Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, agosto 31, 2013

As primeiras fotografias do casamento de Andrea Casiraghi, o filho de Carolina de Mónaco, e de Tatiana Santo Domingo (e uma da despedida de solteira dela). Portanto, Carolina de Mónaco já é sogra. Bem, avó já era mas como, nestas coisas, a ordem dos factores é arbitrária, só agora é que os pais da criança, Sacha de seu nome, deram o nó. Aparentemente mantiveram o estilo descontraído, hippie chic. E que sejam muito felizes!!!


Este sábado um dos filhos de Carolina, o mais velho, Andrea, de 29 anos, casou-se. A noiva é a sua namorada de há vários anos, Tatiana Santo Domingo, filha de um milionaríssimo homem de negócios colombiano e de uma socialite brasileira. Ambos são pais de Sacha que nasceu em Março deste ano. O casamento teve lugar no Prince's Palace quase 30 anos depois dos pais de Andrea, Carolina e Stephano, se terem também casado lá.


A cerimónia foi ao gosto dos noivos, sem grandes aparatos mediáticos. As primeiras fotografias que se conhecem são poucas e são quase só as que começam a aparecer nos facebooks de alguns dos participantes.


Tatiana santo Domingo e Andrea Casiraghi descendo as escadas no dia do casamento

Tatiana santo Domingo e Andrea Casiraghi descendo as escadas no dia do casamento

Tatiana, que estudou História de Arte, é sócia da Muzungu Sisters, um negócio de moda que diz respeitar a ética e que apoia o artesanato local. Apoia ainda várias causas humanitárias.

As fotografias mostram-na quase sempre com um vestuário descontraído, muito ao género hippie chic. Por isso, não é de estranhar que, seja esse o look que escolheu para se casar. Flores no cabelo, cabelo solto, despenteado.

A cerimónia foi privada, para cerca de 400 convidados. Ainda não consegui descobrir nenhuma fotografia de Carolina mas estou curiosa. Curiosa em relação a ela e a toda a família - gosto de ver fotografias de casamentos.




Apenas descobri fotografias de alguns convidados. Todos descontraídos, elas floridas, frescas e radiosas. Não sei se estavam a fazer publicidade a alguma marca de óculos pois vejo-os a quase todos com uns óculos retro bem divertidos.



O irmão de Tatiana, Julio Mario Santo Domingo, que tem um ar vagamente dissoluto,
(aqui a brindar com uma bruta caneca de cerveja
que veio de Brasserie de Monaco que forneceu seis barris para que não morressem de sede)
com algumas amigas




Só sei que são amigos  e, lá está, também com os ditos óculos

As damas de honor, vestidas de Dolce & Gabanna






Como não tenho mais fotografias do casório, para compensar a escassez, mostro-vos uma fotografia muito bonita, a da despedida de solteira da Tatiana. Estavam todas de branco, excepto Tatiana que estava com um vestido Missoni em tons de encarnado.



Uma festa de meninas a bordo de um barquito sobre as águas presumo que do Mediterrâneo.
É a despedida de solteira da noiva Tatiana Santo Domingo.
Sentada em primeiro plano à esquerda, a cunhada Charlotte Casiraghi, completamente grávida.
E as flores em volta da cabeça de todas a marcar o estilo hippie chic tão caro a Tatiana


Só me resta desejar que saibam manter-se felizes (mais felizes do que a mãe dele tem sido que, por uns motivos ou por outros, não tem tido sorte no amor). E que a Tatiana desfrute bem o facto de estar casada com um dos homens que tem sido sucessivamente considerado dos homens da realeza mais bonitos de sempre.



Tatiana Santo Domingo e Andrea Casiraghi numa foto anterior.
Lindo ele, lindo mesmo - o que não é de estranhar sendo filho de quem é.


E assim, com este post, contrario o tom negativo do de ontem, em que falava de divórcios.

Casa, descasa, e a vida continua. E vivam os noivos!

De que gostam os homens nas mulheres? E as mulheres nos homens? Talvez se a Fanny do Big Brother desse umas explicações, mais alguns casamentos se conseguissem aguentar. Uma coisa é certa: junto da Fanny uns caem, outros tombam. Monica Bellucci e Vincent Cassel, Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones, Clint Eastwood e Dina Ruiz, Luís Represas e Margarida Pinto Correia - o Verão trouxe o fim destas relações. Divórcios, traições, cansaços. E, face a isto, qual o meu modesto contributo? Bem, aqui está: "Top 10 Movie Seduction Scenes" (quem dá o que tem, a mais não é obrigado, certo...?)


Que me desculpem os meus Leitores mais intelectuais, ajuizados, quiçá até economistas, contabilistas e advogados, já para não dizer os filósofos, historiadores, médicos, professores, simples diletantes ou verdadeiros literatos, ou, ainda mais, as donas de casa, mães e avós de família, gente atilada e dada a preocupações inquestionavelmente preocupantes. Receio estar a decepcioná-los. 

Mas, meus Caros, este calor derreteu o meu neurónio (o único) que se ocupava da paciência. Logo, dou por mim sem qualquer paciência para coisas maçadoras. Cavaco Silva? Nem sei onde pára nem com que se ocupa (e não é de agora, é desde que foi eleito PR). Passos Coelho? Não presta, não gosto. A Merkel? Não tenho já pachorra para essa bardajona. Quem mais? Tozé Seguro? Ora, vou ali e já venho.

Por isso, não me ocorre nada mais senão ocupar-me de assuntos verdadeiramente importantes.

Vamos pois ao que interessa.


1. Afinal de que é que os homens gostam numa mulher?


É uns a cair, outros a tombar, diz a Fanny do Big Brother na capa da revista Gente. Não é coisa pouca, deitar por terra todos os que dela se aproximam. Não sei se é bom, se é mau mas, pelo sorriso, ela deve gostar. Parte do sucesso talvez se deva ao que se anuncia na TV Mais: Há uma nova Fanny, uma Fanny que perdeu 13 kg.





Começo, pois, a perceber que o segredo para um sucesso avassalador junto do sexo masculino está na perda de peso. Não sei se, para o conseguir, a Fanny, à semelhança da Teresa Guilherme, também se limitou a fechar a boca e a controlar umas mãozinhas desobedientes.

Tento saber mais mas o site apenas me mostra as fotografias da nova Fanny. Do que vejo, parece-me que só os seios serão responsáveis por metade do que ela pesa. Claro que, ignorante que sou, não faço ideia se aquilo é tudo dela ou se resulta de muito enchimento mas, enfim, é pormenor.

Tudo isto vos pode parecer conversa à toa: o que é que interessa se a Fanny os faz cair ou se os tomba? Pois eu respondo: Interessa e muito.

Tanta mulher por aí cheia de preocupações metafísicas, filosofias psicanalíticas, tácticas comportamentais, troca de confidências ou de conselhos, dicas sobre nails, carteiras, sapatos, e sei lá que mais, se o que interessa para começar e manter uma relação é a lealdade, se é a confiança, se é a maturidade, se é a inteligência e o escambau e, afinal, a coisa é bem mais simples: o truque é manter a boca fechada e controlar as mãos.

É claro que nem todos os homens concordarão. Haverá os que preferirão uma mulher que dê uso à boca e umas mãozinhas que não fujam às tentações – mas, enfim, isso é bem capaz de estar circunscrito àqueles homens pré-históricos, casos perdidos [daqueles que ainda não conseguiram perceber que para estarem fashion devem usar calcinha justa pelo tornozelo, de preferência aos quadrados, e camisinha cintada, bem justa, aberta até meio do peito (sem pelos à vista, claro!)], que gostam das mulheres como elas são.


2. O que é que está a dar nos casamentos maravilha, senhores…?


Em contrapartida, casamentos solid as a rock, estão a ruir a uma velocidade estonteante. Isto está a deixar-me preocupada. 

a) Primeiro confessou que a causa do seu cancro de garganta foi a prática de sexo oral; depois veio a saber-se que a mulher tão depressa está uma gata como, a seguir, está com a zorra. Mais: que a inesperada confissão em público do marido levanta tantas dúvidas que, para não ter que responder, ela, Zeta, 25 anos mais nova que ele, Michael, resolveu mandá-lo dar uma grande curva, quiçá lamber sabonetes. Percebe-se. 




