Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, abril 29, 2011

William and Kate Middleton, the Royal Wedding - o imperdível filme da entrada na igreja ao som do t-mobile. E os meus sinceros votos de que sejam felizes para sempre. And have fun!


Para já, uma coisa eu posso dizer ao jovem casal: o dia escolhido é um bom augúrio, 29 de Abril é um bom dia para casamentos.

Enquanto a Troika trabalha que se farta a ver se encontra solução para esta equação impossível, enquanto o Passos Coelho dá pretextos, atrás de pretextos, para que ninguém vote no PSD (acho que nem o Marques Mendes, nem a Manuela Ferreira Leite, nem o Marcelo Rebelo de Sousa, nem o Pacheco Pereira, nem o Pedro Santana Lopes, o António Capucho de certeza e, se calhar, nem o Miguel Relvas vão votar nele), enquanto Catroga escreve cartas de castigo ao Sócrates (já vai na 4ª!), enquanto o Sócrates se marimba para as epístolas do Catroga e exercita a sua veia de grande contador de histórias, eu estou noutra: exilei-me, meus amigos. Estou a banhos.


Num local muito bem cuidado, com uma vertente romântica
onde um riacho saltita com alegria, com uma música agradável e fresca
com uma capela muito bonita, com muita talha dourada e figuras muito bonitas

e junto ao altar da Nossa Senhora, cuidadosamente arranjado com flores e um naperon bordado e de renda, uma ventoinha e uma coluna, introduzem uma nota de realismo, ou melhor, de pós-realismo

[E que venham mais umas dezenas de 29 de Abril]

quinta-feira, abril 28, 2011

Joana Amaral Dias e Lindsay Lohan, gémeas separadas à nascença?

Ao passo que Joana Amaral Dias, por ter engolido um garfo, tem sempre uma postura empertigada, a mana Lindsay Lohan tem geralmente um ar de boa vida, nonchalant.

Vejamo-las na versão blonde:

Lindsay: uma vida recheada de escândalos, sempre notícia por motivos pouco abonatórios

Joana, a gémea de Lindsay: uma puritana rígida, autoritária, inflexível, a all time judger

E agora na versão ruiva:

Lindsay: drogas, álcool, homossexualidade, heterossexualidade, always in the border line
Joana: a menina bem comportadinha que vive dos que vivem in the border line

Da Literadura - provocação poética aos literaduros, aos literadoces, aos literadonos, aos literadurinhos

Sobre a crítica literária, sobre os críticos literários - à atenção dos ditos e à atenção de quem os lê


Os literaduros   os literadonos
com berros e murros se levam os tolos

Que vento os enfuna   ninguém lhes resiste
ó literadunas   ó literadiques

Vão tendo alianças    entrando em conluios
com literadamas    com literadúbios

Cada vez mais sábios   cada vez mais finos
literadurázios     literadurinhos

Tão literadoces    literadurázios
já parecem outros em seus ricos pátios

Tão literadoutos   literadurinhos
coitados de todos literadormindo


(Da literadura de David Mourão-Ferreira)

António Lobo Antunes entrevistado por Wanderley, ou seja, por Jel, ou seja, por Nuno Duarte

E, a propósito de António Lobo Antunes, veja-se abaixo a situação embaraçosa.... e como ele se aguenta.

O Neto dos Homens da Luta aqui é Wanderley.

terça-feira, abril 26, 2011

E se o próximo governo emanasse do grupo de assinantes do Compromisso Nacional?

Um Compromisso Nacional: les beaux esprits se rencontrent
Há quem diga que alguma andam eles a preparar e que algumas surpresas podem estar para sair à cena.

Quem sabe não seria uma boa solução?

Tirando uns quantos relativamente aos quais fico de pé atrás, até me parece que é crème de la crème - há lá comparação possível com a tropa fandanga de Relvas, Frasquilhos, Teggys, Foleiro Lellos e por aí fora...?

Francisco Balsemão, Leonor Beleza, Sobrinho Simões, Silva Lopes, António Barreto, Santos Silva é tudo gente com boa cabeça e boa estrutura moral e cívica - e gente que merece algum respeito fora de Portugal.

Vejamos como evolui a República.

Eduardo Catroga e Pedro Passos Coelho continuam na idade dos porquês... e andam com uma veia epistolar... já vão na 3ª carta, imagine-se, que maçadores...

Como é que um homem com tanto cabelo branco tem paciência para andar nisto, a escrever carta atrás de carta à troika? É o Pedrocas que ainda não saíu da idade dos porquês e ele, paternalista, faz-lhe a vontade?

Paulo Portas a primeiro ministro - Teggy Big Mouth dixit! Sério... a Teresa Caeiro quer uma onda que convença o Paulinho a chegar-se à frente...

Apetece-me dizer: "Eizios'...

Mas não meus amigos, não caio daí abaixo. Por isso recomeço: "Ei-los', os rapadores de potes.

Depois de andarem caladinhos, a abicharem elogios à esquerda e à direita ('o Portas anda a portar-se muito bem, caladinho, a revelar que tem sentido de estado, não se mete em balbúrdias', etc e tal) eis que a impaciência os impede de se manterem sossegadinhos na toca.

A leal Teresa Caeiro, que já tantas vezes deu mostras de ser uma desbocada de primeira, hoje saíu à cena a clamar por uma onda de fundo que leve o Paulinho a candidatar-se a primeiro-ministro.

Não me parece mal. Iisto já está mesmo em saldos, até me admira é que não se defenda que o lugar de primeiro ministro seja ocupado por meia dúzia de marmanjos ao mesmo tempo.

