estamos a passar.


Depois de nos dois posts seguintes ter falado do Guião de Paulo Portas, agora aqui peço uns minutos da vossa atenção, por favor.

Convém perceber-se minimamente o que está por detrás da hecatombe que assola os países a quem a austeridade cega está a matar. 

Estes dois pequenos filmes explicam de forma bastante compreensível o que se passa. 








Paulo Portas e o Guião da Reforma para um 'Um Estado Melhor', guião que nunca mais nascia, nunca mais nascia e que, afinal, ao ser dado à luz, é coisa nenhuma (confira aqui o Documento completo). Face a isso, por comiseração, daqui lhe envio algumas dicas do que é necessário para Portugal voltar a ser um País credível. Read my lips, senhor vice Paulo Portas. ..//.. E para que os meus Leitores não fiquem aborrecidos com a aridez do tema, aqui lhes deixo uma notável interpretação de 'O mio babbino caro' por parte de uma menina holandesa de 9 anos no programa 'Holland's Got Talent', Amira Willighagen.

No post abaixo falo-vos da minha opinião sobre o conjunto vazio, do mais vazio que há, que é o célebre Guião da Reforma de Estado do Paulo Portas dado à luz ao início da noite desta quarta feira, dia 30 de Outubro do ano da graça de 2013. Na melhor das hipóteses (na melhor? qual na melhor: na pior) a cerca de 1 ano e picos de se irem embora, agora é que aparece este artista a dizer o que gostavam de fazer. Uma gestação de cerca de dois anos e meio para dar nisto: uma vacuidade absoluta.


Para ver o documento completo, de seu nome 'Um Estado Melhor', clicar aqui.


Se Paulo Portas é inteligente - coisa de que até já começo a duvidar - porque se deixa andar sistematicamente enredado nas armadilhas que o Coelho lhe estende? Dá para perceber? 

A mim o que já me começa a parecer é que, na volta, o mais espertalhaço e maquiavélico é o frio e vingativo ex-Doce. 

Tudo isto poderia ser visto como uma novela de mau gosto, feita de traições, cinismos, hipocrisias, ardis, faltas de moral. Mas o drama é que aquilo a que estamos a assistir é mais do que isso: é a nossa carne a ser devorada a sangue frio, é o nosso país a ser esvaziado, vendido, fragilizado. Portugal entregue a um bando de incompetentes, do mais incompetente que há. Mas daqueles incompetentes perigosos: bem falantes, a apelarem sistematicamente aos sentimentos de culpabilização tão arreigados na matriz cultural portuguesa, a serem capazes de dizerem uma coisa e o seu contrário com cara de quem é do mais coerente que há. Uns farsantes. 

Aparentemente o que querem, ou dizem que querem, é reconquistar a confiança dos mercados, é recuperar a soberania - coisas do género.

Mas, ignorantes encartadados como são, julgam que é com patacoadas escritas em letra de tamanho garrafal para encher o olho e parecer que o documento tem uma dimensão respeitável, que conseguem enganar alguém.

Uma infantilidade.

Mas, enfim, para que não digam que sou bota-abaixo, enquanto não adormeço, aqui deixo (porque até me dá dó) alguns conselhos a Paulo Portas e a todos quantos queiram mesmo recuperar a confiança dos mercados:





1. Saiam do Governo. Já.

2. Se não souberem onde está a porta de saída, então limitem-se a brincar uns com os outros às estátuas. Quietinhos. Sem fazer nada.

3. Se não forem capazes de estar sossegadinhos, então entretenham-se a fazer legos ou a brincar às cabeleireiras ou aos doutores ou ao papai e mamãe - o que quiserem desde que sejam brincadeiras adequadas à vossa idade mental.

4. E, enquanto isso, percebam uma coisa: o que qualquer investidor precisa para ter confiança é de ser capaz de fazer planos, é de saber quais as regras, impostos, etc, para os próximos anos. O que qualquer investidor teme é pôr o seu dinheiro num país em que mudam as regras a meio do jogo, onde o governo é formado por um inqualificável rebotalho político, em que tomam medidas sem avaliarem as consequências, em que tudo o que fazem é para atentar contra a economia, em que não têm noção nenhuma de coisa nenhuma.  


Ora, como já demonstraram à saciedade que a única coisa que sabem fazer é desestabilizar tudo, fazendo porcaria por onde passam, por favor, deixem-se estar quietos. Até que o Cavaco ou a população corra convosco, não toquem em mais nada.


Se os sacrossantos mercados perceberem que, apesar de Portugal estar entregue a gente sem noção nenhuma do que está a fazer, os ministros estão apenas a legislar sobre cães e gatos e o chefe dos ministros não tem cabeça para agir sozinho, talvez resolvam acreditar que, no dia em que vocês, suas abéculas, levem uma corrida em osso, Portugal será capaz de se reerguer e, portanto, talvez ponham cá o dinheiro a juros decentes ou talvez cá voltem a investir.

Por isso, senhor irrevogável vice Portas, conceda-se um favor: não faça mais nada, não volte a aparecer em público a fazer tristes figuras. Reserve-se, antes, para, em privado, convencer os seus colegas a limitarem-se a respirar. Quietinhos, bonitinhos. Se for preciso, até lhes vou aí levar uma chupeta. Todos quietinhos a chucharem na chucha, entretidinhos, caladinhos. Se necessário for, podem ficar deitadinhos no chão, enroscadinhos uns nos outros (isto se tiverem frio, claro). Por mim, está tudo bem.

*

E agora vou dormir que isto me dá sono. 




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Mas, antes de ir dormir, permitam que aqui vos deixe um presente para ver se compenso a aridez dos temas com que vos tenho andado a maçar.

Vejam, por favor, Amira Willighagen, uma menina holandesa de 9 anos a interpretar 'O mio babbino caro' a famosa ária de Giacomo Puccini. Isto passou-se numa sessão de Holland's Got Talent e é digno de ser visto.




Espantoso!

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A mulher fotografada lá mais acima é, escusava de dizer, Brigitte Bardot, a célebre BB.

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Relembro: se quiserem conhecer mais em pormenor a minha opinião sobre o conjunto vazio que é a palha com que Paulo Portas pretende enganar o freguês, é, por favor, descer até ao post seguinte. O Nítido Nulo (obrigada jar!) na sua mais triste evidência.

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E, por hoje, nada mais. Resta-me, portanto, desejar-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

quarta-feira, outubro 30, 2013

Paulo Portas e o seu Guião da Reforma do Estado: a história de uma relação de dois anos e meio em que, finalmente, coube ao vice-primeiro ministro dar à luz. E o nado, afinal, não passa de um conjunto vazio. Ou melhor, um conjunto de medidas gerais, sem datas, sem responsáveis, sem objectivos quantificados, sem coisa nenhuma. Dá ideia que são as bases gerais, muito gerais, para um futuro programa de governo. Mas para que governo? Para o próximo? O do PS? Conclusão: está tudo doido. Uns gaiatos. Uns incompetentes. Uma palermice pegada tudo isto.