Catherine Zeta Jones, que é bipolar, gosta de uma vida calma
Michael Douglas é um gabiru da cidade e das festas.
A confissãozinha foi a gota de água.


O casamento não resistiu.


Ou seja, sabemos agora que os 13 anos de casamento chegaram ao fim. Resolveram mesmo separar os trapinhos porque o stress entre eles já era uma coisa que não dava para aguentar. E, no entanto, olhando-os, custa a perceber que qualquer deles tenha preferido prescindir da companhia do outro.


b) Depois foi o Clint, velho bode, 83 anos, um charme que não acaba (quase tanto charme como um conservadorismo reaccionário que parece que não tem nada a ver com os filmes belos e sensíveis que faz) a quem se contabilizam - entre casamentos, ajuntamentos e affaires - cerca de 16 (dezasseis!) mulheres, sendo que aos 7 ou 8 filhos que tem, não sei ao certo, correspondem umas cinco daquelas mulheres. Um salta pocinhas, aquele maganão. Pois bem, depois de temporadas de depressão e crises de ansiedade, a mais recente mulher, de facto a segunda com quem se casou, Dina, 35 anos mais nova que ele, veio assumir que o marido tinha deixado de sentir paixão por ela... pelo que o casamento estava terminado. 




Clint Eastwood e Dina Ruiz, pareciam sempre tão felizes,
parecia que o velho pistoleiro se tinha aquietado.


Afinal, descurtiu, desapaixonou-se outra vez.



17 anos de casamento e uma filha. Vamos ver se um dia destes não nos aparece aí com nova namorada. O que havia nela que o fez perder a paixão? Ou o que se perdeu nela?


c) Mas não fica por aqui, ah pois não. Havia um casal que vivia no cimo de um vulcão. Guerras, arrebatamentos, um fogo difícil de controlar. Tinham-se conhecido em 1996 quando participaram no L'Appartement. Monica Bellucci e Vincent Cassel.


Foi fogo que ardeu mas que se via - a chama era visível, atraente. Não se largaram mais.





Mas, fogosos e temperamentais, a partir daí o amor foi ferida que doía e se sentia, contentamento descontente, dor que desatinava até doer.



Monica Bellucci e Vincent Cassel, um casal de sedutores, ímans que se atraíam

Mas o casamento não resistiu



Durou 14 anos o casamento cheio de altos e baixos, e tiveram 2 filhas. Há pouco tempo Monica disse que o casamento com Vincent estava bem mas que para o ano seguinte não sabia e que a infidelidade a atraía. Nada de mais, Monica é sensual, provocante, e as mulheres sensuais e provocantes gostam de dizer coisas assim.

De resto, Vincent também disse que ele e a Monica eram dois animais muito diferentes um do outro mas que tinham uma coisa em comum: estavam-se nas tintas para o que os outros pensavam deles.

Até que agora se soube que afinal o casamento chegou mesmo ao fim. Poderia ter sido apenas cansaço por tanto choque de frente.

Mas não. Sabe-se agora que Vincent soube que a bela Monica vivia, desde 2009, um romance secreto com um ricaço, o magnata do Azerbaijão, Telman Ismailov - e não achou muita graça.



Monica Bellucci e Telman Ismailov, um casal que me surpreendeu

(Como é que ela troca o Vincent por este Telman?!?!?
A Monica sucumbiu à beleza do dinheiro?
Não a estava a ver assim mas, enfim, que sei eu?)




Conheceram-se quando Monica foi a estrela convidada da inauguração do hotel de luxo Mardan Place, um dos investimentos de Ismailov na Turquia.

Face a isto, que venha, então, um novo poeta e redefina o amor.



d) Como se estas revelações lá por fora não fossem já suficientemente demolidoras e já não tivéssemos o mediático caso da Judite de Sousa e Fernando Seara, eis que agora a Lux nos informa que mais um casal se separou, desta vez o Luís e Margarida. 15 anos de casamento ao ar. Os dois, que mais pareciam gémeos, cabelo quase igual, talvez o dele mais farto que o dela, não sei se ele também já usava um brinco de sua nação em cada orelha, tão certinhos, tanta solidariedade institucional com tudo e também entre ambos - e agora isto. Ora, assim não vale.




Luís Represas e Margarida Pinto Correia,
mais um casal maravilha que bye-bye, foi bom mas agora já chega

...

Uma relação quando acaba deixa um sabor a fim de festa, a insucesso, a pouca sorte. Seria mais fácil se o amor fosse eterno mas, enfim, são coisas que acontecem, nada a fazer quando a coisa dá para o torto. E para a frente é que é caminho!


//\\


As coisas têm sempre dois lados. Por cada casamento que chega ao fim, há geralmente dois novos seres livres, ou seja, oportunidade para novos romances. Claro que pode acontecer que apenas um esteja solto na vida porque o outro já se tenha encantado por outro lado (como foi o caso da Bellucci, por exemplo). Não interessa: que fique apenas um disponível. Para quem anda desolado a pensar que não há ninguém livre, será mais um que entra em cena. No caso referido apenas um terá ficado livre, o Vincent. Mas, convenhamos, é um que faz favor... vale por muitos. Imagino a alegria da mulherada que lhe pode chegar perto, sabendo-o free as a bird.

Adiante.

Mas, atenção, para encetar um novo romance, é indispensável estar desperto e disponível para ele - muitas vezes já aqui tenho pregado esta minha inovadora e complexa teoria de cão de caça.


Como fonte de inspiração, aqui deixo o 'Top 10 Movie Seduction Scenes'

(Não coincide inteiramente com o que seria a minha escolha mas também não tenho que vos estar a impingir as minhas escolhas, não é....?)



**

E tenham, meus Caros leitores, um belo fim de semana! 


sexta-feira, agosto 30, 2013

Afinal o que é que a Teresa Guilherme fez para estar tão gira? Botox? Cirurgia plástica? Laser? What?! Qual o segredo para ser tão assediada? E quem é afinal o namorado secreto, esse sortudo?.... Ora bem. Apresento-vos as respostas possíveis. [E, de caminho, relato um outro caso verídico a que assisti de perto, e que é uma coisa na mesma base: muita mexida para ficar nova, muito assédio, muito namoro]


No post abaixo falo de mais uma inconstitucionalidade de Passos Coelho, coisa banal. Mas falo ao de leve para não perder tempo com banalidades, tenho aversão a banalidades, só o que é estranho me atrai. Passo, portanto, já para o tema de hoje.

Ontem, aqui no Um Jeito Manso, a propósito da referência que fiz à capa da revista da Lux desta semana que mostra a Teresa Guilherme toda sorridente com o seu novo look - 9 kg mais magra e supostamente intervencionada através de diversos tratamentos estéticos - a Caríssima Helena Sacadura Cabral, desconfiada, deixou cair a pergunta: Mas o que é que aconteceu à Teresa para além de perder 9 Kg? 


Pois. De facto, perguntei-me a mesma coisa ao vê-la: parece igual. Mas ela deve achar que está uma brasa senão não seria capa de revista falando sobre o tema e sobre o que o namorado acha sobre o tema.

Como sou moça de desafios, resolvi investigar: afinal o que é que ela fez, senhores? O que é que mudou nela, que a gente olha e parece que está na mesma? 

O resultado não estava longe. 

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E música,  por favor, que o momento pede acompanhamento musical: 

Quim Barreiros interpreta 'Chupa Teresa' 


Relevem, por favor, aquilo que pode ser tomado como algum excesso de malandrice mas que, de facto, também pode apenas ser uma brincadeira à volta de uns trocadilhos maliciosos, coisa mesmo inocente, coisa de alguém que estava apenas a falar de sorvetes. Lembrei-me dela por ser dedicada a uma Teresa, não que a letra me fizesse lembrar a Guilherme, credo. 