Mas não nos desviemos... pois a nossa Teggy saíu hoje à cena a dizer que o momento não está para amadorismos, que o Pedrocas, o famoso DJ PPC, não faz a mínima, que não sabe, não tem jeito, nem sabe a quantas anda e que, portanto, como é bom de ver, isto está bom é para o Fairy Paulocas, que ele é que leva um jeitão para a coisa, topam....?

Portanto, meus amigos, preparem-se: vamos agora assistir a uma onda de fundo, todos a implorarem de joelhos (de joelhos? alto lá...) para o Paulinho fazer o sacrifício, para se candidatar a primeiro ministro. E ele que não, que não... mas pronto, se querem, então está bem, eu quero ser primeiro ministro, votem lá em mim, pronto. A maçada é que, com este calor, como é que vou vestir os fatinhos de risquinha de giz, que maçada, credo....?

Veja-se o arzinho maroto da Teggy e o ar satisfeito do putativo primeiro ministro (com um par de jarras armado em pau de cabeleira a apadrinhar)

A Praia de Cesare Pavese, o Quarto livro de Crónicas com CD de António Lobo Antunes, Economia, Moral e Política de Vítor Bento, La Coca de Rentes de Carvalho ... e, no recato do silêncio e da penumbra, Sítios de José Bento

Antes de me atirar com o meu habitual jeito manso às coisas da nossa baixa, baixinha politica, deixem que vos conte de uns livros que me fazem companhia por estes dias.

Dearest friends

Já por três vezes, se a memória me não falha, coloquei poemas do maravilhoso último livro de José Bento, Sítios, no meu outro blogue o Ginjal e Lisboa, a love affair. Ainda hoje lá coloquei um, líndissimo. É um livro raro. Não se percebe bem de onde pode surgir um sopro tão sagrado, tão puro, tão intenso. É um livro para por ele vaguear devagarinho, com respeito, como se andássemos dentro de uma igreja em plena missa.

Temos também o La Coca do fantástico Rentes de Carvalho, um homem de mais de 80 anos, que tem vivido na Holanda, com um humor pleno de ironia e frontalidade. Só o conheço das entrevistas a Paula Moura Pinheiro na Câmara Clara e ao Pessoal e Transmissível do Carlos Vaz Marques e estou curiosa por ver como escreve.

Depois, porque admiro a honestidade (embora por vezes um pouco facciosa) do Vítor Bento e porque o livro é barato, comprei o Economia, Moral e Política, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Saíu, em cuidada edição, papel agradável ao toque (especialmente o da capa), o Quarto Livro de Crónicas com o plus de trazer um CD com algumas delas lidas pelo autor, António Lobo Antunes. Ainda não ouvi todo mas posso confessar que hoje à hora de almoço e à vinda para casa vim a ouvi-lo, de gosto. Cheguei a rir a bom rir com o Sr. Biscaia, ou Artur (Artur, o c------!).

Sou uma leitora mediana de António Lobo Antunes: gostei dos primeiros livros e gosto imenso de todos os de Crónicas. Dos romances (que disciplinadamente compro todos, vá lá saber-se porquê) há muito que não consigo ler nenhum. É uma escrita caótica, mal estruturada, uma melopeia maçadora, não ata nem desata, vai e vem, sem história que interesse, sem lógica. George Steiner diz que o acha melhor que Saramago e considera que deveria ganhar o Nobel. Mas eu acho que ele deve é ter uns tradutores muito criativos, que devem dar uma reviravolta ao texto e dar alguma sequência legível aos textos. Ou isso ou sou eu que sou muito básica, muito tonta, muito loura burra. Não consigo, nem tenho paciência para me enovelar naqueles enredos. Mas tento, juro que tento. (Ele, se lesse isto que estou a escrever, deveria ficar fulo da vida porque não percebe que alguém possa não amar de paixão aquilo que ele escreve e que tanta trabalheira lhe dá). Azarinho.

Agora das Crónicas gosto muito, gosto mesmo muito. E lidas por ele têm muita graça, e têm emoção, têm muito dele (digo isto porque já devo ter lido todos os livros de entrevistas que lhe fizeram, pelo que já tenho uma noção de como ele é - e como ele se repete nas entrevistas... mas tem graça, eu gosto de o ouvir, de ler o que ele diz, há ali um rasgo, lá isso há).

Finalmente um livro muito bonito - quero dizer, com uma capa, uma encadernação muito bonitas, muito cuidadas, da Ulisseia: "A praia" de Cesare Pavese. Estou com muita curiosidade. Apetece olhar, apetece passar com a mão. E, claro, apetece ler.

Gosto muito de Cesare Pavese embora, até agora, tenha lido um único livro dele. Coloquei-o ali naquele montinho que juntei para a fotografia: "Ofício de Viver". É uma edição antiga, da Portugália, ainda tem o preço (15$00, leia-se: 15 escudos, nem 10 cêntimos).

É um livro especial o 'Ofício de Viver', uma visão crítica do mundo, da vida, um relato às vezes agudo, outras pungente, frequentemente melancólico, das decepções, das ilusões, um diário que gostamos de ir acompanhar. Uma escrita inteligente. Infelizmente não acaba bem (" Um imenso fastio de tudo. Basta de palavras. Um gesto. Não escreverei mais." - e não escreveu)

Se fosse hoje Cesare Pavese escreveria certamente um blogue, muito 'a la Pedro Mexia'. 

Melody Gardot, the sexy jazz girl, sings Our love is easy (LIVE@Nice Jazz Festival)

Poderia ter optado por uma gravação estúdio com fotografias a passarem mas, malgré "Désolée pour le son : il y a un peu de "souffle" et des bruits parasites", prefiro a versão ao vivo.