Ora bem. E depois de ter dito isto, o que mais posso dizer daquela tristeza a que assisti?


Como dissertar sobre um conjunto vazio? 

Claro que poderia invocar aqui as minhas memórias sobre estas matérias mas, meus Caros, um conjunto vazio não tem elementos. E está, basicamente, tudo dito.

Aquilo de que Paulo Portas falou ao apresentar o famoso Guião da Reforma do Estado são vulgaridades, intenções, evidências, coisas que já deviam ter feito, comprovantes de que ainda não fizeram nada, de que não sabem por que ponta pegar, ideias avulsas, desconexas, fiapos de conversa fiada. Zero. Bola. Nada.



Claro que poderia falar das palermices mais concretas que ele referiu como, por exemplo, a que vão formar uma comissão para baixar o IRS (depois de o terem feito disparar agora, pelos vistos, mesmo que o queiram baixar - coisa que não corresponde à verdade, mas enfim - já não o sabem fazer, têm que formar uma comissão, mais uma comissão) ou a de vender as escolas aos professores (coisa que, dita no meio daquele amontoado de banalidades, soa a piada, talvez piada do dia das bruxas).

Podia falar, claro que podia. Mas para quê se nada daquilo é para levar a sério?

Aquilo foi uma macacada que o macaco do coelho estendeu ao Portas para ele se andar a espalhar ao comprido, em público, ao longo de um ano inteiro de falsos sinais de parto.


Por isso, meus Caros, desculpem o meu linguajar, mas o que se me oferece dizer é que o Portas e o Passos bem podem limpar o c.. ao guião. 

[Será que é de ter estado dois dias e meio no Porto que só me ocorre linguagem vernácula para falar das aberrações que este governo sucessivamente deita cá para fora? 

Ó senhores... isto parece que é um mal que está a dar em toda a gente. Até a Maria do Rosário Pedreira, sempre tão certinha, escreveu sobre isso: que sobre esta maltosa só consegue referir-se a eles como gajos e dizer palavrões.]


Assim sendo, para ver se fujo aos palavrões, vou antes dar alguns exemplos do que é o conceito Conjunto Vazio para melhor ilustrar o que é o Guião da Reforma de Estado dada à luz pelo Paulinho da Banha da Cobra.




  • Imagine-se um conjunto formado por palermas e um outro conjunto formado por sapatos. O que é que há de comum entre os dois conjuntos? Nada. Ou seja a intersecção dos dois é um conjunto vazio.

  • Ou imagine-se um conjunto formado por cães com pulgas e outro por gente inteligente. O que há de comum entre os dois conjuntos? Nada. A intersecção é outro conjunto vazio.

Podia continuar mas acho que já deu para perceber. Um saco vazio é um saco vazio e ponto.



Conclusão: ora batatas. Estamos nós a aguentar um governo destes...! Só porcarias sem nexo, um desfiar de medidas de gestão corrente. É que nem uma porcaria de um plano sabem fazer.

Se bem que, nesta altura do campeonato, aí o Prof Marcelo tem razão, isto já não é um plano: isto é um testamento.


Caraças!

Ao fim de dois anos e meio aparece aquela criatura (já agora: devia cortar o cabelo, está com umas patilhas que parece um campino) a dizer nada. Nada.

É que nem o memorando da troika foram capazes de implementar. Do que lá constava não fizeram praticamente nada. Nem isso foram capazes de fazer. Ao longo dos dois anos e meio que levam disto, a única coisa que souberam fazer foi roubar as pessoas, retirar-lhes direitos, vender o país a retalho. E nem agora, para fazer de conta, foram capazes de ir ler o memorando e tentar reproduzir algumas coisas.

Não têm competência para nada. Nada.

Este governo está morto. De que é que o Cavaco está à espera para o enterrar, senhores?!?


*

Este texto continua. Caso queiram constatar a vacuidade da coisa, lendo o documento 'Um Estado melhor' na íntegra, e caso queiram saber quais os meus conselhos a Paulo Portas para melhorar a governação e para ver se conseguem convencer os mercados, por favor cliquem aqui


Além do mais, vou já avisando, esse é um post com brinde. E não é presentinho envenenado alusivo ao Dia das Bruxas. Não senhor, é um presentão a sério.


Hoje a autora de Um Jeito Manso desafia o Governo de Passos Coelho e apresenta-se rodeada por três cães, 3 cães aqui na sala. E gatos. Só gatos são 8 oito. E passarinhos? Passarinhos são vários. E até tenho um passarão, imagine-se (mas esse não mostro). E que venha daí a Ministra Cristas, a tal do fascismo higiénico, ou o Aguiar com a cavalaria ou o Macedo com a GNR, quiçá até o vice-Portas ou outro valentão qualquer para me prender. Estou à espera. Vá lá, make my day...!




Chegada de umas prolongadas férias, bagagem já desfeita, uma máquina de roupa já feita, roupa posta a secar, eis que, depois de descansar um pouco, tento pôr-me ao corrente das novidades políticas.

Começo por saber que, prosseguindo a política humanista que é o seu timbre, o Governo hasteia a bandeira de apoio aos pobrezinhos e anuncia que está pronto para cortar pensões apenas se forem superiores a 600 euros. Ó pá, fiquei logo toda contente: temos gente com bom coração! Poupam-se os que ganham abaixo de 599 euros e apenas se sacrificam os abastados detentores de pensões milionárias. Sim, porque para que é que alguém precisa de mais de 600 euros? É cortar, ora bem. 

E se não tiverem dinheiro para comer pão, já que estou numa de Marie Antoinette, daqui lhes digo: comam brioches. E se não tiverem dinheiro para pagar a casa, pois que vão viver para debaixo da ponte. Ou melhor, que fica mais barato para todos: atirem-se da ponte. Portanto: boa malha, Rosalino.

Antes, ainda no carro, tinha ouvido que parece que os celtas estão a sair do buraco e que, ao longo de todos os sacrifícios que fizeram, nunca viram o salário mínimo tocado. Os 1400 euros foram a barreira sagrada. Aposto que os ministros do governo irlandês, que nunca apresentaram orçamentos ilegais, costumam dizer: antes gregos que portugueses, safa...!


Bom, mas isto foi um aparte. É que, afinal, as boas notícias ainda estavam para se plasmar à minha frente.

Há quem diga que há uma ministra que tem cara de porquinha, um ministro que tem nariz de arara, um secretário de estado que tem cara de macaquinho, mas eu não vou por aí, até porque, com a sanha persecutória e autofágica que existe neste governo, ainda algum deles se lembra de legislar contra as ministras com cara de porquinha, os ministros com nariz de arara, os secretários de estado com cara de macaquinho e lá ficam os coitados desempregados. Adiante.

Dizia eu que as boas notícias estavam para vir a seguir. Passo a transcrever:

O Ministério da Agricultura prepara-se para fazer aprovar um diploma legal sobre animais de companhia em que limita a dois o número de cães permitidos por apartamento. No caso dos gatos, esse número sobe para quatro, não sendo porém permitido ter mais do que quatro animais por fogo, a não ser que haja um quintal ou que os bichos morem numa quinta.