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Eis Teresa Guilherme há alguns anos, seguramente antes de começar a ser intervencionada

(.... Olhando-a aqui até parece que estamos a fazer uma viagem no tempo, ó minha Nossa Senhora)

Leio então: sobre os 9 kg que perdeu, diz Teresa Guilherme que seguiu a regra de fechar a boca; ou seja, passou vários meses de fominha, sem se sentar à mesa, sem ir jantar fora e sempre a “fugir à tentação das mãos, que é agarrar o pãozinho, o queijinho…"




Teresa Guilherme aqui já tinha rejuvenescido um bocadinho
mas parece que a boquinha aqui fechada era só para nos enganar
porque ainda devia estar naquela fase das mãos tentadoras

Quanto ao resto, a apresentadora não tem problemas em falar sobre os vários tratamentos estéticos a que se tem submetido: botox, já “há muitos anos”, laser, uma desintoxicação alimentar duas vezes por ano em Itália e injecções de cocktails vitamínicos.




Não sei se a foto é recente ou se o namorado é este e, se for este, se é um tal de Cóias.
Mas isso agora também não interessa.

E ainda há o caso do namorado de quem, pelo que leio, ninguém sabe quem é: na entrevista à revista “Lux” desta semana, a apresentadora de 58 anos admite que há um homem na sua vida, mas recusa-se peremptoriamente a revelar quem é o eleito. Não diz o nome, nem a nacionalidade, nem sequer a idade…


Teresa desmente apenas que seja um italiano, como chegou a constar na praça, e sugere apenas que se trata de uma pessoa mais jovem do que ela.

A apresentadora, que se divorciou de Henrique Dias em 2008, revela que fez “um ano de luto” mas que, depois, nunca mais parou de namorar. “Sou namoradeira e assediada. Muito!”, sublinha.


Ora bem. Quem diria, hein...?!? 

A Teresinha toda maluca, toda assanhada, toda assediada. Deve ser giro de ver.


\\\///

Isso recordou-me uma coisa.

Conheço vagamente uma senhora (e não é a Senhora Dona Lady), alta dama da mais requintada sociedade, que, de tantas plásticas que fez, mais parece já um desenho mal acabado. Parece que está a deixar de ser tridimensional para passar a duas dimensões, aplanada. E a gente não sabe se ela está sempre a sorrir ou se, de tanto a esticarem, já ficou de boca alçada. Rugas não tem mas também não tem coisa nenhuma, muito menos expressão. Toda a gente a toma por meia tonta mas não sei se isso é verdade ou se resulta de ter ficado tão repuxada que parece andar sempre meio a rir mesmo quando está num velório.

Em contrapartida, há uns anos, havia no meu trabalho uma senhora - e creio que até já falei aqui dela - que, quando andaria perto dos sessenta anos, resolveu ter um caso com um colaborador meu que, na altura, andava pela mesma idade. Ao passo que ela era divorciada (e avó) ele era casadíssimo (e também avô). De cabeça completamente perdida por ela, ele largou a mulher e a casa, marimbou-se para a filha e para o neto (pois a família ficou tão chocada com o que ele fazia que lhe pôs a faca ao peito: ou voltava a ter juízo ou, então, que esquecesse a família – e ele esqueceu a família) e pouco tempo depois, apaixonado como um adolescente, foi viver com a dita colega.

Essa colega, bonita não era mas era aquele tipo de mulher de anca larga, perna grossa, cabelo pintado de louro claro sempre muito arranjado, toda ela, aliás muito bem arranjada, e que, apesar do ar de matrona, tinha a sua malícia que agitava um pouco as hostes masculinas mais entradas na idade.

Tinha ela ainda uma outra particularidade. Tinha um ‘amigo’ que era engenheiro (coisa de que ela falava com uma certa vaidade) e que bancava todas as suas extravagâncias. Andava sempre bem vestida, calçada e perfumada, ia ao teatro, ia para fora nas férias e dizia-se que era o engenheiro que ‘entrava’ com tudo (dizia-se porque tenho ideia que era ela, toda orgulhosa, que dizia que eram presentes do engenheiro). 

Essa do engenheiro era uma coisa tão oficial que presumo que o meu colaborador sabia que o seu estatuto era o de ‘o outro’ mas, pelos vistos, não se importava. 

Mas vem isto a propósito de uma outra coisa. Uma vez, ela ausentou-se do País: durante umas férias foi para o Brasil. Coisa normal nela, não era por isso que o regresso era notícia. A notícia é que tinha feito uma plástica num cirurgião brasileiro muito conhecido, que vinha outra, muito melhor.

De vez em quanto, alguém assomava ao meu gabinete para me perguntar se eu já a tinha visto. Tanta a expectativa criaram em mim que fiquei a imaginar que ela já não parecia a matrona produzida que eu conhecia mas que tinha vindo de lá a parecer a Bardot.




Quando veio a propósito ir falar com o chefe dela, via-a então. Estava igual. Ainda tentei descortinar qualquer coisa de melhor mas não. Ela própria me falou, então, no assunto. Que ainda não estava a 100%, que ainda estava um pouco inchada, que também não podia apanhar sol, mas que o esforço, o sofrimento, tinham valido bem a pena. Penso que devo ter feito o mesmo sorriso atoleimado da primeira madame que referi e devo ter dito qualquer coisa simpática mas que não comprometesse muito o meu amor à verdade. Quando entrei no gabinete do chefe dela, ele disparou a rir, ‘Então, que tal a brasa da minha secretária?’. Disse-lhe que, muito sinceramente, achava que estava igual. Ele riu-se, que também achava, mas que ela, coitada, estava tão feliz, que ele, sempre que passava por ela, dizia que parecia que tinha uma secretária nova, uma miúda, e que ela toda se derretia.

:|:

Que nem de propósito li há dias um artigo em que se dizia que tinham feito inquéritos perguntando a pessoas dos dois sexos e de várias idades que idade davam a pessoas quer que tinham feito cirurgia estética quer que não a tinham feito.

Regra geral, nos casos em que davam menos idade às que tinham sido ‘mexidas’, apenas lhes retiravam 3 anos e, mesmo assim, uma parte significativa dava, em média a idade que tinham, chegando até a dar mais.

Ou seja, não é que não desse jeito, de vez em quando, uma pessoa dar uma esticadinha mas, depois, pensando melhor, será que valeria a pena? Anestesias, dores, inchaços, para cima de um dinheirão, sei lá que mais e depois ou não se notar nada ou, então, pior ainda, a pessoa ficar a parecer o Batatinha ou a gémea separada à nascença da Senhora Dona Lady ou da Moura Guedes? Ná…!


***

E por aqui me fico que não faço outra coisa senão cabecear, daqui a nada ainda caio da cadeira abaixo (estou a falar a sério....).
A 'cena' do meu passeio por Lisboa by night a ver se fica para amanhã.

Tenham meus Caros, uma fantástica sexta feira!!!

O Tribunal Constitucional chumbou a lei da mobilidade? Mais uma tentativa de violar a Constituição por parte de Passos Coelho... Mas qual o espanto? Quantas vezes Passos Coelho já deu mostras de se sentir bem na pele de um fora-de-lei? E que tem raiva a quem se prende com minudências como essas a que o TC se agarra...? Quantas vezes já o demonstrou...? Então qual o espanto?!?!? - Da minha parte, nenhum espanto, zero, bola. A única coisa que me desperta a curiosidade é saber o que é que ele vai engendrar para se vingar, porque o tipo é um vingativo do piorio


Por ser uma coisa já vista - salvo erro já é a 5ª norma chumbada por violar a Constituição - já não consigo dizer nada. Este sujeito, sempre que pode, não se ensaia nada para agir à margem da lei. Já cansa. E se não mostro maior indignação é porque, de facto, dali não espero outra coisa. Ilegalidades e maldades - é no que Passos Coelho é exímio.



A estas horas já ele deve estar a congeminar com o neurónio que se lhe conhece:
esperem pela pancada que bem vos hei-de lixar!



Em relação a ele, a única coisa de que estou à espera é que o Governo se desmorone, que o passismo se evapore, que este pesadelo que nos caíu em cima acabe de vez.



Quantas vezes já eu imaginei que esta criatura se ia embora para bem longe de nós,
o Governo e a coligação e o PSD , toda a gente a bater-lhe com a porta na cara...?

*

Eu hoje deveria era falar mesmo dos bombeiros. Não tenho ideia de uma mortandade do género. Alguma coisa não está mesmo a correr bem e é bem capaz de ser a descoordenação de que ontem ouvi falar, gente nova que vai apagar fogos em terrenos que não conhece. Isso e a exaustão, o não terem onde descansar, onde tomar um banho, o que comer (a menos que a população os alimente). Uma tragédia. Nunca agradeceremos suficientemente a abnegação dos bombeiros. 