Gosto imenso da Melody Gardot, faz-me muitas vezes companhia e aqui, no Um Jeito Manso, se não me engano, é a terceira vez que a convido a entrar. Tem atitude, tem voz e tem um swing que faz com que as canções que interpreta balancem e balancem dentro de nós.

Enjoyez. Imaginem que estão em Nice, numa quente noite de Verão, a maresia a envolver-vos, uma aragem suave e a toada envolvente 'our love is easy'.  Ça sera presque assez.

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril de 2011 - é preciso chamar aquele que está dormindo e foi outrora senhor do mar

Na primeira fotografia que escolhi, tirada no final da semana passada, sob um manto sombrio, o céu desanuvia para iluminar Lisboa, a bela, a capital do nosso império (império que encolheu ao ponto de termos que pedir lá fora que nos venham ajudar a pôr as contas em ordem).

Desde os tempos do Mostrengo, já perdemos tanta coisa. Mas, sobretudo, perdemos exigência. Deixámos que os melhores se fossem afastando. Por todo o lado, temos à frente de quase tudo gente impreparada (por exemplo, no País, os gestores têm, em média, menos habilitações académicas que os empregados), e à frente dos partidos temos pessoas nas quais muitos de nós não se revêem.

Temos, felizmente e graças a 25 de Abril, democracia e podemos exercer o nosso direito de escolha. Mas como escolher entre tão fracas figuras?

Cavaco Silva hoje apareceu, no Palácio de Belém, nas  Comemorações do 25 de Abril, com três dos seus antecessores e a ideia só pode ser louvada. Foram vozes lúcidas e preocupadas as que ouvimos. Confesso que os olhei com emoção, quatro homens, alguns com uma idade solene, caminhando lado a lado, com preocupação: Sampaio, Eanes, Soares com Cavaco.

Cavaco Silva fez um bom discurso. Mas há a memória. E razão teve quem, ao meu lado, comentou: "Era isto que deveria ter dito quando tomou posse."

E custa não referir que é difícil abstrairmo-nos do discurso inflamado de tomada de posse, há pouco mais de 1 mês, em que tirou o tapete ao Governo, incitando à indignação os jovens e os lesados pelas medidas de correcção dos PECs, num acto de inqualificável hipocrisia política.

Muita duplicidade para podermos achar que hoje estava a ser sincero. Eu, sobretudo, vi mais aflição (pela batata quente que lhe rebentou nas mãos) do que genuína sinceridade.

Mas, enfim, é o que temos. Na Presidência e nos partidos, é o que temos.

Seria bom se, em 5 de Junho, nas próximas eleições, pudessemos escolher gente competente para nos governar em vez de termos de escolher entre o que sobrou.

Não sei como mas acho que temos que nos tornar exigentes: há um país que não pode ser deixado a morrer porque abdicamos, sistematicamente abdicamos.

Lisboa, a Bela, à espera: tão magnífica cidade tem, forçosamente, que ser tratada com dignidade

O mostrengo que está no fim do mar
veio das trevas a procurar
a madrugada do novo dia,
do novo dia sem acabar;
e disse: «Quem é que dorme a lembrar
que desvendou o Segundo Mundo,
nem o Terceiro quer desvendar?»

E o som na treva de ele a rodar
faz mau o sono, triste o sonhar,
rodou e foi-se o mostrengo servo
que seu senhor veio aqui buscar.

Que veio aqui seu senhor chamar –
chamar aquele que está dormindo
e foi outrora Senhor do Mar."

('Antemanhã' de Fernando Pessoa in Mensagem)


Pela oportunidade, transcrevo a interpretação de Auxília Ramos e Zaida Braga na bela edição da Centro Atlântico:

"Neste poema o monstro, já completamente submisso, não entende a passividade do seu senhor que nada mais faz que 'lembrar/ que desvendou o Segundo Mundo/ nem o Terceiro quer desvendar?'

A imagem do mostrengo que tenta acordar aquele que 'foi outrora Senhor do Mar' simboliza a revolta daqueles que se recusam a aceitar o desencanto do presente e que acreditam que é possível recuperar, embora de modo diverso, a grandeza do passado, através do desvendar do Terceiro Mundo, ou seja, do Quinto Império".
In heaven um arco-íris rasga - e ilumina - um céu sombrio

Neste 25 de Abril de 2011 o que eu chamo é a esperança, a revolta, a exigência, a visão, a determinação.

A democracia faz mais sentido quando podemos exercê-la na sua plenitude e em liberdade, confiando na qualidade de quem nos representa.

domingo, abril 24, 2011

Hotéis - um caso prático: Les Maisons de Léa em Honfleur

No Actual do Expresso desta semana Pedro Mexia fala de hotéis, da estranheza, da inquietação que, por vezes, transmitem com os seus corredores vazios, quartos fechados em que se escondem solidões, aventuras, fatalidades, fantasmas. Dada a sua habitual perspectiva, é natural essa análise.

A mim não me ocorre pensar isso. Penso em casais, famílias, encontros às vezes, conveniência a maior parte das vezes. Tal como ele, também eu gosto de hotéis - mas só gosto de hotéis especiais.

Claro que, muitas vezes, fico em hotéis completamente indiferenciados ou porque vou a trabalho e não sou eu que os escolho ou, então, são-me indiferentes pois não os usufruirei para além da dormida; ou então, se a passeio, porque, no percurso, não calha haver nada de especial, e a opção é a comodidade, os bons pequenos-almoços. Geralmente – e que me perdoem os que acharem isto de algum elitismo - a escolha recai sobre hotéis com não menos de 4 estrelas porque, de facto, há um diferença significativa para pior nos hotéis com 3 ou menos estrelas (em Paris, por exemplo, até os de 4 estrelas têm que ser escolhidos com algum cuidado).