Apesar de se limitar, neste aspecto, a actualizar a lei em vigor, que já proibia a existência de mais de três cães ou quatro gatos por apartamento, o projecto de diploma do ministério de Assunção Cristas traz grandes alterações à actual situação. Desde logo, explica uma docente da Universidade de Coimbra, Sandra Passinhas, porque quem hoje em dia quiser apresentar queixa por um vizinho ter mais animais do que o estabelecido deve invocar problemas sanitários ou relacionados com ruído. "É uma lei fraca", observa a especialista. Já o futuro diploma "é uma lei forte: basta haver uma queixa para a respectiva câmara ter o dever de retirar do apartamento os animais em excesso", independentemente dos incómodos que eles causem ou não à vizinhança.


Ora bem!

Esta tropa fandanga do Passos Coelho decididamente não é piegas. Se alguém se queixa, vão a casa e confiscam os animais de estimação. Assim é que é. Nem mais.

Portanto, se o meu vizinho resolver apresentar queixa na Câmara contra mim, avançam as tropas para me vir aqui tirar o pavão e, como gosto de me encher de plumas, ainda me levam também para... Para onde? Para onde é que levam os animais em excesso? ...Não me digam que...? ...Gás? 

O projecto de lei, que me desculpem a crítica, ainda é muito vago. Se me permitem, aqui continuo a explanar as minhas dúvidas.




E o meu papagaio branco? Será que é permitido? E o meu flamingo? Querem vocês lá ver...?




E o meu passarão...? O que vale é que já está metido na cama senão ainda se assustava, ui ui, que medo que ele ia ter, é mesmo moço para ficar a tiritar com notícias destas, fiu, fiu. Será que um passarão é permitido ou também corro o risco da Cristas, essa safada, mo levar?

E já nem falo nos meus gatinhos, tão fofos, tão lindinhos, todos às corzinhas. Vocês, ao olharem para eles, poderão tentar descansar-me, ah, mas se houver um quintal pode ter os gatinhos que quiser. Pois é, tenho que vos confessar: aqui onde os vêem é a minha varanda. E as flores são a fingir. Eles são uns delicodoces, uns abichanados, e eu, para eles se sentirem melhor, pendurei estas grinaldas de florzinhas brancas e espalhei umas pétalas de faz-de-conta. Será que as grinaldas também vão ser proibidas?

Ai, ai, ai, que isto está a ficar perigoso.




E que mais aqueles inteligentes vão engendrar para reduzir a dívida colossal que têm vindo a provocar? Será que vão proibir que se tenha mais que meia dúzia de cuecas? Será que as écharpes vão ser limitadas a três? 


E nos colares de pérolas, quantas pérolas vão ser permitidas? Eu que gosto deles bem compridos, será que, se um vizinho se for queixar, me vêm cá a casa roubar as pérolas a mais (mesmo que sejam de fantasia)? 

E corpetes? Será que os posso ter? Vou mas é esconder o meu corpete Soleil Sucré, não vão os desalmados aparecerem aí numa rusga anti-corpetes.



Uma coisa pergunto eu ao menino João Almeida do CDS que de vez em quando mostra os dentes para fazer de conta que é um valentão. Será que, para além de chamar fascista à Dona Cristas (ele chamou-lhe fascista higiénica? ou foi fascista porquinha?, pergunto) também vai chamar fascista à Albuquerca (talvez fascista-pinóquia, para a distinguir da outra)  por cortar pensões de 600 euros? Ou ele insurge-se apenas com cães e gatos? Só lhe dá para bravatas destas no facebook e só sobre coisas que são tão ridículas que até parecem feitas de propósito para distrair a malta?


Eu quero é vê-lo no Parlamento (que é onde os meninos crescidos que foram eleitos devem lutar) a levantar-se e a chamar fascista-higiénico ao Passos Coelho, ao Paulo Portas e a demais troupe, que não têm feito outra coisa senão atirar com pessoas para o desemprego, gente para a miséria, atormentar a vida aos velhos, afugentar os jovens, tirar a esperança e a paz de espírito a toda a gente, empobrecer e envergonhar o país? 

E agora pergunto eu: e será que pode haver um coelho no governo? Será que se eu apresentar queixa na Câmara não vão lá buscá-lo? 

Boa, amanhã vou experimentar. 

*

As fotografias são de Tim Walker, excepto uma.

*

Vinha com a ideia de passar para o computador as fotografias do percurso romântico do Porto e da bela cidade de Guimarães, depois escolher umas quantas e tal e coisa mas, dei com aquela parvoíce da Cristas e não consegui resistir. E agora já são 2 da manhã, já não dá. Fica para amanhã ou depois.

*

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta feira muito feliz. 
Conta a estupidez dos mentecaptos, marchemos, marchemos! 

terça-feira, outubro 29, 2013

A propósito da guerra aberta que está a preceder o divórcio litigioso entre Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho e das acusações, por parte dela, de violência doméstica continuada por parte dele, com todo o respeito do mundo, aqui dou a palavra aos Leitores de Um Jeito Manso, vítimas de maus tratos. Tudo o que eu puder fazer para alertar consciências para este drama que tantas vezes se vive em silêncio no interior das casas, faço.


À hora de almoço publiquei o post abaixo sobre o que se está a passar entre Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho, duas figuras públicas, respeitadas. É um assunto que me perturba. Custa-me perceber como pessoas 'normais' se transformam a ponto de acontecer uma coisa destas. Medo, raiva, rejeição, vingança, vergonha: tudo o que é extremo e negativo na natureza humana parece emergir de uma forma descontrolada.

Não sei o que se passou entre eles para que, sob a capa dos sorrisos e de casal perfeito, fosse nascendo um ódio tão profundo. Por isso não quero julgar mas, porque o assunto não me deixa indiferente, manifestei a minha estranheza e, de certa forma, a minha compaixão. Quem passa por uma situação destas deve sofrer muito. E os filhos devem também sofrer muito com o que se está a passar, especialmente o mais crescidinho. Custa-me muito pensar nisso. Este caso ganhou esta visibilidade porque são figuras mediáticas mas quantas mais pessoas não passam, em silêncio, por esta situação tão triste?

Agora, ao vir espreitar se o post tinha saído direito (com este computadorzeco que se mexe em câmara lenta, parece que se as letras não saírem todas trocadas é milagre), dei com uns comentários que me emocionaram muito. Li-os com lágrimas nos olhos. É verdade: quem não passa por isto, não sonha o suplício que deve ser. 

Por isso, porque nada pode soar mais verdadeiro do que as palavras de quem passou ou passa por um drama de violência doméstica, aqui deixo, de viva voz, o testemunho de quem passou por um pesadelo assim e sobreviveu.


Talvez que a leitura destas palavras possa ajudar alguém que esteja a viver uma situação similar e não tenha a coragem de dela se libertar, de pedir ajuda, de falar nisto.