*

As imagens são do inspirado blogue We have Kaos in the Garden.

*

E já volto.

quinta-feira, agosto 29, 2013

Manuela Moura Guedes volta à televisão, à RTP, agora como apresentadora do "Quem quer ser milionário". Faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que andam pelos principais clubes para depois irem acabar em decadentes clubes da 5ª divisão. Foram rosas, agora são cardos. [Nem sei porque, então, falo nisto quando há tanto assunto sério para se falar (o Governo que forneceu dados incompletos ao FMI e com base nos quais o FMI acha que se deve baixar ainda mais os ordenados; a intervenção militar na Síria não se sabe ao certo porquê nem para quê mas relativamente à qual já se ouve o rufo dos tambores; os alemães que acham que os gregos devem entregar património já que não podem pagar a dívida). Mas são assuntos sérios, tristes, e eu ando com dificuldade em carpir. Prefiro pairar como se não desse pelas coisas más. Vocês desculpem lá.]


Cheguei a casa há pouco. Mais uma noite de laré. Enquanto os dias ainda estão granditos e as noites amenas há que aproveitar. Tirei umas fotografias e agora poderia falar no que andei a fazer e mostrar-vos em que param as modas - mas o facto é cheguei a casa tão cansada e tão perdida de sono (isto vai-se acumulando, sabem; a ver se este fim de semana consigo recarregar as baterias) que agora não tenho energia para as passar para o computador, escolhê-las, reformatar as que quiser colocar no blogue, etc, não tenho mesmo (e não faço outra coisa senão bocejar, credo). Fica para amanhã ou depois. 

Além disso, já estou como ontem. Por um lado acho que deveria falar de coisas sérias mas, por outro, apetece-me é pairar com ligeireza sobre coisas que não interessam para nada.

E assuntos sérios é o que não falta. Um autêntico massacre:

  • O Governo, se facultou dados que espelhavam uma realidade incompleta e que percebia que, com isso, ia induzir o FMI em erro, dando-lhes a ideia de que ainda existe margem para mais cortes de ordenados, fez mal. Mas, se o fez (e é óbvio que o fez), não consigo ficar espantada. Acho que esta gente que nos governa é, no seu conjunto, um bando de feios, porcos e maus. Seja porque gostam de fazer sofrer a populaça, seja porque são desmazelados, seja porque a sua incompetência não dá para mais, o que se passa é que dali só espero mesmo que façam porcaria. Por isso já nem me apetece falar deles. É gente que lá não devia estar e ponto final. Por cada dia a mais que lá estão, de mais disparates se vai sabendo. Se o dono de um restaurante contratar um cão como empregado de mesa, alguém se pode espantar se o cão meter as patas dentro dos pratos? Estranho será o contrário. É como com estes: a gente espantar-se-á é no primeiro dia em que façam alguma obra asseada.

  • É como o iminente ataque à Síria. Sentimos que estamos em counting down e sabemos que muitas vidas se vão perder. Cirúrgica ou não, a intervenção vai sair cara em recursos de toda a espécie, incluindo os humanos. As consequências indirectas, neste caso, não serão inferiores às directas. Um perigo, esta brincadeira. E nem percebo quem é que vai financiar isto com os cofres americanos e europeus quase vazios. Tal como ontem referi, se houvesse alguma lógica nisto, dever-se-ia perceber em nome de quê e para quê se vai intervir militarmente num país - ainda por cima sabendo que isso vai perturbar o já de si instável equilíbrio de forças entre blocos de interesses económicos e geo-estratégicos antagónicos. Ninguém quer que se massacrem civis mas também ninguém quer que, sem provas (verídicas) e sem alternativas políticas conhecidas a priori, se avance à maluca. Mas parece que é isso que vai acontecer. Entretanto o governo sírio parece que entregou provas na ONU que demonstram que foram os rebeldes e não eles que usaram armas químicas. E, perante, divergências tão agudas e as inconsistências do costume por parte dos americanos, continua a assistir-se ao avanço, que quase parece irreversível, para uma guerra de consequências imprevisíveis. Não há dúvidas: o lobby do armamento e tudo o que tenha a ver com a indústria da guerra são vergonhosa e assustadoramente poderosos. É para isto que lhes dá jeito (a eles e ao sector financeiro) que nos governos dos países estejam zés-ninguéns sem miolos, joguetes fáceis, paus mandados sem moral. 

  • Também podia falar de uma notícia que me chocou (e devo mesmo ser muito parva para ainda me chocar com coisas destas). Transcrevo uma parte:

O presidente da Federação da Indústria Alemã (BDI), Ulrich Grillo, propõe como alternativa na resolução da crise grega que Atenas transfira parte do seu vasto património nacional para o fundo de resgate europeu, que poderá vendê-lo para se financiar. 

Acho isto asqueroso. Primeiro, para ter excedentes na balança de transacções, a Alemanha exporta ou força a que os outros países importem (por exemplo impondo regulamentos cujo cumprimento só é possível com recurso a equipamentos fabricados na Alemanha, como aconteceu, por exemplo, com os equipamentos de climatização obrigatórios para efeito de restauro escolar), depois, para que tenham dinheiro para o fazerem, emprestam dinheiro; a seguir, quando as contas dos outros começam a mostrar sérios desequilíbrios, fecham os olhos à maquilhagem das contas; a seguir fecham a torneira e exigem o pagamento da dívida; como não têm como pagar, impõem-lhes juros agiotas e, quando os pobres estão exauridos e na mais indigente míngua, pretendem sacar-lhes o património. É certo que isto é um déjà-vu mas o que é chocante é como décadas (ou séculos!) de história em cima de episódios vergonhosos como o que se volta a pretender levar a cabo não serviram para os povos se precaverem. É mesmo a lei do mais forte - porque, de facto, deixemo-nos de fantasias, isto é uma selva e o resto é conversa.
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Por isso, porque tudo isto me parece mau demais, previsível demais, inevitável demais, é compreensível que só me sinta bem com os pés na rebentação, naquele sítio em que não é água nem deixa de ser: uma espuma que vai e vem, não deixando rasto.

Ou seja, só me apetece falar de coisa nenhuma.




No outro dia, quando estava in heaven e meia a dormir, vi na RTP 2 a repetição do Lado B do Bruno Nogueira. Estava lá a Manuela Moura Guedes. 


O meu marido também estava entre o sono e a difícil vigília. Tenho ideia que quando fez zapping e foi ali parar, disse qualquer coisa como ‘coitada, olha para ela…’. Tenho ideia que levantei os olhos do Expresso que estava a tentar ler a todo o custo e que também fiquei impressionada. Fico sempre quando a vejo mas desta vez fiquei mais. Deixo aqui a parte inicial da entrevista, que tenho ideia que nem é a mais significativa daquilo que estou a dizer mas agora não consigo estar a ver tudo para escolher a parte mais obnóxia.





Mas não foi apenas pelo rosto insuflado – lá está: maçãs do rosto enxertadas, subidas, redondas, boca a transbordar de botox, arrebitada, esbardalhada, a disformidade do costume que, vá lá saber-se porquê, atrai tantas mulheres -, foi sobretudo pelos trejeitos dengosos, pelas boquinhas, parece que se estava a armar em boa, volta e meia toda ela parecia esponjar-se no braço do sofá, toda ela revirava olhos, boca, língua. Um disparate. E dizia coisinhas, parecia uma adolescente palerma – olhem nem sei.

Por mais do que uma vez o meu marido tentou tirá-la do ar, dizia que não conseguia ver aquilo. Mas as alternativas deviam ser piores, ou então era o nosso sono que nos deixava sem acção, pelo que por ali foi ficando.

Cheia de requebros, meneios, sacudidelas de cabelo, olhares lânguidos, queixava-se que estava sem trabalho, em casa, que gostava de voltar à televisão (e tudo isto, claro, à mistura com mostrar que se acha uma fantástica jornalista, acutilante, incisiva, brava, do melhor que há – quando era, sobretudo, mal educada, exagerada, incomodativa; as entrevistas conduzidas por ela eram um stress que não acrescentava nada à qualidade do que as pessoas diziam, pelo contrário, tinha vezes de quase nem as deixar falar).