Há hotéis que recordo com muita vontade de lá voltar, pelo hotel em si e pelo local – por exemplo, um belíssimo hotel em San Sebastián ou Donostia (adoro San Sebastián, adoro mesmo) ou um outro em Génova (estive em Génova apenas durante 2 dias e gostava de lá voltar: fiquei fascinada).

No entanto, o hotel de que até hoje mais gostei é um pequeno hotel de 3 estrelas. Fui agora à procura na internet e vejo que mudou de nome. Chamava-se LeChat e agora chama-se Les Maisons de Léa. Fica no Place de Sainte Catherine na pequena cidade de Honfleur.

Hotel Les Maisons de Léa, ex Hotel LeChat

Para quem não tenha o privilégio de conhecer, informo que Honfleur é uma cidadedezinha encantadora na Normandia. Tem uma doca em que – para além dos barcos, claro - há restaurantes muito bons e esplanadas, tem ruazinhas muito cuidadas, muito bonitas, e tem este largo, onde se situa uma capela muito original, com interior de madeira, e restaurantes onde se come muito bem, moules como é bom de ver, huitres fresquíssimas, travessas de mariscos, e dobrada de Caen, e outros pratos apetitosos.

Église de Sainte Catherine, Honfleur, Calvados

Abro um parêntesis para referir que toda a Normandia é uma maravilha. Pernoitámos também noutros locais muito bonitos como Saint-Malo, Dinard e noutros locais e visitámos as praias do desembarque em que me senti emocionada, e o imenso relvado com cruzes brancas sobre a praia que é o impressionante cemitério dos americanos, aldeias ainda com marcas do tempo da resistência – é todo um passeio que muito vivamente recomendo, uma das viagens que, até hoje, mais gostei de fazer.

Mas volto ao hotelzinho. A parede exterior está coberta de hera. No rés-do-chão há uma sala acolhedora com estantes cheias de livros, sofás usados, confortáveis, lareira, uma escrivaninha junto à janela que dá para a rua. Custa sair de lá.

Recanto da sala do Les Maisons de Léa

As escadas interiores do hotel, que é composto por casas, são de madeira e, ao contrário dos hotéis normais, aqui cada quarto tem uma decoração completamente diferente. As camas são confortáveis, antigas, edredons de penas, grandes almofadas, objectos decorativos adequados ao motivo do quarto, espelhos com molduras antigas, mesas largas onde apetece ficar a escrever, um agradável cheirinho a roupa lavada, a alfazema, talvez.

A sala do pequeno almoço é rente à rua, das janelas que têm cortininhas vêem-se as pessoas que passam, e tem jarros de louça com leite, com sumos, tem cestos de pão, bolos caseiros, tacinhas de mel e de compota. Não há ninguém para nos servir, vamos ao louceiro antigo buscar os pratos, as chávenas. Em cima das mesas há (ou, pelo menos, havia) jarras com flores frescas e há jornais, revistas e parece que estamos na casa de província de alguém da família.
Não sei se agora, que mudou de nome, se calhar também de gerência, ainda é assim. Mas pela alta pontuação que vejo nos comentários do site, presumo que se mantenha ainda assim como o descrevo.

Caso queiram ter uma ideia de como é, espreitem aqui.

Em Honfleur há ourivesarias com jóias de prata muito bonitas e muitas lojinhas de artesanato de qualidade. Tenho em casa várias peças que adquiri lá, desde almofadas, peças esculpidas em madeira e um jarro de louça que aqui vos mostro, muito do género da louça de Rafael Bordalo Pinheiro.

O meu jarro de cerâmica, artesanato de Honfleur

Nota pedagógica: De qualquer forma, numa altura em que deveremos ter em atenção a necessidade de poupar e, sobretudo, de não gastarmos dinheiro fora do País, permito-me sugerir que se deixem os passeios ao estrangeiro para melhores tempos... Hélas...

sábado, abril 23, 2011

António Guerreiro e Eduardo Pitta: organização do Festival Literário da Madeira repudia, na forma e no conteúdo, crónica de António Guerreiro no Expresso de há 2 semanas

Há uns 15 dias referi aqui  aqui o meu desagrado pela crónica de António Guerreiro no Actual do Expresso em que ele de forma rude, mordaz, ofensiva mesmo, resolveu atacar Eduardo Pitta, a pretexto das suas crónicas no Da Literatura sobre o Festival Literário da Madeira.

Pois ontem gostei de ler, no caderno Principal, na secção Cartas, uma de Paulo Ferreira em nome da organização do Festival, na qual manifestava também o repúdio pela crónica de António Guerreiro e informava que, não apenas a participação de Eduardo Pitta foi muito apreciada no Festival, como já lhe endereçaram o convite para a 2ª edição do FLM.

Ainda bem.

Pessoalmente, espero que António Guerreiro não volte a usar o espaço que tem à sua disposição no Expresso para ataques ou ajustes de contas pessoais. Não é coisa agradável de ler.

O mar, o campo (e as deprimentes alternativas para as próximas eleições)

Ontem de manhã, tempo chuvoso, aragem fresca, mar forte - em primeiro plano o surf, em segundo os apanhadores de mexilhões

De tarde, in heaven, chuvinha persistente a alimentar a alegria das flores do campo

A sondagem divulgada ontem no Expresso revela, entre outras coisas, que são mais as pessoas que não confiam em Sócrates ou Passos Coelho do que em qualquer deles. Pois. De facto, o País precisa de melhor.

quinta-feira, abril 21, 2011

'Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar' (Sophia, sempre)

Ao fim da tarde de hoje, o céu ficou de um pesado escuro e um arco-íris começou a formar-se sobre o Tejo que estava cheio, quase a transbordar - e eu abençoei a felicidade de poder estar aqui num momento de tão intensa beleza

António Capucho divulga carta que escreveu ao PSD de Cascais em que arrasa Fernando Nobre e quem o escolheu - ou como os barões do PSD se vão rapidamente transformar em tubarões


Os tubarões não apenas têm uma poderosa mandíbula móvel como praticam frequentemente o canibalismo

Os tubarões alimentam-se geralmente de outros peixes. Contudo, quando um deles é ferido ou se encontra enfraquecido, é imediatamente devorado por outros tubarões, numa evidente prática de canibalismo.