Agradeço, Caras Leitoras, a coragem do vosso testemunho. Ei-lo.

...................

. 1 .

O terror de "será que amanhã acordo viva". Sabia que no dia em que me pusesse as mãos seria para, como dizia uma amiga "ir falar contigo com uma etiqueta no dedo grande do pé"

Tenho filhos e, também eles na altura pequenos, assistiram dentro da porta a muita coisa da qual ainda hoje têm algumas mazelas.

Pensei várias vezes em suicidar-me. O que me fez mudar de ideias não foi tanto o ficarem sem mãe. Por incrível que pareça o pensamento que me motivou foi "Não posso permitir que inventem mentiras sobre mim aos meus filhos. Eles merecem saber a verdade. Tenho que aguentar-me". 

Aterrorizava-me as mentiras que ele e a família iriam inventar sobre a mãe. Pode parecer estúpido, egoista porém foi a fórmula que encontrei para fortalecer-me. Não podia desiludir dois seres maravilhosos que não pediram para nascer neste inferno. Pediram-me muitas vezes para deixar o pai. 

Acredite UJM só quem está no lado de cá consegue sentir o que é subir o cadafalso diário. Hoje, já adultos sabem avaliar e, após 20 anos ainda sentem, no pai, a mesma raiva por não ter-me matado. Falamos, sem prurido, sobre isso.

Só para que conste, UJM, estamos a falar de dois cidadãos licenciados, no tempo em que elas ainda eram a sério, relativamente conhecidos no meio que frequentavam, profissionalmente reconhecidos...

Os amigos foram fulcrais. Nunca me julgaram, condenaram. Nunca duvidaram de mim mesmo não tendo assistido a quase nada.

Remato apenas para pedir-lhe nunca acuse ou julgue, independentemente do género, vitimas de violência doméstica. As pessoas não têm consciência que ao perguntarem-se "porque não sai" está implicito que é uma pessoa fraca. Não somos. Somos apenas diferentes das outras mulheres/homens: com uma capacidade de entrega aos outros sem limites. O agressor capta isso à distância e sabe explorar essa vertente. 


Apenas tomei consciência quando um amigo disse-me: ok, compreendes que ele tem problemas, que viveu uma infância infeliz, etc, etc, etc, mas a tua compreensão/desculpas contribui algum milimetro para a tua felicidade ou das crianças? Está a reproduzir o que se passou com ele. É isso que queres para os teus filhos? Irá mudar alguma vez? Se alguém tem que "morrer" tens que fazer uma escolha. Pensa nisso.

Muitos mais poderia falar. Fico-me por este já grande comentário. Desculpe-me a ousadia mas se conhecer alguém vitima de violência doméstica não lhe pergunte “porque não sais”.

Diga-lha apenas “o que posso fazer para ajudar-te a sair”. Mas passe à acção. Não se fique pelas palavras. Também o seu nome irá ser enxovalhado pois será uma colaboracionista. Prepare-se para fazer parte da guerra. Repare no que fez MMC: envolveu a família, a seguir serão os amigos e colegas de trabalho.

Com este alerta será uma opção, da sua parte e de todos os que nos lerem, mais consciente. Acredite, não irá arrepender-se. Os meus amigos nunca se arrependeram.

Continui a escrever como sempre o faz. Deixe as vírgulas e as gralhas nocturnas dormirem em sossego. Da minha parte estão há muito perdoadas.

Um abraço

Maria

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Sugiro este vídeo. 

Falo por experiência própria. Nunca me fez uma nódoa negra, nunca me tratou mal em público. Nos últimos anos, quando inseria a chave na fechadura o meu coração disparava de dor. Ser vitima de violência doméstica é uma situação só passível de entender por quem passa por ela. Tal como a morte de um filho estar nas mãos destes carrascos faz parte do inominável.





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Obrigada.

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Tudo o que eu possa fazer para ajudar as vítimas de agressão ou para alertar a suja consciência dos agressores, é pouco.

Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho: guerra aberta, o ódio à solta. Alcoolismo, violações, agressões físicas, invejas, loucura, dinheiro, capangas, tentativas de arrombamento, tudo serve como arma de arremesso. Não há filosofia que acomode tanta página solta. Coitados deles e, sobretudo, coitados dos filhos. A natureza humana é uma coisa muito estranha.


Isto, quando começa a correr mal, não há volta a dar. Este pequeno notebook só me dá desgostos. Agora a gavetinha para pôr o cartão das fotografias praticamente não funciona. Insiro aquilo, a coisa dá de si, parece que se alegra, depois desiste, vai-se abaixo, e é o costume nestas situações: não dança nem sai da pista. Portanto desisti, não sou pessoa para pacientar contra a força do material. 

Andei hoje por sítios maravilhosos: no Porto, andei a fazer o percurso do romantismo, e depois seguimos para Guimarães, essa cidade tão bonita que quase não dá para acreditar. Hoje que a bateria da máquina fotográfica carregou normalmente e deu para umas duzentas fotografias, é que a esta irritante miniatura lhe deu o fanico.

A ver se, amanhã ou depois, consigo dar-vos registo da minha reportagem fotográfica. Deixo-vos, para já, apenas o abstract

O Porto é uma maravilha... mas a sinalização...? Senhores. A gente anda aos bonés a não há uma santa tabuleta que nos ajude. Ou apontam para um portão fechado. E, se vamos de carro, apontam para ruas cortadas ao trânsito, o GPS louco, baratinado. E, se indagar a população, também geralmente não vamos a lado nenhum. Percurso do romantismo...? Ná, nunca ouvi. Casa Tait...? Ná, nunca ouvi, não faço a mínima. Ou:  apanhem mas é o 200 que a pé é difícil explicar. Coisas assim. Para ajudar à festa, o meu marido: vamos embora, isso deve ser uma treta sem interesse, não vês que nunca ninguém ouviu falar? deve ter sido algum tipo de Lisboa que inventou isso, vamos embora que já estou farto de andar às voltas. O costume. Diz coisas assim só para se pôr a caminho para o próximo ponto do trajecto. Mas eu sou carne de pescoço, dura de roer. E lá se encontrou tudo o que se queria encontrar; e digo-vos: lindo. Que jardins, que vista.

Depois Guimarães: que cidade tão bonita. Tão bem cuidada. Tão especial. E a comidinha boa do Hotel da Oliveira...? E o hotel que bonito...?

Mas não me dá jeito pôr-me a descrever isto sem ilustrar com imagens. Por isso, esperando que amanhã ou depois não apareçam notícias bombásticas que me desviem dos meus propósitos, logo vos falarei disto devidamente assessorada pelas minhas fotografias.

Por isso, hoje tenho que falar de alguma coisa que não requeira fotografias minhas.