Se eu fosse responsável por um canal de televisão também não a contratava. É conflituosa, cria atritos com os próprios convidados. Não é isso que a gente quer ver. Eu, pelo menos, chego à noite e quero é calma. Quero ser informada, sim, ouvir opiniões, sim, mas com bons modos, nem gritos, nem vozes sobrepostas, nem gente com modos arrogantes ou intempestivos.


Pense-se, por exemplo, na diferença para uma impávida mas incisiva Ana Lourenço, para uma serena e atenta Carla Moita

 ... ou, continuando apenas nas mulheres:

para uma tranquila mas certeira Clara de Sousa, e ainda para uma suave mas intransigente Paula Costa Simões.




Mas eis que vejo agora que a RTP a repescou mas, ó vã glória de mandar, ó tristes rasteiras do destino, já não para nenhum cargo de chefia, já não sequer para jornalista mas, tão só, para entertainer. Em vez do Malato, a Bocas Moura Guedes a apresentar um concurso, o Quem quer ser milionário


Fico sem saber bem o que dizer. Não posso esconder que sinto uma certa pena. A vida dá voltas…

Percebo que ela se aborreça de estar em casa, diz que jardinava, que fazia ginástica, que tinha um personal trainer que a ajudava a manter a forma, coisas assim: de facto muito pouca adrenalina para quem se alimentava dela. Acredito que a ânsia por sair de casa e voltar à pica de ter as câmaras à frente devia ser muita. Talvez isso justifique a decisão de ir apresentar um concurso na RTP.

Mas será que justifica mesmo? Não será isso uma forma triste demais de nos voltar a aparecer pela casa dentro? Não sei. Não sei mesmo.

Às tantas perdeu-se mas foi uma artista da rádio, TV, disco e da cassete pirata.


Foram cardos, foram prosas. 



Ou foram rosas e agora são cardos? É isso, não é...? Agora é chegado o tempo dos campos de cardos.



***

A ver se amanhã escrevo sobre a nossa Avenue, nomeadamente sobre o que se pode ver por lá.

Hoje fico-me por aqui e a ver se consigo ir a pé até à cama.

Resta-me desejar-vos, meus Queridos Leitores, uma bela quinta-feira!!!!!

quarta-feira, agosto 28, 2013

Daqui lanço um desafio à Judite de Sousa para o caso de, no próximo dia 25 de Agosto, lhe calhar entrevistar o Medina Carreira ou o Prof. Marcelo, ou, então, à Cristina Esteves se lhe calhar entrevistar o Sócrates: ousem, façam como fez Lori Welbourne ao entrevistar o presidente da Câmara de Kelowna, no Canadá, Walter Gray. É que, caso não saibam, dia 25 de Agosto é o Go Topless Day. Ora vejam o vídeo para verem o que é uma jornalista empenhada...! Assim, sim! [.....E que me perdoem os bombeiros, coitados, o que eles têm penado, uns heróis, que eu deveria era estar aqui a falar deles; e que me desculpem também por não falar da invasão às contas do Facebook a mando do Governo; e que me desculpem também todos por não falar na ameaça de intervenção militar de americanos e aliados na Síria que isso, sim, ainda pode dar porcaria da grande - mas é que eu hoje estou mesmo em registo galhofa. Nada a fazer quando eu estou assim...]


Já que hoje estou em dia de galhofa (confiram, por favor, o post abaixo onde falo do Gang dos Cotas na TVI e dum sonho hilariante do meu marido - e para saberem porque é que é hilariante terão que lhe perguntar a ele), se me permitem continuo no mesmo registo.

Claro que estou aqui na risota mas, cá para trás, no meu subconsciente, estou a pensar que não deveria falar em nada disto mas sim:

  • nos pedidos de informações do Governo Português ao Facebook sobre 213 pessoas com contas nesta rede social, uma coisa que perturba até alguém como eu, que sou avessa ao Facebook. Mas, na volta, acontece o mesmo com os blogues pois sabe-se agora que a Google (e o blogger é da Google, tal como o Gmail) e a Microsoft (e praticamente não há computador que não tenha o Windows), tal como o Facebook estão completamente metidos neste esquema de espionagem. Além do mais, sabemos também agora que não trabalham para aquecer e que, portanto, têm sido remuneradas, e bem, pelos bons serviços de bufaria que prestam. Um mundo repelente este.

  • na descoordenação de que a associação de bombeiros se queixa, dizendo que não faltam meios, falta é coordenação, falta é apoio. Dizem eles que os bombeiros dependem da caridade popular para terem o que comer e que não têm onde tomar banho, onde descansar. Que chegam a um ponto de exaustão total. Que as forças armadas deveriam ajudar, montar tendas de campanha, fornecer comida, chuveiros portáteis. Que os corpos de bombeiros que vêm de outras localidades deveriam integrar equipas em que estivessem bombeiros locais, conhecedores do terreno, para evitar situações como as que tiveram consequências fatais. E que todos sabem isto mas que ninguém faz nada. Pois. Uma desgraça.

  • e nas mãos quentes dos americanos, doidinhos para carregar no gatilho (nos americanos e nos seus cãezinhos amestrados que vão para onde são mandados). A indústria de armamento tem muita força. Não sei se há ou não razões para carregarem sobre a Síria, não sei se não é mais uma daquelas tangas que inventam quando precisam de gastar stocks para reforçar a produção de armamento. Ou se não é também como a recente tanga de que tinham interceptado umas ameaças da treta através da espionagem electrónica para justificarem andarem a interceptar as comunicações e as redes sociais. Não sei se as forças governamentais sírias não andam de facto a usar armas químicas (aliás, acredito que andam), nem sei se entre os do governo e os rebeldes há escolha possível (visto de fora, parece-me que não), não sei nada - porque nisto nunca se sabe o que é verdade ou manipulação ou mentira descarada. O mundo foi tomado de assalto por gente perigosa. O mundo está todo ele um sítio perigoso. Supostamente há normativos que devem ser cumpridos em situações de intervenção internacional mas o que temos visto é que, quando se quer intervir, se necessário for aldraba-se, inventa-se e monta-se uma imensa teia de contra-informação em que ninguém sabe mais em que é que pode acreditar. Um nojo (que geralmente custa muitas vidas humanas).



Mas, meus Caros Leitores, perante tanta coisa irracional, sinto-me impotente. Falo, protesto, denuncio tanto quanto o meu ténue fio de voz pode ser ouvido - mas sei bem que pouco (ou nada) posso.

E, quando percebo isto com clareza, não me dá para cair de desânimo, dá-me é para esparveirar (ou esparvoar? não sei como se diz)

Por isso, tendo estado já no post anterior na maior diversão, agora, com vossa licença, vou continuar no mesmo registo. 


Poderia falar-vos do novo look do Relvas, qualquer coisa entre um George Clooney e um chefe da Camorra: cabelinho à maneira, meio grisalho, barba de três dias, camisa escura debaixo de um blaser igualmente escuro, sorrisinho matreiro, todo ele malandreco. 


Aquilo já é obra da Marta, já o recauchutou. Claro que a matéria prima não é das mais famosas pelo que o Relvas mais parece um George Clooney da Malveira (da Malveira de antigamente, do tempo dos saloios, se é que me estão a entender).

Ou podia falar de novo look da Teresa Guilherme, com menos 9 kg, tratamentos estéticos e sei lá que mais. 



Segundo diz a Lux, Teresa Guilherme está uma mulher nova


(e, segundo agora vejo, a Judite de Sousa já está divorciada desde Julho, ou seja, já se livrou do Seara, o tal que diz que está em Lisboa com os dois pés, ou seja, não com a cabeça, nem sequer com o coração, nem com as mãos que tanto jeito dão para trabalhar, apenas com os pés. Deve ir longe.)



Mas não falo (dos tratamentos e da dieta que a Teresa Guilherme fez), não vão vocês ir atrás da conversa, porem-se a fazer o que ela fez, e ainda ficarem iguais a ela. É que eu gosto muito de vocês.