Essa prática inicia-se, aliás, em alguns tipos de tubarões, logo antes do nascimento em que algumas crias devoram as crias ou embriões mais frágeis.

António Capucho não gostou de ser subalternizado - e o instinto de sobrevivência faz aguçar o dente ao (tu)barão

O PSD, como um partido do chamado 'arco do poder', sempre primou por um comportamento deste género. Em períodos de crise e de fraca liderança, os barões tornam-se tubarões, devorando-se uns aos outros.

É o que começa a acontecer agora. Com um líder fraquíssimo, as hostes vêem escapar-se-lhes as hipóteses de voltar ao poder e os instintos mais básicos de sobrevivência política começam a manifestar-se.

carta de António Capucho ao PSD de Cascais bem como as entrevistas em que se se tem desdobrado e em que, implicitamente, incita a que outros correlegionários tirem também publicamente o tapete a Pedro Passos Coelho é disso uma clara manifestação.

O que ele diz da putativa 2ª figura de Estado, Fernando Nobre, e a crítica arrasadora a quem alcandorou tão impreparada e sinuosa figura a este lugar, não é senão o (tu)barão a tentar devorar os espécimes fracos, tentando assim, assegurar a sua própria sobrevivência.

Mas, em relação ao DJ PPC, nem é preciso grande trabalho: ele não precisa que o comam vivo pois tem por hábito praticar a autofagia.

PPC, longínquos lhe vão parecer os dias de vitória: agora está prestes a ser devorado pelos restantes PSDs

Leia-se a carta e veja-se a inabilidade com que o Doce Jota de Massamá mexe no pote do poder: ao formar as listas para as legislativas, oferece lugares para aqui e para ali, divulgando a uns e outros o que ofereceu a este e àquele e o que reserva para si próprio.

Ora sendo que os meninos do PSD não são escuteirinhos mas sim criaturas sedentas e de dentes afiados, com larga escola em intriga política, descontentes com aquilo a que assistem, despeitados, e sentindo o partido a esvair-se conforme as sondagens hoje revelaram, não vão esperar sentados.

E, por isso, poderemos, a partir de agora, assistir a estas cenas canibalistas: a actual liderança do PSD tem o destino traçado e não vai ser uma coisa bonita de se ver.

Não tarda, quem vá assistir aos espectáculos de Filipe La Féria, arriscar-se-á a ver Pedro Passos Coelho exibindo aquilo que, ao que parece, sabe fazer: cantar (consta que foi aprovado num casting - e não estou a ironizar)


PS: Volto a este post para me referir a uma coisa patética (ou melhor: pateta) a que acabei de assistir na televisão: Pedro Passos Coelho e Srª D. Laura, sentados no sofá da sala, de mão dada, a olharem para a câmara - o futuro membro do elenco La Féria disserta sobre a saúde e a educação nas famílias e a D. Laura (não a Laura Diogo das Doce, que a ex parece que era a Fátinha) sorrindo beatificamente, deslizando o olhar entre a câmara e o esposo. Parece que é um filmezinho caseiro para a página do facebook do DJ PPC à laia de mensagem de Páscoa (e porque será que me estou a lembrar da musiquinha do José Malhoa?).

Pedro Passos Coelho confunde umas botas com uma touca - ou seja, o DJ PPC confunde a cabeça com os pés. Imagine-se, portanto, que Governo tem ele na cabeça...

No distrito de Setúbal, de visita a pescadores, a lotas, Pedro Passos Coelho avança com a sua tropa fandanga para umas instalações de frio.

Aí entregam-lhe umas botas descartáveis para que, com higiene, prossiga a visita. Rindo-se, com ar de espertinho, diz que é o primeira touca de campanha que lhe oferecem. Quando vai a pôr, vê que são duas coisas e, inteligente!, conclui que 'deve ser para os pés porque não tenho duas cabeças'. Isto mesmo.

A seguir, qual VIP rodeado de jornalistas, armado em actor de Massamá de um thriller classe B, diz que já tem o Governo todo na cabeça mas que, suspense...,  não diz.

Ainda bem. Um Governo feito com os pés não deve ser nada que se aproveite.

D. José Policarpo apela à valorização dos partidos, lastimando a actual falta de qualidade - e como eu o compreendo


Confessa que não vê em nenhum partido uma só alma que lhe inspire confiança. Apela a que os partidos mudem de vida: que escolham de entre os melhores. 

Concordo: vejo as listas e o que vejo é um punhado de gente medíocre, de vozes-do-dono, de gente impreparada. Uma indigência.

Não sei o que faça no dia das eleições.

Caravaggio, o homem, a pintura, e a vida que, séculos depois, ainda sai das telas

'São João Baptista', 1599-1600, 129 x 94 cm, Caravaggio

Tive há algum tempo atrás o privilégio de poder visitar uma exposição dedicada a Caravaggio. O museu transbordava, como é habitual fora de Portugal.

A mim puxa-me sempre mais para os abstractos, ou para os expressionistas e, vá lá, para os impressionistas.