Poderia falar do novo sound bite do Paulo Portas. Íamos no carro, a TSF a dar as notícias de meia em meia hora, e lá nos aparecia ele a dizer que achava que talvez daqui por umas semanas alguém lhe vai dizer que ele teria ganho o euromilhões, uma coisa nesta base. E depois concluía o seu palpite com uma bravata qualquer dirigida ao Totó Zé Seguro e rematava 'Antes celta do que grego, mas em qualquer caso, sempre português'. Quase conseguia ver o seu sorriso, feliz por ter desarrincado uma palermice destas em que os jornalistas, caniches que correm atrás de qualquer osso, iriam certamente agarrar e repetir até à saturação. À primeira, a custo, ainda consegui ouvir as pérolas por inteiro mas, a partir daí, mal ele aparecia e começava o seu devaneio, o meu marido desligava logo o rádio: 'Este gajo...!' Resultado: agora não sou bem capaz de reproduzir a cena e, em boa verdade, também quase não sei o que se passa no mundo.

Por isso, estive aqui agora a dar uma volta pela internet e a coisa não está espectacular. De tudo o que li, uma coisa ressalta de forma a 'mexer comigo' (... se eu detesto esta expressão, mexer comigo, porque estarei a usá-la? Que coisa.): o drama entre a Bárbara Guimarães e o Manuel Maria Carrilho.

E não estou a brincar. Isto incomoda-me mesmo. 

Já no outro dia aqui falei disto: não sinto especial simpatia por nenhum deles, ela porque é exagerada para além da conta, ele porque parece que é vingativo ou que não é bom da cabeça, nem sei bem dizer. Mas, enfim, parecia ser gente civilizada.




O que acabo de ler deixa-me siderada: agora ele diz que a mulher foi vítima de tentativa de violação por parte do padrasto. Mas que é que isto tem que vir para a opinião pública, senhores? São coisas íntimas e complicadas demais para estarem por aí, espalhadas desta maneira. Seja verdade ou mentira, isto é uma coisa inadmissível.

E leio que Manuel Maria Carrilho, que agora nos aparece magro, mais mal encarado do que é costume, diz que Bárbara Guimarães bebe três garrafas de vinho ao jantar, que o carro está todo espatifado por ela, embriagada, andar a bater em todo o lado, e que, desde que fez 40 anos, só pensa em botox e silicone, que não come, só bebe. E que a miúda, a Carlota, a ela só serve para a exibir, e que a miúda tem 30 pares de sapatos porque ela é só no que pensa, em fazer da filha um objecto de ostentação. E que ela tem inveja da forte ligação que existe entre ele e os filhos. E que ela é que, alcoolizada, o ameaçava com facas. Só coisas assim, de uma violência que assusta.


Uma pessoa que diz isto para a comunicação social só pode estar desvairada.

Leio também que ela o processou ou vai processar por difamação (presumo que, para além da queixa apresentada no DIAP por agressões).

Mas fico também na dúvida da veracidade do que se diz do lado de Bárbara Guimarães: que o marido a agrediu todos os dias nos últimos seis meses. Todos os dias? E ela deixou? E vejo que, já durante esse período, teve lugar o lançamento do livro dela, Páginas Soltas, apresentado por ele, onde ambos se elogiaram mutuamente, in love como sempre que os víamos. 


E agora vi que é tema do Correio da Manhã que ele quer dinheiro dela. Depois vê-se melhor e o que ele quer parece coisa normal: metade do valor da casa. Pois se aquela era a casa de ambos, não será razoável que fique com alguma compensação? Seria suposto que ficasse na rua sem um tusto? Complicado é que um assunto tão sério ande assim na capa de jornais e revistas e com um tão elevado grau de devassa.




Como é possível que a estima entre duas pessoas degenere num tão descontrolado ódio? Que se esqueçam as crianças? Que a vontade de magoar o outro, que a sede de vingança, sejam tantas que nem pensem que as crianças vão sofrer com o que se está a passar? 

Como podem pessoas supostamente civilizadas portar-se como animais enraivecidos? 

A vida profissional de ambos deve estar irremediavelmente comprometida; a vida emocional deve estar em frangalhos. Mas a família de ambos deve estar também aterrorizada e, quanto aos miúdos, nem quero pensar. Que coisa.

Palavra de honra que fico assustada com isto. Será que qualquer pessoa pode, se as circunstâncias assim o ditarem, tornar-se um monstro irreconhecível?

E será que não há forma de alguém os travar, os chamar à razão?

(Li, salvo erro no Expresso, que Manuel Maria Carrilho se encontrou com o Seguro para lhe falar nisto. Mas a que propósito? O Totó Zé Seguro é conselheiro matrimonial? Não deve ser pois parece que o Carrilho nessa noite foi ver se arrombava a porta de casa e andar à pancada a um amigo ou segurança da Bárbara. Que história rocambolesca esta, senhores. Uma apresentadora de luxo e um ex-ministro envolvidos em cenas de faca e alguidar... E até a ex-mulher dele, uma pessoa ligada à cultura, supostamente bem formada e bem comportada, Joana Morais Varela, escreveu uma coisa no facebook que mais parece letra de canção da Ágata. Ou seja, em vez de tentarem pôr água na fervura, parece que anda meio mundo a acicatar. Que impressão que isto me está a fazer.)


Tomara que atinem antes de se auto-destruirem e antes de traumatizarem os filhos. Numa altura de crispação social, em que já tantas mulheres morreram vítimas de violência doméstica, exemplos destes seriam totalmente de evitar.

Enfim.

Quase me faz lembrar a história de um casamento de sonho que acabou num divórcio destrutivo. Envolvia também uma Bárbara. The War of the Roses.



Nota: Só para verem como não há duas sem três. à noite, quando estava a escrever isto, não é que a internet móvel  também deixou de funcionar?

+++

Antes que isto se vá abaixo outra vez, despeço-me já. Tenham, meus Caros Leitores, um dia muito feliz.


segunda-feira, outubro 28, 2013

Um domingo de Outubro num Porto cheio de vida (Parque da Cidade, Castelo do Queijo, as belas casas da Av da Boavista e do Campo Alegre, Casa da Música, Serralves, Jardim Botânico, etc. - com a reportagem fotográfica possível)


Tinha deixado a máquina fotográfica a carregar durante a noite mas, para minha arrelia, hoje de manhã a bateria estava a meia haste. Uma pessoa passear sozinha é coisa que não deve ter ponta de graça mas eu, que tenho a sorte de ter companhia nas minhas andanças, quando não tenho forma de fotografar fico em estado de carência, quase como imagino que fique uma pessoa a ter belas coisas para ver e não ter com quem as partilhar.

Claro que tentei dosear mas se tirei umas 20 fotografias com a máquina foi muito. Cheguei a Serralves e ela tinha-se ido. Nada a fazer. Fui tirando fotografais com o telemóvel mas está muito longe de ser a mesma coisa. Além disso, naba como sou, ainda não aprendi a passar fotografias do telemóvel para o computador. Deve ser com um cabinho mas nem faço ideia onde esteja isso. E mesmo que ainda exista, deve estar em casa e não aqui comigo in Oporto City.