Por isso, vou antes falar do Sr. Walter Gray, um valente. Estando a ser entrevistado, no domingo passado, dia 25 de Agosto, pela jornalista Lori Welbourne, eis que ela, inopinadamente se despe e, de mamocas ao léu (e ó que mamocas, pelo que nos é dado perceber), continua a entrevista querendo saber o que acha ele de as mulheres poderem praticar livremente o topless. Walter Gray começa por ficar pasmado mas depois, noblesse oblige, prossegue com muita segurança. Muita pinta.


Gostava de ver como se portaria o excelso Medina Carreira perante uma Judite nas mesmas circunstâncias. Ou o Passos Coelho perante uma Fátima Campos Ferreira em topless. Ou o Sócrates perante uma sempre tão embevecida e super-produzida Cristina Esteves a tirar o soutien... Será que eles tinham o savoir faire do Sr. Gray? E será que elas eram mulheres para levar o Dia do Topless assim tão a peito?


Ora vejam, por favor, o vídeo:

Is it legal to be topless here?

***

No entanto, se alguma das jornalistas aceitar o desafio, basta serem como são e basta a reportagem ser normal. Ou seja, não é requerida nenhuma produção especial. É que, nestas coisas, parece que os portugueses tendem a exagerar na dose. Ora vejam, por favor, como saíu exagerado este anúncio de 1998, feito em Portugal, ao produto VibraSpot. Um exagero. Não gostaríamos nada de ver nenhuma das nossas jornalistas num frenesim desenfreado em frente aos senhores entrevistados. Basta que sejam discretas e profissionais como a Lori.



*

E por aqui me fico antes que me alargue.

Relembro que, para verem os Cotas e para saberem porque acordou o meu marido a rir à gargalhada por uma vez na vida, desçam, por favor, até ao post seguinte (ele vai fuzilar-me, fica sempre todo arreliado por eu o meter aqui no meio desta minha confusão mas paciência, veio mesmo a propósito).

E tenham, meus Caros leitores, uma gloriosa quarta feira!!!!!

terça-feira, agosto 27, 2013

O Gang dos Cotas na TVI - o programa mais divertido da televisão generalista. [E, de passagem, conto-vos um sonho que o meu marido teve na outra noite e que, talvez pela primeira vez na vida, o fez rir à gargalhada de gosto, como se não houvesse amanhã.]


Todos os dias ligo três vezes à minha mãe para saber como estão - de manhã, a meio da tarde e à noite. Dada a situação de dependência do meu pai, fico mais descansada sabendo que estão bem. Em caso de necessidade posso intervir mais em cima da situação.

No outro dia, quando me atendeu, estava perdida de riso, mal conseguia falar (tal como eu, é de riso fácil). Finalmente lá conseguiu dizer-me que estava a ver um programa na TVI, O Gang dos Cotas. Nunca tinha ouvido falar e pensei logo que se trataria daquelas pepineiras de humor rasteiro que, quando aparece num canal, é logo mimetizados nos restantes, umas palermices sem graça nenhuma. Mas tanto ela se ria que fiquei curiosa dado que, geralmente, também não tem paciência para aquelas fantochadas do costume


Por isso, quando acabei de falar com ela, vim ver e, para minha surpresa, também me fartei de rir. Ontem vi outra vez e foi uma alegria aqui na sala. Hoje já repeti a dose. Até o meu marido que não é de rir muito, apenas de sorrir, se farta de rir (nada de gargalhadas mas reparo que os sorrisos são rasgados). (*)

Que engraçado que aquilo é. Quem serão aquelas pessoas tão divertidas? Actores? Nunca os tinha visto mas são fantásticos. E que situações impagáveis que eles arranjam...! Um humor jovial, revigorante. É gente com alguma idade mas que juventude, que piadão...!

No YouTube só encontrei episódios completos. Queria apenas um cheirinho para vos dar uma ideia (caso ainda não tenham visto), mas não, só a dose completa. Aqui fica na mesma.

Não sei bem o horário pois nunca apanhei do início. Deve ser a seguir ao telejornal, talvez lá para as 21:30. Recomendo vivamente.


[Este é o dia dia 20/08/2013 mas há mais disponíveis no YouTube]


*

(*) A propósito disto, deixem-me contar-vos. Ainda este fim de semana também contei à minha filha este fenómeno de que vos vou falar, um fenómeno que aconteceu no outro dia. Ela, tal como eu, ficou pasmada. Também ela disse que tem ideia que nunca ouviu o pai a rir à gargalhada. Eu talvez já o tenha ouvido, umas três ou quatro vezes se tanto, mas são episódios raros, mesmo muito pontuais, e de curta duração.

O que se passou foi que uma noite destas acordei com o meu marido a rir à gargalhada. Até me assustei. Perguntei-lhe o que se passava e confesso que receava o pior, que tivesse endoidado ou coisa do género. Eu é frequente sonhar com coisas engraçadas e rir que me farto. Acordo frequentemente a rir. Mas ele...?

Pois bem, ainda a rir, quase sem conseguir falar, disse que estava a sonhar, que tinha acordado a rir. Perplexa, perguntei-lhe com o que é que ele estava a sonhar. Ainda a rir, disse: estava a a ver televisão, um debate com uns tipos completamente anormais e os tipos, às tantas, desataram a mostrar a constituição.

Fiquei parva, às escuras na cama, sem acreditar no que estava a ouvir. E isso é caso para rir à gargalhada dessa maneira...? perguntei eu, ainda meio assustada por ter acordado a meio da noite com uma daquelas. Mas ele continuava a rir. Que sim, que os tipos eram completamente estúpidos, que mostravam a constituição para a câmara. E ria, ria.

Eu, ao contar isto à minha filha, também me desmanchei a rir e ela também. Fartámo-nos de rir. E ela, ainda aparvalhada, concluíu: Então esse é o tipo de coisa que faz o pai rir à gargalhada... Curioso...!

E agora que estou a escrever isto também me estou a rir pois a verdade é que ainda não assimilei bem a coisa e, seja como for, acho uma maluquice tão grande que me desato a rir.


Miguel Pais do Amaral, português, conde, rico, e Alicia Koplowitz, espanhola, marquesa, rica, estão de namoro. Um romance luso-ibérico verdadeiramente milionário: dois caçadores muy ilusionados, duas fortunas que se atraem. [E, não resistindo, coisa mesmo de mulher, falo da cara trabalhada de Alicia: muito botox, muito preenchimento e, não tarda, está parecida com a Senhora Dona Lady Betty Grafstein; queria antes referir aquela marquesa espanhola de cento e oitenta anos que dança sevilhanas e que casou com um mais novo que não tem pedalada para tanto salero, mas agora não me estou a lembrar do nome dela]


Este já é o meu terceiro post de hoje - o que é bem capaz de ser uma maçada para vocês. Já fui alertada mais do que uma vez para o facto de que aqui na blogosfera o que é bom são os textos curtos, meia dúzia de linhas, coisa que se possa apreender num relance. Mas não é esse o meu estilo e, por mais que me esforce, nunca lá chegarei. Aliás, deve ser por saber isso que nem me esforço. 

Mas, portanto, dizia eu, este já é o terceiro. Abaixo deste, há um texto com a minha opinião sobre António Borges, o economista que se enganou vezes demais apesar de conservar a fama de expert e, abaixo desse, há um outro sobre as sangrentas tareias literárias entre editores e críticos literários (que, felizmente, pelo menos até aqui, não têm envolvido na refrega os pacientes leitores). 

Mas isso é mais abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra. Não gosto de acabar a minha empreitada diária com temas pesados e, por isso, agora é tempo de jet set e conversa fiada.

*

Durante alguns anos usei o cabelo curto, mas mesmo muito curto. Ao contrário do que acontece agora, em que corto o cabelo a mim própria, nessa altura ia ao cabeleireiro. Tendo eu bastante cabelo, cortar a mim própria um cabelo muito curto era manobra arriscada. Uma coisa é ter cabelo comprido, e tal a quantidade que qualquer tesourada mal dada passa despercebida, outra é usar cabelo curto e poder ficar com um penacho em evidência ou uma rapada a meio da nuca.