Por isso, ia ver o Caravaggio porque gosto de pintura, porque gosto de museus, porque é uma obra marcante mas, tenho que confessar, a minha ignorância da altura (ou a minha inexperiência) não permitia que as expectativas fossem muito altas.

No entanto, quando percorri aquelas salas cheias de gente em silêncio, como numa igreja, deixei-me tomar por uma sensação de devoção, de fascínio. As imagens que aqui coloco não deixam perceber, nem de longe, o que é ao vivo. 

Ao vivo, é uma coisa carnal, íntima, visceral. Há uma densidade nas tintas, há um claro/escuro envolvente, há uma emoção que sai das telas, um realismo extraordinário, os dentes estragados, as unhas sujas, a pele áspera, os olhos ensanguentados, o cabelo empastado, a transpiração e a lubricidade, o riso por vezes alarve, ou a dor, ou a raiva, ou a intimidade, ou a vaidade, ou o sorriso sorrateiro, ou o desespero limite.

Autoretrato, pormenor de 'David segurando a cabeça de Golias', 1605-1606(ou 1610), 125 x 100cm, Caravaggio

Viveu uma vida de excessos, de brigas, de prisões, de álcool, de sexo, de desafio, de aventura, de ódios, de desejo, de tormentos, de violência, de amores proibidos, in the edge, in the border line. Como todas as criaturas excessivas, foi amado com paixão, foi odiado, e como todas as pessoas assim, tomadas pela fúria da paixão, morreu cedo. Apareceu morto numa praia, ainda não tinha 40 anos.

As suas pinturas desvendam esse mundo de excessos e está lá tudo. Está lá a carne, o sangue, o suor, o esperma, as lágrimas.

Pormenor de 'O martírio de S. Mateus', 1599-1600, 323 x 343 cm, Caravaggio

A grande dimensão de algumas telas ajuda a transmitir-nos a sensação de que estamos lá, como se estivéssemos a presenciar os jovens nus, lúbricos, os amigos ébrios, a mão que degola, o sangue que escorre, o cheiro dos corpos.

Estas fotografias tirei-as a páginas de um livro da Taschen e a luz reflecte-se introduzindo manchas de luz onde elas não existem. No entanto, coloco-as na mesma.

Para quem não tenha a oportunidade de sentir ao vivo a emoção de estar junto aos originais de Caravaggio, sugiro que os procurem nos museus virtuais, nomeadamente na Uffizi onde se encontram alguns, através da ferramenta da Google, Google Art Project.

No post abaixo poderão ver o trailer do filme homónimo que ajuda a compreender o background que justifica a intensidade extraordinária da pintura de Caravaggio.

Caravaggio - o filme

Vida e morte de Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio (nome da sua aldeia natal).

Nigel Terry, fisicamente muito parecido, e Tilda Swinton destacam-se nas interpretações.

Para os amantes da pintura de Caravaggio, aqui deixo a sugestão.

quarta-feira, abril 20, 2011

Roberto Carlos fez 70 anos. Como é que é possível?!

Custa a acreditar: 70 anos?
Nunca foi dos meus eleitos mas não o podia ignorar. Vejo na televisão que fez 70 anos. Vejo-o e não consigo ver nele um homem com 70 anos. Não envelheceu. Mas os 70 de hoje são os 50 de anos atrás, não é?

Mas já passou tanto tempo assim? É que o tempo não passa só para ele. Quando eu novinha, ele era um homem de meia idade (achava eu...); mas agora já tem 70 anos... e isso significa que para mim já passaram também montes de anos. Não dei por isso, juro.

Estou perplexa.

Medina Carreira em entrevista a Ricardo Costa no Expresso - a verdade dos números ou quando a política não deve subestimar as análises técnicas rigorosas. Ou quando os que hoje mais clamam pelo Estado Social são os que mais fundo cavam a sua sepultura

Na gestão de um país, tal como na gestão de qualquer organização, há aspectos que são técnicos, não políticos.

Para os gerir requer-se competência técnica e não política.

Nestes domínios, a questão política deve aparecer apenas quando, para um problema, há várias soluções possíveis e é preciso escolher uma de entre várias.

Por exemplo, se é preciso acorrer a uma área imprevista e é necessário dispor de 100 milhões de euros que não existem, entrará a componente política decidindo se, apesar disso, vão acudir ou se vão explicar que não é possível, e, em caso afirmativo, onde preferencialmente se deverão ir buscar esses 100 milhões. Claro que mesmo nesse caso, o decisor político deverá estar secundado por um técnico pois, por exemplo, se decidir ir buscá-lo aos bancos, o técnico financeiro poderá alertar para a não existência de linhas de crédito disponíveis, ou, se decidir ir buscá-los a um novo imposto, o técnico jurídico poderá alertar para a inconstitucionalidade dessa opção.

São apenas exemplos mas ilustram o que se passa no dia a dia.

No entanto, há aspectos há em que a primeira avaliação tem que ser técnica, objectiva.

Medina Carreira de há muito vinha alertando para a situação ... e nós não o quisemos ouvir

Olha-se para os gráficos que ilustram a entrevista de Ricardo Costa a Medina Carreira no Expresso e qualquer técnico vê, inequivocamente, o desastre que ali está. Nem é preciso nenhuma análise complexa.

A leitura visual do descalabro

O acentuado crescimento da despesa que se pode ver no gráfico apenas seria suportável num contexto de brutal crescimento económico, de brutal crescimento demográfico: nessas circunstâncias haveria um salto na entrada de receitas quer por via de impostos sobre uma actividade económica fulgurante, quer por via de um salto acentuado de novos contribuintes.

Ora nada disto se verifica: a demografia portuguesa está a cada vez mais decrépita (as pessoas vivem, felizmente, cada vez até mais tarde; e nascem cada vez menos crianças) e a economia definha, dia após dia.