O dia amanheceu cedo e, depois de um belo pequeno-almoço, ala que se faz tarde.

Durante anos o Porto fazia parte das expedições familiares anuais. Contudo, ultimamente as expedições têm sido meramente profissionais o que, em termos turísticos, é zero. Tantas vezes que venho ao Porto mas é um toca e foge que mete nervos. 

Por exemplo, por incrível que possa parecer, eu que tanto gosto de jardins e parques, ainda nem conhecia o Parque da Cidade. Toda a gente me dizia que se trata de uma obra ímpar mas, sei lá como, nunca lá tinha conseguido ir. Fiquei encantada. Enorme, harmonioso, acolhedor. Fez-me lembrar o Parque da Paz em Almada e, fui agora confirmar, de facto é da autoria do mesmo arquitecto: Sidónio Pardal. os mesmos muros e muretes, arcadas e fontes em blocos de granito, as quedas e os planos de água. Mas onde o Parque da Paz  tem elevações, grandes desníveis, este é quase plano e estende-se até ao mar. E o de Almada ainda tem muitas árvores jovens enquanto este tem árvores feitas.

De certa forma, até me fez lembrar o Parque do Retiro em Madrid. Para minha admiração (tinha ideia que o pessoal do Porto não era tanto de vida ao ar livre), vê-se muita mas mesmo muita gente: imensa gente a fazer jogging, gente a caminhar, outros a andarem de bicicleta, imensas crianças, pessoas a passearem com os cães. Claro que no parque de Madrid há, por todo o lado, gente a cantar, gente a fazer malabarismos, gente a fazer teatro de marionetas e sei lá que mais - mas, enfim, os espanhóis são espanhóis, são aquela animação que se sabe, enquanto os portugueses preferem carpir ou pôr-se armados em virgens a censurar os outros (e a gente do Porto, embora talvez diferente dos demais, não deve fugir muito à regra).

Seja como for, este Parque da Cidade é notável. Belas árvores, belos percursos, recantos, bom ar, sossego e, apesar disso, um espaço habitado, cheio de vida. 

Fomos, portanto, até ao mar. O passeio junto ao mar cheio, cheio, gente a fazer desporto, gente a confraternizar, gente a desfrutar este belo espaço. E uma coisa que também dá gosto ver: também aqui, à semelhança do que vi na Ribeira, as esplanadas  todas 'à pinha'. Aliás isto tem sido uma constante e há nisto uma diferença substancial em relação a Lisboa. Aqui, por todo o lado vejo esplanadas, cafés, pastelarias, o que for, tudo cheio. Imensa gente sentada em mesas, a lanchar, e há lojas e lojas de bolos. E é cada bolo... Enormes! E bons. No sábado, numa esplanada cheia de sol, comi uma queijada sem queijo que era uma delícia (e, em tamanho, o dobro do que se comeria em Lisboa).

O passeio junto ao mar é uma maravilha. Trazer as cidades para junto do mar, tornar as cidades aprazíves, dar aos cidadãos a possibilidade de poderem estar na natureza em segurança e com qualidade é uma das virtudes de quem governa uma cidade a pensar na sua população. Aqui vi uma jovem que parecia uma gaivota, ensaiando um voo sobre as rochas, sobre as ondas. Não sei se conseguiu levantar voo mas, se o não conseguiu este domingo, consegui-lo-á um dia. Se tem alma de gaivota, voará.


E há um caminho que sai do passeio e vai mesmo rente ao mar. Que belas caminhadas, que belas lavagens cerebrais e emocionais aqui se podem fazer. Se os meus dias livres não fossem tão escassos, por aqui me quedaria, entre a sombra macias das árvores e a braveza destas águas.

Depois viemos andando pela Av. da Boavista que tem com cada casa que dá gosto, benza-as deus. Que casarões, uns tradicionais, outros modernos, outros condomínios, uma coisa...!

No Campo Alegre também há moradias, casas apalaçadas, que mostram bem o lado abastado do Porto.

No entanto, há contrastes assinaláveis. Há muitos pobres. Há locais em que se vê gente nos caixotes de lixo ou a dormir no chão ou gente com ar de quem não tem muito para viver.

E vi uma coisa que não é frequente: muitas pensões com mulheres à porta, uma prostituição às claras. Estranhei. O meu marido diz-me que, se calhar, se passar pelo Intendente, vejo a mesma coisa. Não sei, não costumo lá passar. Aqui, é o dia todo. E ali para os lados do Bolhão até ouvimos um sujeito mal encarado a discutir o preço, que 20 euros era demais para o serviço. A sério.

Bom, retomo o passeio.

A partir daqui não tenho fotografias pelo que terei que ser meramente descritiva.

Era hora de almoçar pelo que, ficando em caminho, ali na Boavista, fomos ao BB Gourmet. Muito bom. Entradinhas frias e quentinhas, depois um prato quente (bacalhau à bráz feito com todos os matadores), depois umas saborosas sobremesas. Tudo excelente.

Dali seguimos para uma espreitadela à Casa da Música, aquele fantástico edifício, Uma vez mais me surpreendi: dezenas de miúdos fazendo skate nas rampas e contra-rampas que circundam o edifício. Nada pode ser mais agradável do que perceber como um edifício assim foi adoptado pelos jovens da comunidade em que se insere.

Depois fomos, é claro, para Serralves. Serralves é para mim um must. As exposições são frequentemente uma coisa muito estranha mas é, sobretudo, pelos jardins que sou atraída.

Pois bem, uma vez mais, não apenas o museu estava cheio como o parque estava também agradavelmente habitado. Turistas, sim. Mas uma cidade vive mais, embeleza-se, quando há uma miscigenação, quando os seus habitantes se misturam com nórdicos, com japoneses, com o que calhar. Não é bom ouvir o sotaque cerrado do puorto, carág, e, logo a seguir, uma romântica voz italiana, uma sedutora voz francesa, ou ver a elegância de uma jovem japonesa como aquela que ontem fotografei? Eu acho que só faz bem às cidades, torna-as menos ensimesmadas, abre-as à diversidade.

A seguir fomos visitar o Jardim Botânico e ver (mas apenas na entrada e por fora) a Casa Andresen, a casa da família de Sophia e de Ruben A. Já estava escuro, esta porcaria da hora de inverno dá nisto. Antes das seis da tarde e já é quase de noite.

Compras? Não deu para nada. O tempo é curto.

Mas consumista que é consumista não deixa de consumir mesmo quando o tempo é escasso. 

Então foi assim: na loja de Serralves comprei três livros, um sobre os muitos retratos de Fernando Pessoa (retratos que os vários pintores têm feito de Pessoa), outro sobre Paula Rego (várias pessoas escrevem sobre a sua obra) e um sobre a amizade entre Fenosa e Picasso.

E no sábado, em Gaia, comprei um Santo António, artesanato, uma peça bonita. Se não fosse tão tarde ia fotografá-lo para o mostrar aqui. Mas estou mais para lá do que para cá, um sono... Logo faço isso.