Nessa altura, eu ia a uma rapariga a quem reconhecia talento e competência. Cortar-me a mim o cabelo era para ela uma festa. Ao contrário da maioria das clientes que aparecem lá com ideias pré-definidas e conservadoras, eu pedia para cortar como lhe parecesse melhor. As minhas especificações limitavam-se a dizer muito, o mais possível, não tanto como da última vez, não me deixe o couro cabeludo à vista, coisas nesta base. Ou seja, dava-lhe liberdade quase total.

Às vezes ela pedia, posso pôr gel nas pontinhas para ficar em pé no alto da cabeça? - Pode, ponha, respondia-lhe eu. Tudo o que ela quisesse, podia fazer. Nessa altura mudava também a cor do cabelo. Percorri várias tonalidades entre o louro muito claro ou o ruivo escaldante - era conforme a disposição dela e minha. Ela deleitava-se: eu era matéria prima para a sua criatividade.

Quando chegava a casa, já ia preparada. Já sabia que, mal cruzasse a porta, a reacção poderia ser traumatizante (se eu fosse de qualidade de me traumatizar): invariavelmente o pessoal dava dois saltos no ar. Ou melhor, a minha filha (conservadora até dizer chega no que ao cabelo diz respeito) dava um grito, estarrecida, o que é isto…!!!????, o meu filho cruzava os braços sobre a barriga, dobrava-se sobre si próprio e desatava-se a rir à gargalhada, voltava a olhar para mim e voltava a desmanchar-se a rir, e o meu marido esboçava um leve sorriso (e eu percebia que ele até que nem desgostava de todo mas que tinha que lhe dar tempo até que se habituasse). Eu via-me ao espelho e achava que umas vezes estava uma autêntica punk, outras estava parecida (no cabelo) com a Jean Seberg.

Vem isto a propósito de que era uma altura em que eu andava ao corrente do que se passava com tudo o que era socialite, não apenas cá pelo burgo mas, sobretudo, por terras de Espanha. A Rosa, que assim se chamava a cabeleireira, tinha sempre lá a ¡Hola! e eu ia acompanhando o que acontecia com a ex do Julio Iglesias, a Isabel Preysler que fazia anúncio a louças de casa de banho e era casada com um banqueiro, ou com a sua filha Chabeli que estava muy ilusionada com um qualquer que vivia nos States, ou com aquela que tinha sido Miss Espanha e era casada com o Thyssen-Bornemisza e que fez um museu (onde, aliás, nunca deixo de ir de cada vez que vou a Madrid) ou com todas aquelas marquesas, apresentadoras de TV, ex-mulheres de toureiros, ou toda essa beautiful people que gira pela sociedade espanhola. 

Lembro-me bem das irmãs Koplowitz, a Esther e a Alicia, uma morena e outra loura, ambas casadas com homens chamados Alberto e que eram primos. 

Esther é a morena; Alicia é a lourinha, bonita, serena.




Ambas puseram os maridos à frente dos negócios da família e eles, depois de anos bem comportados, passaram-lhes a perna, pularam a cerca. Acompanhei esses casinhos. Viram-se aflitas para correrem com eles da vida delas, da vida e dos negócios. Depois lá lhes deram um bolo com uma qualquer cereja em cima (um banco? terá sido? já não me lembro) e a vida continuou.

Deixei crescer o cabelo, ganhei autonomia total a esse nível. Nunca mais soube delas.




Pois bem, qual o meu espanto quando hoje vejo na capa de uma revista, a Flash salvo erro, que o Miguel Pais do Amaral, 4.º Conde de Alferrarede, ex-cunhado de Marcelo Rebelo de Sousa por parte das respectivas mulheres, está de namoro pegado (certamente também muy ilusionado) com a mana loura, a Alicia, 7ª Marquesa da Bellavista. 


Mas o meu espanto não está nisso. Gostam ambos de caça, têm dinheiro a rodos, são livres, maiores e vacinados, nada de mais. O que me espantou mesmo foi a cara dela. Olhei-a e não a reconheci. Pensei: mas haverá outra com o mesmo nome? 




Bisbilhoteira como sou vim aqui à net e vejo que é, de facto, a mesma pessoa. Mas tal como tantas mulheres que querem contrariar a lei da gravidade, encheu-se de silicone e botox e ficou outra. 



As maçãs do rosto vão-se modificando, umas vezes parece estarem mais insufladas e o lábio de cima também, outras vezes parece que esvazia um bocado. Os olhos parecem mais pequenos, meio perdidos entre a testa e as bochechas, e a boca adquiriu aquele ar balofo e desgovernado das bocas às quais fazem muito preenchimento. Ou seja, tal como se costuma dizer, está toda mexida.



Entre a Alicia original e esta agora já não há muitas parecenças.

Talvez o cabelo ainda seja parecido. Gosto do cabelo dela, tem um ar natural.

Mas, de resto, está parecida com todas as apresentadoras de televisão espanholas, italianas ou brasileiras com mais de quarenta e tal anos: um bocado bolachuda (ou melhor, com maçãs do rosto redondas) e boca toda esbeiçada.




Pode ser que ela se ache mais bonita, mais jovem. A mim não me parece. De qualquer forma, para este efeito, a minha opinião não conta para nada. O Príncipe Miguel Pais do Amaral, o corredor de automóveis que tem o toque de Midas, gosta dela assim e para eles isso é o que conta.

E que sejam felizes. Não lhes desejo que tenham muitos meninos porque imagino que já seja tarde para isso mas desejo que as suas fortunas sejam úteis aos seus países. E, já agora, também sugiro à Alicia que não ponha mais botox para não ficar parecida com o José Castelo Branco - a menos que esse seja o objectivo.

**

E por aqui me fico. Já sabem: abaixo desta pérola que acabaram de ler há mais dois textos, um muito a sério e outro a meio caminho.

**

E, assim sendo, resta-me desejar-vos, meus Caros Leitores, um dia muito feliz!!!


Sobre António Borges, o economista que não tinha razão


No post abaixo falo das birras literárias entre críticos, editores e tudo o que vagamente tenha a ver com conversas e negócios à volta da literatura. O que me leva a escrever sobre isto é o espalhafato de vizinhas entre Arnaldo Saraiva e Filipe Delfim Santos, que quase os está a levar a andar ensarilhados no meio do chão a arrepelarem os cabelos um ao outro - e tudo, imagine-se, a propósito do livro de correspondência entre Jorge de Sena e João Gaspar Simões.

Mas, enfim, isso é a seguir. Aqui a conversa é outra.


><

Não sei bem porquê, porque não gosto de escrever obituários, acho hoje que deverei dizer qualquer coisa sobre a morte de António Borges.


Há já algum tempo, seguramente há bem mais de um ano, um amigo estava a contar-me que tinha estado a ouvir António Borges aí numa 'cena' e que, antes e depois, tinham estado a trocar uma prosa. Comentei a sua magreza que, à vista desarmada, era de mau agoiro, ao que o meu amigo me disse, 'ele tem cancro no pâncreas, coisa séria, mesmo séria, está no caminho descendente. Mas continua com uma agenda como se estivesse para dar e durar'.

Fiquei admirada pois estávamos numa altura, com esta coisa de ele ser o ministro oculto mas, de facto, talvez o mais poderoso, em que as polémicas sistematicamente se incendiavam em volta dele. Estando assim tão mal, para que andava metido nisto, envolto em controvérsias, em vez de aproveitar o tempo que lhe restava, em tranquilidade? 

O meu amigo contou que eu nem imaginava, que tranquilidade era coisa que não existia na vida dele, que as viagens em trabalho ao estrangeiro eram regulares, que inclusivamente fazia viagens intercontinentais, coisas de dia inteiro, e reuniões e mais reuniões de trabalho e que identicamente mantinha reuniões e almoços para amigos em casa e que ninguém percebia aquela vontade de fazer parecer que nada se estava a passar.


Perguntei ao meu amigo: mas que explicação encontra para o facto de ele, sabendo que tem pouco tempo de vida, em vez de descansar, ler, estar com a família, andar nessa correria e sempre com bocas polémicas, provocatórias?

O meu amigo também se mostrava admirado mas adiantou uma possível explicação: sabe? pessoas assim acham que tudo na vida é uma questão de vontade, que, querendo, sempre se consegue, que na vontade é que está o segredo do sucesso, penso que talvez ele ache que é superior a isso, que vai ultrapassar. Tal como acredita que se vai vencer esta crise, que se vai ultrapassar a crise da dívida, o défice, isso tudo.