Como Medina Carreira refere, e muito bem, são 6 milhões de pessoas a viverem, directa ou indirectamente, à custa dos impostos e contribuições dos que ainda conseguem descontar.

Ou seja, estamos perante realidades matemáticas contraditórias. O break even point há muito que ficou para trás mas, ao invés, de estarmos a caminhar no sentido da sustentabilidade, estamos a andar para trás, a caminho do ponto de implosão daquilo a que chamamos estado social. Por um lado, cada vez maiores necessidades, e, por outro, cada vez menos disponibilidades – isto é: uma impossibilidade aritmética.

E isto é uma constatação objectiva.

Não vale a pena agitar bandeiras a favor do estado social, ou ‘fascismo nunca mais’, ou ’25 de Abril sempre’, ou ‘o povo unido jamais será vencido’, ou 'FMI fora de Portuga'l, porque o problema é aritmético, não é ideológico.

Só depois desta compreensão é que deverá entrar a política: ou seja, tendo-se visto qual o perigoso trilho que se está a percorrer, haverá que enfrentar de frente a questão e explicar que, não havendo para todos, imperioso será reequacionar a questão e equacionar alternativas – ou abranger menos beneficiários ou abranger os mesmos mas com menos retribuição ou um misto de ambas.

Claro que a política de longo prazo e a macroeconomia deverão andar a par e passo nas grandes decisões.

Ter 60% de beneficiários contra 40% de contribuintes é manifestamente uma inequação de um desequilíbrio insustentável. Logo, a primeira medida de fundo deverá ser uma redistribuição de fundo: progressivamente será indispensável desviar uma percentagem significativa de beneficiários para a economia real. Daí que seja indispensável reduzir o peso do estado e injectar recursos (incluindo os humanos) na economia.

Depois rever as fórmulas de cálculo das pensões e subsídios (instituir um plafond? não pagar 14 meses por ano? rever a relação entre o que se descontou e o que se prevê usufruir? – são hipóteses que devem ser objecto de cálculos de tipo actuarial e de simulações matemáticas antes de se avançar para a discussão política). Rever todo o esquema de diuturnidades, anuidades, progressões na carreira - é outra área a rever. Tem que se travar a subida da despesa para além daquilo que a receita consegue comportar.

A questão da pesada dependência das importações, que leva ao desequilíbrio da balança de transacções externas, a questão do sobre-endividamento das famílias e das empresas (convém lembrar que a política fiscal em vigor favorece a alavancagem financeira, conforme já referi em posts anteriores) – são outras questões que devem ser igualmente analisadas, mas sempre, em primeira mão, sob uma perspectiva desapaixonada, técnica, objectiva.

Uma outra área que neste momento está a introduzir uma nova parcela de preocupação é a dos juros da dívida. Mais juros representam mais despesa e juros cuja percentagem seja superior à do crescimento económico mais inflação são incomportáveis. Ora é o que se está a passar: os juros hoje são já o triplo ou mais do que é possível pagar.

[Não vale a pena voltar a referir com detalhe que o excesso de voluntarismo, o 'orgulho besta', a cegueira obstinada de Sócrates - não sendo capaz de perceber o abismo intransponível para que caminhavam as finanças nacionais, não sendo capaz de perceber que só com ajuda externa lá iríamos, a dilação na decisão de a pedir - agravou ainda mais a frágil situação financeira do País]

E convirá explicar tudo de uma forma muito clara, com exemplos reais, apresentados de uma forma muito simples para que as pessoas todas percebam o que se passa.

Conversas de Jerónimos, de Louçãs, de Relvas, de Dragos e quejandos que, de forma populista, se aproveitam do desconhecimento dos problemas por parte do grande público e que manipulam as pessoas tirando partido dos seus medos, das suas preocupações, são lastimáveis e deverão merecer o repúdio de toda a gente.

Face ao estado em que nos encontramos, sentados no degrau da igreja a puxar pela aba do casaco de quem passa, a pedir uma esmolinha, acho que é mais do que chegado o tempo do pragmatismo, do rigor, da competência.

Políticos sem curriculum (como Alexandre Soares dos Santos no outro dia referiu na entrevista a Fátima Campos Ferreira) são perfeitamente escusados nos tempos que correm.

Nota: O post já vai longo. Não vou, por isso, falar da cobardia do PCP e do BE ao esquivarem-se a conversarem com a troika negociadora. Lastimável.

terça-feira, abril 19, 2011

Fernando Medina e Pedro Strecht, gémeos separados à nascença?


Fernando Medina, Secretário de Estado, o gémeo separado à nascença de Pedro Strecht

Pedro Strecht, o pedopsiquiatra, separado à nascença do mano Fernando Medina

Freitas do Amaral, Teixeira dos Santos, Luís Amado, Ana Gomes e, claro, Manuel Maria Carrilho e Henrique Neto - e Churchill e José Sócrates


O cansaço do gladiador

À noite, ao recolher-se, José Sócrates pensará com tristeza como são injustos aqueles que ele tinha como amigos. Pensará com amargura nos ataques soezes que enfrentou, nas deslealdades que o feriram, nas lutas que travou sem dormir, sem descansar, pensará nos dias em que se levantou de madrugada para estar a seguir num local, depois, sem almoçar no carro a estudar os dossiers, depois reuniões, aviões, cimeiras, e sempre a puxar pela carruagem, pelo governo, pelo partido, pelo país.