Depois, à noite, porque ainda não estávamos com fome para uma jantarada, andámos à procura de uma coisa ligeira e demos com uma coisa muito simpática, o Lado B, mesmo em frente do Coliseu. Mandámos vir um prego no pão à Lado B, um hamburger com abacaxi grelhado, uma salada mista e, para sobremesa, o melhor bolo de chocolate do mundo e um crumble de maçã com uma bola de gelado. Supostamente deveria estar fechado ao domingo mas a verdade é que estava aberto e repleto. E o meu marido ainda viu um bocado do futebol embora talvez preferisse não ter visto. O Sporting só lhe dá desgostos.

Já agora: no sábado à noite matei as minhas saudades do Abadia. Tão bom. A qualidade de sempre. Já lá vou faz séculos mas há algum tempo que não ia. Das últimas vezes que tenho jantado no Porto tem sido em serviço e, nessas alturas, costumamos ir a lugares onde se bebe do fino. Mas, para mim, esses lugares não têm a mística da Abadia. Pois bem; se era para matar saudades, fizemos de forma a que ficassem bem mortas: Tripas à Abadia e Duo de Bacalhau e Polvo no forno com batatinhas e couve. De sobremesa, tarte escondida de maçã e abacaxi. Tinto para acompanhar, claro.

Amanhã de manhã ainda quero fazer parte do programa que estava destinado para hoje e que não pôde ser cumprido por causa do dia ter encolhido e, a seguir, rumamos um pouco mais a norte. 

Foi apenas um fim de semana mas tão recheado que parece que estou de férias há uma porção de tempo. E agora só são mais dois diazitos mas quero lá eu saber: é o que se pode ter e é mais que bom.

Como sempre vim carregada de livros. De cada vez que faço a mala para ir a qualquer lado, não consigo evitar um prenúncio de desaguisado conjugal, Preparo-me sempre para vir com uma carrada deles, para um just in case, e o meu marido força-me a abdicar de alguns, não está para ter a mala tão carregada. Como é bom de ver ainda apenas comecei com a introdução de um deles. Li o Expresso e, mesmo assim, não foi fácil. A ver se amanhã me consigo dedicar a isso, pelo menos enquanto estiver no carro.

E pronto, por aqui me fico. Escrever neste petit notebook e com internet móvel é um suplício, uma pasmaceira, nem sei como não adormeço à espera que isto se mexa.

Para o caso desta minha soneira ter transparecido e vocês estarem também quase a dormir, aqui vos deixo 'O Porto aqui tão perto' do Sérgio Godinho.




Resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta segunda feira. 
Be happy.

domingo, outubro 27, 2013

O Porto sentido iluminado pela suavidade dourada de Outubro





Quase sem palavras pelas razões que expliquei abaixo, no post em que mostro as fotografias da manifestação no Porto, partilho aqui convosco algumas das fotografias que tirei hoje de tarde na Baixa, na zona da Ribeira e em Gaia.

Devo dizer-vos que estou surpreendida com a quantidade de pessoas na rua, especialmente lá em baixo junto ao rio. E turistas e turistas. Uma animação. E não foi apenas por quase só ouvir falar outras línguas que me parecia estar noutro país. Não. O Porto é mesmo uma cidade que, sendo europeia, é pouco portuguesa. E que bonita está banhada por esta luz dourada de outono.

Ora venham daí, comigo. Vamos passear.



















Estação de Comboios de S. Bento

Café Majestic

E, recordando-vos que, descendo um pouco mais, poderão ver algumas fotografias da manifestação 'Que se lixe a troika', por aqui me fico. Não levem a mal que as palavras hoje sejam tão parcas. Pode ser que amanhã consiga estar na forma do costume.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo.

Fotografias da manifestação 'Que se lixe a troika' com cheirinho a Porto, carago!


Meus Caros Leitores, passa da uma da manhã agora que estou a começar a escrever isto. Estive a passar as fotografias para o computador e a escolher algumas. Saí cedo de casa, depois foi a viagem e, cá chegados, passei o dia a andar, a passear, e jantámos tarde. Por isso, não consigo já escrever como gosto de fazer. Estou cansada e com sono para além da conta, até me dói a cabeça. Vou apenas mostrar-vos algumas fotografias. 


Passos vai roubar o c... 

Primeiro vou mostrar-vos imagens da manifestação 'Que se lixe a troika'. A manifestação de há cerca de 1 ano a que assisti em Lisboa não se comparava com esta. Não sei como foi essa aqui no Porto.


Esta a que aqui assisti foi grandinha, compostinha - mas nada daquela multidão compacta, efervescente e criativa que testemunhei em Lisboa em Setembro do ano passado.

Baixa do IRC é a nova TSU
Ministro da Economia mete a lei no cu

Esta foi pouco divulgada. Nós só demos por ela quando, ao irmos para a Rua de Santa Catarina, vimos um ajuntamento na Batalha. Depois apanhámo-la já mais engrossada a entrar nos Aliados. Mas muito silenciosa, quase triste. Alguns cartazes que ofenderão as meninas do coro que se ofenderam com os 'filhos da mãe', os 'estupores', os 'bandalhos' usados pelo Sócrates, mas, mesmo esses, tão serenamente deslizavam pelas ruas que se tornavam quase apenas uns objectos estéticos. E é sabido que a estética é coisa muito subjectiva.


Este Governo mete-me nojo

E, comparando com a novidade que a outra teve, esta parece uma coisa quase como se de um fim de festa se tratasse. Os cartazes continuam feitos à mão, nada de palavras de ordem. Gritos de alma. Gritos que deveriam ser levados em consideração, respeitados. Esta é a voz dos que ainda têm energia para se manifestarem. Os outros nem isso têm.

Privatize-se também a puta que os pariu a todos

O meu marido disse hoje uma verdade 'quase não se vêm putos; os sacanas estão-se nas tintas para o que se passa'. E, de facto, a manifestação tinha predominância de pessoas de idade ou meia-idade. 


Alguns jovens com ar vagamente alternativo e pouco mais. Em contrapartida, centenas ou milhares de jovens de capa e batina apinhavam-se mais tarde, na maior animação, junto ao Coliseu e nos cafés da zona. Farra, copos e pouco mais parece ser o que mais os move. E, logo eles, que têm o futuro tão severamente comprometido. Que incómodo que isto me causa.

Para os nosso políticos aumento de 3,4 milhões de euros em 2014
Para os aposentados e funcionários públicos - cortes

É uma pena. Estes pântanos são muito perigosos. Prestam-se a tudo.

Para onde vai o dinheiro que nos estão a roubar?