António Borges: a vida é breve


Depois disso, eu, ao vê-lo na televisão, impressionantemente magro, pose arrogante, desafiador, mostrando-se superior à plebe, e sempre a acreditar que os mercados é que mandam e que, mesmo num cenário desregulado como é aquele em que vivemos, os mercados haveriam de encontram um equilíbrio racional, interrogava-me: como é que um sujeito que toda a gente diz que é inteligente dá tantas provas de que o não é - e toda a gente continua a dizê-lo brilhante?

Sempre achei que quase tudo o que ele defendia estava errado. Se fosse inteligente, ele deveria ver que, tal como o seu próprio corpo lho estava a demonstrar - com as células malignas multiplicando-se descontroladamente -, tem que haver regulação e, além disso, tem que haver uma força moral a sobrepôr-se à força bruta dos mercados ou da matéria.

O Insead, que ele dirigiu, é uma das grandes escolas de gestão, é certo, mas é a escola onde se ensina(va) aos gestores que gerir bem é criar valor para o accionista e ponto final (e acreditem: sei do que falo). Sobre o que isso tem de redutor e o que isso desgraça a economia já aqui falei antes. Criar valor para o accionista é fundamental  sim, mas tem que ser um dos parâmetros - um dos, não o principal ou, mesmo, o único.


É que foi isso, associado ao facto de os Governos estarem manietados pelas Goldman Sachs desta vida (Goldman Sachs à qual ele também pertenceu), que fez com que as políticas fiscais dos países mais vulneráveis favoreçam o não reinvestimento dos lucros. Em vez disso, as políticas fiscais favorecem que se recorra a financiamento bancário (pois isso, aumentando os juros, aumenta os custos e, aumentando custos, reduzem-se os lucros e, reduzindo lucros, paga-se menos impostos e, portanto, maiores os lucros líquidos - e, lá está, maior o valor criado para o accionista).


Ora isto, que foi um excelente negócio para todo o sector financeiro, foi a desgraça para as empresas (que se endividaram até ao tutano). E não foram apenas as empresas privadas, foram também as do Estado cuja gestão emulou a gestão privada.

E assim chegámos à dívida colossal que destruiu a economia e colocou o país nas mãos dos bancos e do sector financeiro em geral.

Esta é a política liberal defendida por António Borges e seguida acefalamente pelo Governo de Passos Coelho.


  • Já agora, um pouco sobre isto, recomendo a leitura deste lúcido artigo de Viriato Soromenho Marques, um dos homens inteligentes e sérios deste país (e que tive o privilégio de conhecer antes dele ser publicamente conhecido - mas quando já era, porque sempre o foi, uma pessoa diferente, interessada, informada)



Que sabendo o que acima referi (porque, sendo inteligente como diziam que era, António Borges tinha forçosamente que o saber), ele tenha defendido que a solução para o País era vender ao estrangeiro as suas maiores empresas, baixar os salários dos trabalhadores portugueses e outras imperdoáveis falácias é coisa que nunca consegui digerir. Quem defende isto não pode amar o País. Ou então não é inteligente.


Por isso, por sempre ter achado isto, não é agora, que ele se foi, que vou mudar de ideias.

Mas isso é uma coisa e outra muito diferente é regozijar-me com a sua morte. Era um homem com família e a família deve ter sofrido a perda do seu familiar querido. Custa-me ler o que tenho lido por aí, muita maldade irracional, muito fel inútil, uma agressividade latente e desfocada.

Eu queria que o Governo do meu país não o tivesse contratado ou que não seguisse as suas ideias, só isso.

E isso é muito diferente de querer a sua morte. Uma vez mais, a responsabilidade por o ter escolhido e por seguir as suas ideias - apesar delas se terem revelado a causa dos problemas do País (do nosso, tal como também de todos os que vêm caindo nas mesmas malhas) e apesar de se ver que as soluções que continuava a defender se mostravam inequivocamente erradas - era e é de Passos Coelho. Foi nele que as pessoas votaram e é ele o responsável pela (des) governação de Portugal. 

(E, obviamente, também não desejo a morte de Passos Coelho, nem pouco mais ou menos, apenas quero que deixe de ser primeiro ministro de Portugal. Apenas isso. E será muito)

**

Permitam que relembre: sobre as cenas de faca e alguidar entre Arnaldo Saraiva e Filipe Delfim Santos é só descerem um pouco mais.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Face à briga literária, com o Expresso transformado em cenário de guerra, entre Arnaldo Saraiva e Filipe Delfim Santos a propósito de um livro sobre a correspondência entre Jorge de Sena e João Gaspar Simões o que eu tenho a perguntar é o seguinte: esta gente das literaturas, críticos e editores literários, é tudo gente cheia de birras, ódios de estimação, pancada da grossa ou quê...? É que mais parecem umas vizinhas a dizerem mal uns dos outros, credo. Neste meiozinho literário há alguém que goste de alguém ou vivem todos à beira de se esganarem uns aos outros? [Vidé também o António Guerreiro e a Ana Cristina Leonardo em relação ao Eduardo Pitta]


Em tempos foi o António Guerreiro, no Expresso, a atirar-se à bruta ao Eduardo Pitta, a atirar-se à bruta e a gozar descaradamente, uma coisa excessiva. Parecia um ajuste de contas em público, uma coisa feia de se ver. 


Já a Ana Cristina Leonardo não perde oportunidade de fazer o mesmo, dar tareia a sério no mesmo Pitta lá no seu Meditação na Pastelaria, blogue que sigo aqui na minha galeria de 'Amigos e Ilustres Desconhecidos', baptizado como 'Rebelde com causas'. Acho graça à Ana Cristina Leonardo, tão emotiva, tão impulsiva, mas há que reconhecer que, em relação ao Eduardo Pitta, há ali um odiozinho de estimação que chega a fazer impressão (independentemente de eu lhe poder dar alguma razão aqui ou ali).


Jorge de Sena e João Gaspar Simões -
- nem eles sonhavam o bate-boca a que a sua correspondência viria a dar lugar

Agora no outro dia foi o Arnaldo Saraiva que escreveu um texto longo no caderno Actual do Expresso a dissertar e rebater e a dizer que não disse e que o que a senhora disse, que ela não o deveria ter dito, ou que não foi bem isso que ele disse, e que os outros disseram o que não deviam ter dito, e parece que a coisa azedou por causa de umas alusões homossexuais lá na tropa e mais não sei o quê e que ele até desmentiu, e que o editor não sei que mais, e que a a senhora é isto e aquilo e mais um par de botas e por ali anda o Jorge de Sena e a Srª D. Mécia e o João Gaspar Simões e mais o editor e o escambau no meio daquele azedume todo.


A gente chegava ao fim daquele texto e pensava, ó c'um catano, qu'esta gente parece qu'anda uma vida inteira a coligir raivinhas e azedumes para, anos depois, os vir bolsar em público...

Pois bem, este sábado eis que a coisa se estragou de vez. Outra vez artigo de duas páginas, desta vez saindo à liça o dito editor literário Filipe Delfim Santos a dizer das boas ao Arnaldo Saraiva. E lá aparecem outra vez que este disse, que o outro respondeu, e que isto, aquilo e o outro, e mais farpas, alfinetadas, e ainda uns gaspões, umas dedicácias, e ainda uns cauteleiros fardados, e que as frustrações de um e outro que queriam ser o que não são e que os académicos andam afastados da realidade e mais um palavreado que não acaba.


A gente lê estes desfiares de raivinhas, fúrias descabeladas, rangeres de dentes, e imagina-os a escreverem, pulsação acelerada, doidos da vida a não se quererem ficar atrás, enrubescidos, furibundos, orgulhozinhos feridos, a ajustarem contas como se disto dependesse a sua vida. E a gente lê e pensa: mas está tudo doido?!

E pergunto eu na minha santa ignorância: será que não poderiam limitar-se a fazerem duelos aí numa qualquer viela? Ou a escreverem cartas ofensivas uns aos outros? Coisas assim civilizadas em vez destas peixeiradas em público? Em vez desta barrela de roupa suja que parece que nunca mais acaba?

Ó senhores que ninguém me poupa...!