Nessa luta que travou como um animal feroz não viu contudo que a conjuntura ia mudando mais depressa do que ele a percebia, não viu que o monstro em que o estado social se transformou devorava as reservas financeiras, não viu que as agências de rating eram mais ávidas que a sua capacidade de resistir, não viu que o precipício se cavava cada vez mais fundo sob os seus pés. Nessa luta incansável não ouviu os avisos dos técnicos, deixou que - injustamente - a mancha da incompetência alastrasse sobre Teixeira dos Santos, não ouviu os avisos dos amigos que lhe traziam alertas do estrangeiro e ignorou os conselhos de Luís Amado, cansou-se com as censuras de Ana Gomes. E agora esses que tanto o avisaram e a quem ele não ouviu, agora que ele tanto precisava de apoio, manifestam-se em público.

As reflexões sensatas do Senador: Sócrates chamou tarde demais o FMI

Com serenidade, Freitas do Amaral referiu na RTP, falando com Fátima Campos Ferreira, que o excesso de voluntarismo de José Sócrates lhe toldou a visão e o discernimento, refere, com uma amizade triste e madura, o óbvio: o voluntarismo levado ao limite deixou o País à beira da rutura.

Churchill perdeu as eleições depois de ter ganho a Guerra.

São injustas e têm memória curta e cruel, as pessoas.

Mas infelizmente, Sócrates não tem, nem terá a dimensão histórica de Churchill e a comparação serve apenas para demonstrar por excesso o que quero dizer.

É que, por muito que me custe admitir (porque não quero que se pense que acho que há, de momento, alternativas melhores nos outros partidos), depois de uma primeira metade da primeira governação corajosa e bem sucedida, Sócrates veio perdendo o pé (foi a crise, foi a proximidade de eleições, foi a crise, foi a governação em minoria - não foi fácil, temos que reconhecer) e esta última fase foi penosa.

Este congresso de Matosinhos foi uma ficção, foi uma alienação, uma encenação patética.

Passado o pico emocional, as pessoas começarão a cair na real. Este afastamento público de personalidades como Diogo Freitas do Amaral, Teixeira dos Santos ou Luís Amado, a que estamos a assistir, traduz esse esfriar de ânimos. O período que se segue trará a racionalidade e, certamente, as críticas começarão a surgir de onde menos Sócrates gostaria que viessem.

Admiro a resistência de Sócrates, a sua inacreditável força anímica. Mas, como já aqui referi várias vezes, considero que não tem perfil nem condições para o período que se segue.

Para bem do PS e, sobretudo, para bem do País, deverá descansar, deverá dar a vez ao senhor que se segue.


Provavelmente os experientes Senhores da Política (Mário Soares, Jaime Gama, quiçá a máquina maçon) começarão agora, com discrição, a tentar encontrar a melhor forma de o fazer compreender isso, sem que ele se sinta excessivamente magoado.

Sophia in heaven

Devagar no jardim a noite poisa/ e o bailado dos seus passos/liberta a minha alma dos seus laços/ como se de novo fosse criada cada coisa


A doce noite murmura/ a lua me ilumina/ estou só nos campos/ Corre em meu coração um rio de frescura/ de tudo o que sonhou minha alma me aproxima


Quem como eu em silêncio tece/ bailados, jardins e harmonias?/ quem como eu se perde e se dispersa/
nas coisas e nos dias?


Este é o amor das palavras demoradas/moradas habitadas/ Nelas mora/ em memória e demora/ o nosso breve encontro com a vida


Flor campestre

Georgia O'Keeffe in heaven

Georgia O'Keeffe: Oriental Poppies


My flowers in heaven
Flores encarnadas para enfeitar (ou para espantar) este dia escuro, chuvoso. Não me apetecem ambientes sombrios.

sábado, abril 16, 2011

She's got beautiful eyes e eu não podia ter começado melhor o meu fim de semana

O fantástico olhar da minha menininha mais linda



Os ministros do futuro Governo - the wonder team (se eu pudesse escolher)

Se eu pudesse formar um Governo, neste momento, na situação em que Portugal se encontra, seria assim:


Economia (inc. Agricultura, Pescas e Obras Públicas) – Luís Filipe Pereira


Finanças e Administração Pública – Teodora Cardoso


Ministro Adjunto para Acompanhamento das Medidas da 'Troika' - Pedro Marques

Cultura – António Barreto


Mariano Gago - Ministro da Educação

Saúde, Solidariedade Social – Maria José Nogueira Pinto


Segurança Social - Medina Carreira


Defesa – Maria Carrilho
(Antes tinha referido o Luís Amado mas ele já declarou que governo de novo, jamais)


Justiça – Almerindo Marques
(Volto hoje, dia 25 de Maio, a este post para referir que esta minha nomeação pressupõe que não há motivos menos transparentes na sua nomeação para a Opway)


Negócios Estrangeiros – Basílio Horta ´


Ordenamento de Território, Ambiente, Desenvolv. Regional – Daniel Bessa


Ciência e Inovação - Sobrinho Simões


Como admito que quem vá ganhar as próximas eleições é o PS (sobretudo pelos tiros no pé, auto golos, harakiri, auto mutilação, etc, a que o PSD se submete diariamente), aconselharia que o Primeiro Ministro fosse António Costa ou Francisco Assis (uma vez que a actual conjuntura requer um temperamento muito distinto do de José Sócrates).

Do que lhes conheço, com estes ministros e com um bom líder como primeiro ministro, penso que o País daria um enorme salto em frente, com sustentação, com visão e determinação.


Se não for o PS a ganhar, então Paulo Portas a Primeiro-Ministro - antes ele que Passos Coelho.


Já agora: nesta altura de urgência é disparate que a primeira tarefa do governo seja a reestruturação dos ministérios pelo que o que se recomenda é que se mantenham os actuais (que são diferentes do que aqui coloco pela simples razão de que não tive paciência para ver quais os actuais) ou, em alternativa, que os ministros acumulem várias pastas.