Rua com estes xulos


2013 - Morte lenta

Nota: Isto saíu-me tudo desformatado mas estou com o mini-portátil que parece que é pequeno também nas possibilidades ou, então, é a minha aselhice que aumenta na proporção inversa do tamanho da ferramenta que utilizo. E é muito lento, uma seca. Ou então é da internet móvel. Podia ficar aqui a labutar mas não consigo, tenho muito sono. Fica assim. Conto com a vossa benevolência.

sábado, outubro 26, 2013

Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho separados, divórcio litigioso a caminho, queixas no DIAP, seguranças à porta de Bárbara, Manuel Maria sem poder aproximar-se dos filhos, acusações muito feias a virem para a praça, uma roupa muito suja a ser lavada em público (violência doméstica por parte dele - diz ela; alcoolismo permanente dela - diz ele). Sabem o que vos digo? O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita: aquele casamento encenado para aparecer na comunicação social não augurava nada de bom.


A separação de um casal não deveria ser notícia pública. Ir uma pessoa ao supermercado, estar na fila para a caixa e só ver as revistas do coração cheias da Bárbara Guimarães e do Manuel Maria Carrilho a separarem-se é absurdo. O que temos nós a ver com isso?


Agora vejo que o assunto já saltou do Correio da Manhã para a primeira página do Expresso, que ambos emitiram comunicados para os meios de comunicação social, que as acusações são feias e que estão a subir de tom - e começo a ficar perplexa.

Não estamos a falar de gente que viva no Bairro da Belavista ou da Quinta do Mocho, não estamos a falar de gente de um estrato social que conviva de perto com cenas esdrúxulas como estas. Não, nada disso. Não estamos a falar da Vanessa de Sousa e do Idailson de Jesus. Não. 

Estamos a falar de Bárbara Guimarães, uma das mais conhecidas apresentadoras de televisão, agora a apresentar o factor X, e de Manuel Maria Carrilho, antigo ministro da Cultura, antigo embaixador de Portugal na UNESCO, professor universitário.


Gente mediática, sempre vistos em atitudes de enlevo extremo (coisa que sempre me despertou alguma curiosidade porque ela, agora com 40 anos, é extrovertida, sensualona, um bocado desbocada e explícita para além da conta e ele é o oposto, 62 anos, viperino, ensimesmado, afectado). Pelo menos a mim, nada fazia prever uma coisa destas. 

Leio agora que ela diz que vinha sendo vítima de violência doméstica continuada. Ele defende-se e garante que "nunca tocou" na mulher e que o problema está em que ela está a "actuar como uma pessoa enlouquecida, fruto de estar sistematicamente alcoolizada". Bonito serviço.


Devo confessar que nem um nem outro me são especialmente simpáticos. 

Acho que Bárbara Guimarães vem funcionando num registo de exagero que não faz bem o meu género. Está uma Alexandra Lencastre em moreno e isso não é nada que abone a favor dela. Diz ela que "Sou atrevida por natureza. O meu marido adora, não acha mal nenhum". Pois.


Manuel Maria Carrilho, por outro lado, não me parece uma pessoa franca. Parece-me que facilmente tende para a afectação e para a deslealdade.


Mas a minha estranheza quando os via dengosos um para com o outro não nascia nessa altura. Já vinha de trás.

Quando foi aquele casamento no Alcântara-Café há uns dez anos, uma coisa tão mediatizada, um exclusivo Caras (se não estou em erro), pareceu-me uma coisa tão da boca da fora - em vez de ser do coração para dentro - que imaginei que aquilo devia ser fachada para qualquer coisa pelo que, na minha cabeça, não ia durar muito.


Nessa altura a comunicação social mostrou-nos um casamento que mais parecia uma reportagem fotográfica do que um momento de partilha e entrega. Muita impressão isso me fez na altura. 


Que ela, habituada ao plateau, ao aplauso, às câmaras, se portasse como uma estrela de televisão em acção não me espantou nada. 

Agora que ele, com uma vida académica e política significativas, já num segundo casamento (ou união, porque tenho ideia de que ainda não se tinha divorciado), já com mais de cinquenta anos, se predispusesse a andar por ali, distribuindo sorrisos e fazendo poses, já me pareceu extraordinário. Se me desse ao trabalho de andar a pensar neles (o que não é o caso) estaria, desde esse dia, com uma pedra no sapato. Penso que casamentos assim não costumam dar casais duradouros e/ou felizes. Acho que a coisa é mais forte se o afecto vier mais de dentro do que se andar sempre muito exposto, em permanentes e muito explícitas demonstrações. Parece que andam num cheeeeeese permanente, não sei.

Entretanto tiveram dois filhos e a imprensa mostrou-os a saírem do hospital, bebé ao colo, felizes, pais babados com a prole: Dinis Maria e Carlota Maria. Depois víamo-los a passear, modernos, bonitos, felizes. Tudo perfeito. 


Durou, portanto, bem mais do que eu imaginava, este casamento. 

Sistematicamente víamo-los na imprensa cor de rosa, sempre in love - e sempre me intrigou sobre o que levaria uma pessoa com o CV daquele homem a prestar-se a andar sempre a aparecer naquelas revistas, sempre agarrado à calmeirona da mulher como se fosse um daqueles empresários, agentes, profissões dessas que as apresentadoras gostam de ter como maridos. Geralmente as pessoas do mundo da docência, da política e/ou das artes preferem resguardar-se da voragem dos media. Mas, enfim, se achava que aquilo era demasiado artificial para poder durar eternamente, sempre imaginei também que o casamento de Bárbara e Manuel Maria acabaria com alguma classe, pelo menos com recato. Mas não: estrondo qb e difamação aos quatro ventos é aquilo a que assistimos.

Só espero que Bárbara Guimarães, a ser alguma outra, mal por mal, seja antes uma Lencastre e não uma Margarida Marante. Não sei o que se passa com ela ou se é verdade que anda sempre alcoolizada, nem sei se é verdade que ele vinha exercendo violência (física? verbal? psicológica?). O que sei é que, se ela está com problemas, deve tratar-se; se ele é um cobarde agressor, deve ser punido. Mas é escusado este espectáculo deprimente de andarem a exibir a sujidade caseira na praça pública.


... Que isto até parece manobra de diversão engendrada pela poiazinha madura para distrair as atenções do OE 2014, senhores. Só parvoíces neste país, credo, que ninguém me poupa. Até isto que estou a escrever é uma parvoíce, que nervos.

[Mas digam lá: esta ano isto não tem tem sido mesmo uma coisa...? Foi a Judite de Sousa, foi o Clint, agora é Bárbara. O que se vai seguir? A Maria Cavaca dar uma bolachada em público ao Cavaco?

...

Mas olhem... que, pensando bem, até era capaz de não ser má ideia...].


*

Bem. Como sempre, isto está longo e eu tenho sono - pelo que por aqui me fico.

Aproveito para dizer que, para completar o 'Estudo em Scarlett' de Pedro Mexia no O Malparado, juntei um filme que é uma graça e isso pode ser visto já aqui abaixo.

NB: Metade deste texto foi escrito em piloto automático: estou praticamente a dormir. Ou seja, já sabem: relevem, por favor, toda a espécie de erros e omissões, vírgulas a mais ou a menos. E etc.

*

Resta-me despedir-me por agora. 
Tenham, meus Caros Leitores, um belo fim-de-semana.